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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Padre Sisto Cartechini, S.J.: A Igreja, os milagres, as aparições e as relíquias.

Extrato
do
Capítulo XIII
Em quais coisas a Igreja
não é infalível
 
Do livro: Da opinião ao Dogma
15 de agosto de 1953
Padre Sisto Cartechini, S. J.
[Tradução: Gederson Falcometa]
 
 
Milagres, aparições e relíquias
 
Especialmente entorno aos milagres antigos, não aqueles narrados na Sagrada Escritura, são transmitidos algumas coisas que são fruto de verdadeira imaginação. Quando se trata então de milagres, revelações privadas ou aparições, de muitos fatos da vida de qualquer santo ou também de relíquias, isto se pode dizer e reter: na aprovação da parte da Igreja dos milagres no processo de canonização de qualquer santo, ou daqueles milagres referidos no breviário ou também da instituição de qualquer festa especial para uma aparição, como aquela de Lourdes, de São Miguel Arcanjo, da transladação da Santa Casa de Loreto, ou da autenticidade e do culto de qualquer relíquia, como a Escada santa, a Igreja entende pronunciar-se apenas por uma probabilidade e uma certeza puramente humana e mais prática, que seja suficiente para favorecer o culto.

Tudo isto merece só aquela pia adesão e reverência que é devida a Igreja também para aquelas coisas nas quais ela não é infalível, e não exige um ato de fé. Assim, se alguém negasse que a B. Virgem tenha sido apresentada ao templo ou várias aparições, não cometeria nenhum pecado contra a fé, bem que poderia pecar por outras razões e ainda gravemente, nem poderia sem grave motivo, ao menos publicamente, ensinar uma opinião diversa.

Sobre Escandalizar-se

Cap. VIII das
Conferências Espirituais

(Londres, 1859)

Padre Frederick William FABER (1814-1863),
do Oratório

 

Causar escândalo é falta grave, mas receber escândalo é falta mais grave ainda. Implica maior maldade em nós e faz maior dano aos outros.

Nada escandaliza mais rápido do que a rapidez em se escandalizar. Vale a pena considerarmos isso. Pois encontro numerosíssimas pessoas moderadamente boas que pensam que não tem problema escandalizar-se. Consideram isso uma espécie de prova de sua própria bondade e de delicadeza de consciência, quando na realidade é somente prova de sua presunção desordenada ou então de estupidez extrema. É um infortúnio para elas quando é este último o seu caso, pois então ninguém tem culpa além da natureza inculpável. Se, como disseram alguns, o homem estúpido não pode ser Santo, ao menos sua estupidez nunca poderá fazer dele um pecador. Ademais, as pessoas em questão parecem muitas vezes sentir e agir como se a sua profissão de piedade envolvesse alguma espécie de designação oficial para escandalizar-se. É o negócio delas receber escândalo. É seu modo de testemunhar a Deus. Demonstraria culpável inércia na vida espiritual se não se escandalizassem. Pensam que sofrem muitíssimo enquanto estão se escandalizando, ao passo que, na verdade, gostam disso impressionantemente. É uma agitação prazerosa, que diversifica deliciosamente a monotonia da devoção. Elas, na realidade, não caem por causa do pecado de seu próximo, nem o pecado dele por si só as detém no caminho da santidade, nem tampouco amam menos a Deus por causa daquele pecado: todas coisas que deveriam estar implicadas no receber escândalo. Mas elas tropeçam de propósito e cuidam que seja diante de alguma falta de seu próximo, para que possam chamar a atenção para a diferença entre ele e elas próprias.

Há certamente muitas causas legítimas para escandalizar-se, mas nenhuma mais legítima do que a facilidade quase jactanciosa de se escandalizar que caracteriza tantas pessoas supostamente religiosas. O fato é que proporção imensa de nós é fariseu. Para cada homem piedoso que torna a piedade atraente, há nove que a tornam repugnante. Ou, noutras palavras, somente uma em cada dez pessoas reputadas espirituais é realmente espiritual. Aquele que, durante vida longa, mais se escandalizou, fez mais injúria à glória de Deus e foi, ele próprio, pedra de tropeço real e substancial no caminho de muitos. Foi ele fonte inesgotável de odiosa desedificação para os pequenos de Cristo. Se um desses tais ler isto, escandalizar-se-á de mim. Tudo aquilo de que ele não gosta, tudo aquilo que o desvia de sua maneira estreita de ver as coisas, é para ele um escândalo. É o modo farisaico de expressar diferença de opinião.

