Pesquisar este blog

sábado, 28 de dezembro de 2013

François-Athanase de Charette de La Contrie

Cristina Siccardi

Tradução Gederson Falcometa

 

Martire

Couffé, França, 21 de abril de 1763 – Nantes, França, 29 de março de 1796

Le Roi de la Vendée

 

François-Athanase de Charette de la Contrie (simplesmente François de Charette), nasceu de família nobre a Couffé (vizinha a Ancenis) em 21 de abril de 1763, foi um dos mais importantes chefes militares do movimento de inssurreição que combateu na guerra da Vendéia e ele foi chamado “o rei da Vendéia”, ou “Le Roi de la Vendée”.

No ano de 1779 entrou na escola da Marinha francesa, depois serviu militarmente o Conde Picquet de la Motte e o almirante de Guichen; em 1787 obtem o grau de tenente de navio, participando em onze campanhas bélicas, algumas ocorridas na América.

Em 25 de maio de 1790 casou-se com Marie-Angélica Josnet, estabelecendo-se no solar de Fonteclause. Depois de um período transcorrido em Coblenza, na Alemanha, não demorou a retornar a França para defender a família real nas Tuileries em 10 de agosto de 1792. Conseguiu escapar do massacre.

Na região de Machecoul, em 27 de março de 1793, aceita colocar-se como cabeça dos cidadãos vendeianos que o procuraram em seu castelo. No começo os seus seguidores eram armados apenas com forcados e fuzis de caça, mas depois os católicos vendeianos se organizaram melhor e em 30 de abril de 1793 François de Charette consegue impedir os republicanos de tomar Legé. Depois da tomada de Saumur, em junho de 1793, o chefe vendeiano Lescure pede que participem da tomada de Nantes; na realidade ele se encontrou só diante da cidade e as perdas foram grandes.

François de Charette a respeito dos outros chefes vendeianos operou isoladamente. Em 1794 se apoderou do campo republicano de Saint-Christophe, próximo a Challans, mas menos de um mês mais tarde o general Nicolas Haxo, com seis mil homens, constringe Charette a fugir. Todavia em 20 de março se encontrou novamente com Haxo em Les Clouzeaux e a batalha constringiu os republicanos a fuga. Haxo, foi ferido durante o combate, foi abandonado pelos seus 3000 homens. O exército republicano não foi em sua ajuda, para eximir-se de qualquer responsabilidade, declararam que o general republicano se suicidou para não cair nas mãos inimigas.

Em 17 de janeiro de 1795 Charette assinou com os representantes republicanos, no castelo de La Jaunaye, próximo a Vertou, um tratado que estabelecia a liberdade religiosa e isentava os insurgentes do serviço armado, mas o armistício durou apenas cinco meses.

Em junho de 1795 retoma as armas, recebendo pólvora para disparo, armas e fundos dos ingleses em Saint-Jean-de-Monts em 10,11 e 12 de agosto, contudo foi derrotado. Em Julho o futuro rei Luís XVIII lhe escreve para conferir-lhe o grau de General do exército católico e real. Deixa como herança palavras de grande profundidade de pensamento e de coração; são palavras de um homem fiel a Deus e a sua terra, que não se curvou ao demônio e as suas tentações;

«A nossa Pátria são os nossos vilarejos, os nossos altares, as nossas tumbas, tudo aquilo que os nossos pais amaram antes de nós.

A nossa Pátria é a nossa fé, a nossa terra e o nosso rei.

Mas a pátria deles, que coisa é? Vós o entendeis?

Querem destruir os costumes, a ordem e a Tradição.

Então, que coisa é esta pátria que desafia o passado, sem fidelidade e sem amor?

Esta pátria de desordem e irreligião?

Para eles parece que a pátria não seja outra coisa que uma idéia; para nós é uma terra.

Eles há tem no cérebro; nós a sentimos sob os nossos pés, é mais sólida.

É velho como o diabo o mundo que eles dizem novo e que querem fundar sobre a ausência de Deus…

Diz-se que somos os fautores das velhas superstições… Fazem rir!

Mas diante destes demônios que renascem de século em século, nós somos a juventude, senhores!

Somos a juventude de Deus.

A juventude da fidelidade».

Em outubro de 1785 tentou organizar a chegada à Vendéia do Conde de Artois, segundo irmão de Luís XVI, aportando sobre a costa litorânea com 15.000 homens para prender o príncipe que se encontrava na ilha de Yeu; mas o futuro Carlos X não alcança o continente e Charette é pouco a pouco abandonado pelas suas tropas. Charette pensou então em unir-se com as tropas do chefe vendeiano Stofflet que ainda combatia no Anjou. Mas as colunas infernais republicanas ocuparam a região e Charette, seguido apenas pelos últimos 32 fidelíssimos, é capturado pelo general Travot em 23 de março de 1796, nos bosques da Charbotterie (comunidade de Saint-Sulpice-le-Verdon). Foi condenado a morte e fuzilado em 29 de março de 1796 na praça Viarmes em Nantes. Recusou ser vendado e deu ele mesmo aos seus algozes a ordem de fogo. O seu lema foi: «Combati muitas vezes, algumas delas derrotado, mas nunca abatido».

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Intolerância doutrinal. Sermão do Cardeal Pie (Primeira parte).


Card. Louis-Édouard Pie

[Tradução: Gederson Falcometa]

Sermão pregado na Catedral de Chartres 1841 e 1847

  

Unus Dominus, una fides, unum baptisma. 

Existe um só Senhor, uma só fé e um só batismo.

(São Paulo aos Efésios, c . IV, v . 5.)

Um sábio disse que as ações do homem são filhas do seu pensamento, e nós mesmos estabelecemos que todos os bens, como também todos os males de uma sociedade, são frutos das máximas boas ou más que essa professa. A verdade no espírito e a virtude no coração são quase inseparáveis e em estreita relação: quando o espírito é presa do demônio da mentira, o coração, se também deu início a obsessão, é assaz próximo a deixar-se levar em baila pelo vicio. A inteligência e a vontade, de fato, são duas irmãs para as quais a sedução é contagiosa; se se vê que a primeira se abandona ao erro, se estenda um piedoso véu sobre a honra da segunda.

E é por isso, meus Irmãos, e é porque não existe algum ataque, alguma lesão na ordem intelectual que não tenha funestas consequências na ordem material, que nós nos empenhamos, seja em combater o mal atacando-o nos seus princípios, seja a secar sua fonte, isto é, as idéias. Entre nós são creditados mil prejuízos: o sofisma, estúpido de ser atacado, invoca a prescrição; o paradoxo se vangloria de haver obtido o direito de cidadania. Os próprios cristãos, que vivem bem no meio desta atmosfera impura, não lhe evitam todo o contágio, mas aceitam muitos erros muito facilmente; muitas vezes cansados de resistir em pontos essenciais, para disfarçar, cedem em outros pontos que parecem a eles menos importantes, não percebendo, e muitas vezes não querendo perceber, aonde eles poderão ser conduzidos pela sua imprudente fragilidade.

Nesta confusão de idéias e de falsas opiniões cabe a nós, sacerdotes de incorruptível verdade, de nos lançarmos no combate protestando com a ação e com a palavra: bom para nós se a rígida inflexibilidade do nosso ensinamento puder impedir o transbordar da mentira, deslegitimar os princípios errôneos que reinam com soberba sobre as inteligências, corrigir os axiomas funestos já afirmados no tempo, e enfim iluminar e purificar a sociedade que ameaça de precipitar, envelhecendo, em um caos de trevas e de desordens em que não lhe será mais possível distinguir a natureza dos seus males e muito menos remediá-los.

O nosso século exclama: Tolerância! Tolerância! Pensa-se que um sacerdote deve ser tolerante, que a religião deve ser tolerante. Meus Irmãos, em cada coisa nada se iguala a franqueza, e eu vos digo sem tergiversar que existe no mundo uma só sociedade que possuí a verdade, e que esta sociedade deve ser necessariamente intolerante. Mas, antes de entrar no argumento, para nos entendermos bem, diferenciemos as coisas coloquemo-las de acordo sobre o sentido das palavras para não fazer confusão.