Os homens gostam maravilhosamente de ser papas, e o mais enfadonho dos homens, se ao menos tiver, como costuma ter, obstinação proporcionada à sua enfadonhice, pode na maioria das vizinhanças esculpir para si um pequeno papado; e se à sua enfadonhice ele conseguir acrescentar pomposidade, poderá reinar gloriosamente, pequeno concílio ecumênico local em sessão intermitente durante todas as quatro estações do ano. Quem tem tempo suficiente, ou ânimo suficiente, ou esperança suficiente, para tentar persuadir a esses homens? Eles não nos são suficientemente interessantes para serem dignos de os persuadirmos. Deixemo-los a sós com a sua glória e a sua felicidade. Tentemos persuadir a nós mesmos. Nós mesmos não nos escandalizamos com demasiada frequência? Examinemos a questão e vejamos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

P. CURZIO NITOGLIA: VERDADEIRA E FALSA PRUDÊNCIA - RESPOSTA A DOMENICO SAVINO

Prudência, Piero del Pollaiolo (1441 – 1496)

 

“Quem não está disposto a arriscar-se por suas ideias, ou não vale nada ou não aplica nada de suas ideias”  (Ezra Pound)

Padre Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcomenta]

O caro amigo Dr. Domenico Savino, em 8 de abril de 2009, escreveu um interessante artigo em seu site “Effedieffe” intitulado “Fraternidade São Pio X: temores e esperanças”, onde “reprova certa falta de prudência” a Mons. Richard Williamson. Mas que coisa é exatamente a prudência e a imprudência? Perguntemos a Santo Tomás de Aquino, “o mais sábio dos santos, o mais santo dos sábios” (Pio XII).

 

P. CURZIO NITOGLIA: O HOMEM ANIMAL POLÍTICO

Contra o erro ‘por defeito’ do Liberalismo-laicista e ‘por excesso’ do Angelismo-clericalista


O HOMEM ANIMAL POLÍTICO
CONDITIO SINE QUA NON PARA A INSTAURAÇÃO  
DO REINO SOCIAL DE CRISTO
Padre Curzio Nitoglia
Tradução: Gederson Falcometa


Atualidade do problema

  • São Pio X na Carta Encíclica Iucunda Sane (Março de 1904) explica que, o meio com que os heterodoxos se infiltram na Igreja, consiste em aplicar uma regra de ação prudencial aos princípios ou aos dogmas, confundindo o plano teórico ou da verdade com aquele prático ou do agir humano. Ora, continua papa Sarto, a prudência é uma virtude moral, que ajuda a aplicar os princípios ao caso prático e a resolver este último a luz do princípio, sem rebaixar o princípio, fazendo o válido somente se praticamente útil. Portanto, transpor prudência ou a prática, confundindo-a no nível dos princípios, é baixar o princípio do nível teórico para aquele prático, o que tem consequências desastrosas: do ponto de vista teórico dilui o princípio e corrói o dogma; do ponto de vista prático pode degenerar se em lassidão ou rigorismo como veremos adiante”. 

P. CURZIO NITOGLIA: VERDADEIRA E FALSA CARIDADE

 

In memoria di Shahbaz Bhatti

 

Padre Curzio Nitoglia

[Tradução: Gederson Falcometa]

23 marzo 2011

Prólogo

Hoje se fala muito, talvez até mesmo demais, de “caridade” (“muito dela se  fala e menos dela se tem”, diz o provérbio). Mas que coisa é a verdadeira Caridade? No presente artigo busco expor a doutrina católica, que se funda sobre a Tradição e a S. Escritura, lidas a luz do pensamento de Santo Tomás, o Doutor Oficial ou Comum da Igreja. Se verá, então, como a verdadeira Caridade é totalmente diferente do vago sentimentalismo da experiência religiosa, como apresentado pelo neomodernismo ascético, o qual é o desnaturamento da verdadeira Caridade, assim como é também distinta e antes eminentemente superior ao amor natural, o qual é bom em si, mas imperfeito, porque não pode ultrapassar por si mesmo os limites da sua natureza, muito ferida  pelo pecado original.

 

·        Um exemplo de verdadeira Caridade sobrenatural nos foi deixado nestes dias pelo Ministro para as minorias do Paquistão Shajbaz Bhatti, morto por ódio a Fé católica nos primeiros dias de março de 2011. Quero citar uma parte do seu “Testamento espiritual”:

 

«Desde de criança, eu costumava ir a Igreja e encontrar profunda inspiração nos ensinamentos, no Sacrifício e na Crucificação de Jesus. Foi o Amor de Jesus que me conduziu a oferecer os meus serviços a Igreja. As assustadoras condições nas quais vertiam os Cristãos no Paquistão me chocaram. Quando havia apenas 13 anos escutei um sermão sobre o Sacrifício de Jesus para a nossa Redenção e a Salvação do mundo inteiro e pensei em corresponder ao seu Amor doando amor aos nossos irmãos, colocando me ao serviço dos Cristãos. Não quero popularidade, não quero poder. Quero apenas um lugar aos pés de Jesus. Quero que a minha vida, as minhas ações falem por mim e digam que estou seguindo Jesus Cristo. Tal desejo é assim forte em mim que me considerarei um privilegiado quando Jesus quiser aceitar o sacrifício da minha vida. Quero viver por Jesus e por Ele quero morrer. Quanto reflito sobre o fato de que Jesus Cristo sacrificou tudo, que Deus mandou o Seu próprio Filho para a nossa Redenção, me pergunto como não posso eu seguir o caminho do Calvário». 

 

O Senhor ouviu Shahbaz Bhatti e agora ele goza da Visão beatifica da face de Deus.

P. CURZIO NITOGLIA: ENTREGO AOS MILITANTES

 

“É todo um mundo que deve ser refeito, a partir do fundamento, transformando-lhe de selvático em humano e de humano em divino, isto é, segundo o Coração de Deus” (Pio XII, 10 de fevereiro de 1952).

“Se Deus não existe, tudo é permitido. Nada é mais proibido, não existe mais limite, não existe nada que não se possa tentar, que não se deva tentar, porque se tudo isto foi verdadeiro durante um tempo foi partindo da hipótese que Deus existia, agora que Deus não existe, nada daquilo que era verdadeiro agora é verdadeiro, nada daquilo que era bem, é bem; devemos recriar tudo. Mas, antes de recriar, é preciso começar a destruir […], o melhor voto que podemos fazer ao homem moderno é o de reentrar na ordem natural que é aquela da criação divina” (E. Gilson).

ENTREGO AOS MILITANTES
Padre Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]

 

O homem é um “animal politico”

“A lei para ser verdadeira e boa, não só deve ser promulgada pela autoridade (“Auctoritas facit legem”), mas deve ser conforme a razão e ao bem (“Veritas facit legem”)” (R. Pizzorni).

*

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Padre Sisto Cartechini, S.J.: Da proposição próxima da heresia, escandalosa, ofensiva, que soa mal.

Capítulo XII
DA PROPOSIÇÃO PRÓXIMA
DA HERESIA, ESCANDALOSA,
OFENSIVA, QUE SOA MAL.

Extraído do livro:
Da opinião ao dogma
Padre Sisto Cartechini, S.J.
Roma, 1953
[Tradução: Gederson Falcometa]

Próxima da heresia

Uma proposição se diz próxima da heresia quando, não todos, mas muitos doutores, e com grave fundamento dizem que é herética.