A tolerância pode ser civil ou teológica, e a primeira não nos diz respeito, me permitirei apenas uma palavras sobre essa; se a lei afirma permitir todas as religiões porque diante dessa são todas igualmente boas ou realmente porque o poder público é incompetente para tomar uma posição sobre este tema, esta lei é ímpia e atéia, porque professa não já a tolerância civil como a definiremos, mas a tolerância dogmática e, com uma neutralidade criminal, justifica nos indivíduos a indiferença religiosa mais absoluta. Se ao contrário a lei, reconhecendo que uma só religião é boa, sustenta e permite somente o tranquilo exercício das outras religiões, essa nisto, como já se observou antes de mim, pode ser sábia e necessária segundo as circunstâncias. Se existem momentos em que é preciso dizer com o famoso condestável [*]:Une foi, une loi; Uma só fé, uma só lei, existem outros em que é preciso dizer como Fenélon ao filho de Thiago II: «Concedeis a todos a tolerância civil, não aprovando tudo de forma indiferente, mas suportando com paciência aquilo que Deus suporta».

Então, deixando a parte este argumento repleto de dificuldade, e dedicando me a questão propriamente religiosa e teológica, irei expor os dois princípios seguintes:

1º A religião que provém do céu é verdade e é intolerante para com as doutrinas.

2º A religião que vem do céu é caridade, e é plena de tolerância para com as pessoas.

Rezemos a Maria para que nos venha em socorro e invoque para nós o Espírito de verdade e de caridade: Spiritum veritatis et pacis. Ave Maria.

[*] Se trata verossimilmente de Anne de Montmorency (1493-1567), connétable de França, a tinha por lema: une foi, une loi, un roi. [N.d.T.I.]

domingo, 8 de dezembro de 2013

Sermão de natal de Santo Antônio de Pádua

TEMAS DO SERMÃO
Evangelho do primeiro domingo após o Natal do Senhor: “José e Maria…”, que é dividido em três partes.
No primeiro tema do sermão, sobre a graça e a glória de Jesus Cristo, como está escrito: “Aprende onde está a sabedoria”. O primeiro tema, sobre a pobreza, como está escrito: “Deus fez-me crescer”. Ainda, sobre a miséria dos ricos, como está escrito: “Deus te golpeará com pobreza”. Sobre a humildade, condenação dos soberbos e exaltação dos humildes, como está escrito: “Olhando o Senhor pela coluna de nuvem”. Sobre a útil tristeza dos penitentes, como está escrito: “O espírito triste”. Sobre a obediência, como está escrito: “Fala, Senhor”. E, por fim, para os penitentes e religiosos, como está escrito: “Issacar é um asno forte”.
No segundo tema, sobre a soberba e a humildade do coração, como está escrito “Depôs os poderosos”. Sobre a utilidade da ruína para os pecadores convertidos, como está escrito: “Haverá ruína para o cavalo”. Sobre a ressurreição da alma dos pecados, como está escrito: “A mão do Senhor pôs-se sobre mim”; e sobre a propriedade das prisões. Ainda, contra os amantes das coisas temporais, como está escrito: “Estendi as minhas mãos”. Sobre o duplo parto de Santa Maria, como está escrito: “Antes de dar à luz”; e a Paixão do seu Filho, como está escrito: “Lembra-te da pobreza”. Por fim, sobre as quatro estações do ano e o seu significado, como está escrito: “Quando chegará a plenitude dos tempos”.
No terceiro tema, sobre a Anunciação ou o Natal do Senhor, como está escrito: “Quando tudo estava envolvido num grande silêncio”. E um sermão moral sobre a penitência, como está escrito: “Quando tudo estava envolvido num grande silêncio”.

Postagens mais visitadas

ROBERTO MARCHESINI: PORQUE UM CÓDIGO CAVALHEIRESCO.

  Extraído do livro Código cavalheiresco para o homem do terceiro milênio   Roberto Marchesini Tradução: Gederson Falcometa   V...