Assim, se qualquer um dissesse: as crianças não tem justiça inerente, seria próximo da heresia, porque muitos teólogos dizem que no Concílio Tridentino foi definida a justiça como inerente universalmente para todos, se bem que o decreto trate explicitamente apenas da justificação dos adultos. Ele diz que a justificação “não é apenas remissão dos pecados mas também santificação e renovação do homem interior por voluntária aceitação da graça e dos dons, onde o homem de injusto se torna justo, de inimigo amigo, a fim que, segundo a esperança seja herdeiro da vida eterna (Tit. 3, 7)» (D. 799). E aprendidas:

«Ainda que ninguém possa ser justo senão aquele ao qual vem comunicados os méritos da paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, isto todavia advém na justificação do ímpio quando, por mérito da mesma santíssima paixão “por meio do Espírito Santo a caridade de Deus se difunde nos corações” (Rom. 5, 5) daqueles que vem justificados e se insere nesses  (D. 8oo). E depois no can. 11 se diz: «Se qualquer um disser que os homens vem justificados ou por apenas atribuição da justiça de Cristo, ou por apenas remissão dos pecados, esclusa a graça e a caridade, que nos seus corações seja difusa por meio do Espírito Santo e seja nesse inerente, ou disser que a graça, com que somos justificados, seja apenas um favor de Deus:  Anathema sit » (D. 821).

Meu próprio modo seria próximo a heresia se a alguém dissesse: São Luís não está no paraíso; o Papa não é infalível na canonização dos Santos.

Próxima ao erro se diz daquela proposição que nega uma proposição que aos mais parece ser uma conclusão teologicamente certa, mas não a todos.

De fato, uma conclusão teologicamente certa poderia parecer às vezes menos certa ou porque é deduzida de uma proposição evidente e de uma outra que os mais, ainda que não todos, julguem ser de fé, ou porque se deduz de uma certamente revelada e de uma outra evidente, per ilação que os mais, mas não todos, julgam evidente.

Damos um exemplo: que o Filho de Deus proceda do Pai pelo intelecto, seria conclusão teologicamente certa para todos se fosse absolutamente certo que a palavra «Verbo» fosse nome próprio do Filho e não apenas nome apropriado. É verdadeiro que nos manuais escolásticos se diz teológicamente certo que o Filho de Deus proceda por intelecto, porque quase todos qualificam esta proposição como teologicamente certa. Quem negasse isto dir-se-ia próximo do erro. O mesmo se diga quanto a processão do Espírito Santo por vontade.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Ulteriores especificações contra o «sedevacantimo»

Ulteriores especificações
contra o «sedevacantimo»

Alessandro Sanmarchi
[Tradução: Gederson Falcometa]

 

Em continuidade com o artigo A autoridade papal de Padre Nitoglia* me parece oportuno desenvolver ulteriores observações entorno as teses propostas pelo sedevacantismo.

1)      Padre Nitoglia sustentou a tese de Cassiciacum, até essa ter possibilidade de ser verdadeira. Agora esta possibilidade se exauriu (pelos motivos que Padre Nitoglia expõe não apenas neste ultimo artigo) [1], deixando entrever ainda com maior clareza que a tese de uma  «vacância total» da Sede Apostólica, não pode que levar a um vínculo cego: uma Igreja privada da autoridade Papal, simplesmente, acabaria, enquanto lhe viria faltar a unidade e todo organismo desprovido de unidade não é mais tal, mas decaí a uma massa amorfa dos seus próprios sub-elementos (quando um animal ou um homem morre, aquilo que permanece é uma massa de células que não tem mais a capacidade de uma inter-relação unitária e de fato em pouco tempo o corpo se decompõe).

1.1) Aqui não vale objetar que o verdadeiro Chefe da Igreja é Cristo (e que então, mesmo sem um Papa, poderia existir uma Igreja «escondida», «puramente pneumática», regida apenas por Nosso Senhor ou pelo Espírito Santo: estas teorias heréticas deixamos aos protestantes e aos gnósticos), desde que foi Cristo mesmo a querer um próprio vigário humano (até o fim do mundo), sem o qual uma visibilidade e uma unidade manifesta da Igreja não poderia exercer-se e então nem ao menos se poderia falar de uma Igreja existente. Epifânia (= manifestação) e existência de fato do verdadeiro Cristianismo não podem separar-se, já que o Catolicismo é essencialmente exotérico (com dois «s» [N.d.t.: Em italiano eSSotérico] em derivação da preposição grega «exo» = fora, que se contrapõe a preposição grega «eso» = dentro, da qual deriva o termo «eSotérico» com um só «s»); ou seja, isto é um ponto de importância verdadeiramente extraordinária, tudo na Igreja é necessariamente expresso de maneira explícita e é conhecível e controlável por alguém, assim na doutrina, como na liturgia e nos sacramentos, ao contrário do que acontece na «gnose», isto é, naqueles movimentos variadíssimos de seitas e sabedorias ocultas (esotéricos) que estão presentes desde sempre na história humana. Aquilo que é reservado «aos poucos», iluminados pela luz de um saber soteriológico (= salvífico) enquanto esotérico (= oculto, isto é escondido a maioria das pessoas, que regularmente são desprezadas), simplesmente por não serem cristãs, porque Nosso Senhor veio para todos (ricos, pobres, inteligentes, estúpidos e ignorantes de toda raça e não, enquanto todos somos pecadores e todos somos um nada comparados a Deus: que soberba pensar possuir diante do Infinito em Ato um título qualquer de mérito, que possa dar direito a uma sabedoria «reservada» e negada aos outros!).

Bem, note-se atentamente, os «sedevacantistas totais» não se dão conta que a ausência de um legítimo vigário de Cristo, terminaria por condenar a Igreja a se transformar em gnose, isto é propriamente o oposto; desde que sem o tramite da autoridade papal, como justamente afirma Padre Nitoglia, não pode ocorrer nem menos unidade atual da Igreja em Cristo. Propriamente porque, o repetimos, é o próprio Cristo a querer o Papa como meio necessário a unidade e então a existência da própria Igreja Católica, que não poderá nunca transformar-se, sob pena de seu próprio aniquilamento, em uma espécie de «Igreja Invisível».

ALESSANDRO SANMARCHI: O SEDEVACANTISMO E A BULA DE PAULO IV "CUM EX APOSTOLATUS OFFICIO"

Alessandro Sanmarchi
[Tradução: Gederson Falcometa]

Dado o interesse suscitado nos leitores pela discussão entorno a possibilidade de a sé apostólica estar atualmente “vacante”[1], me parece oportuno afrontar o argumento em modo sistemático (talvez através de uma série de artigos ad hoc).

Definição geral

O sedevacantismo, na sua acepção mais geral, prescindindo de ulteriores distinções de escola a esse interno, se apoia sobre os seguintes pontos doutrinais:

1) Os pontificados sucessivos àquele de Pio XII são nulos, e então a sé petrina é a partir de então “temporariamente” vacante, porque quem foi eleito depois de Pio XII ou já era explicitamente herético (enquanto “modernista”) ou já ocultamente tal, tendo-lhe dado depois claras demonstrações, uma vez eleito, através dos próprios ensinamentos gravemente desviados e desviantes.

2) A infalibilidade magisterial, definida dogmaticamente em 1870 pela Constituição “Pastor Aeternus” do Concílio Vaticano I, diz respeito a qualquer documento papal ou conciliar concernente a questões de “fé e de moral “(sem que sejam necessárias fórmulas específicas expressivas, explicitamente indicantes a vontade de empenhar em modo particularmente solene a autoridade docente do Magistério).

3) A bula de Paulo IV “Cum ex apostolatus officio” de 1559 foi entendida como norma própria, culminando com a privação e a decadência ipso facto dos cargos adquiridos, os casos de heresia eventualmente verificados entre as hierarquias eclesiásticas, incluindo o caso de um Papa herético.

4) Como consequência da sé apostólica vacante, qualquer nomeação cardinalícia ou episcopal, efetuada por um dos pontífices não legítimos, é nula e é então nula também qualquer ordenação sacerdotal cumprida pelos supracitados bispos, assim como todo sacramento administrado por qualquer um que não tenha sido consagrado validamente.

O retorno de Dom Quixote

O retorno de Dom Quixote:
uma aventura picaresca
em busca da
humanidade perdida.

Listener

Radio Spada
Luca Fumagalli
[Tradução: Gederson Falcometa]

 

“A vida é a mais extraordinária das aventuras,
mas só a descobre o aventureiro”
G. K. Chesterton

Na verdade poucos escritores como Chesterton tem a capacidade de emocionar. Cada livro, de fato, é uma espécie de doce sonho, berço e afago para o leitor, para depois fazê-lo acordar improvisadamente. Não se entende naturalmente o mero sentimentalismo, mas aquela capacidade extraordinária, tão típica do escritor inglês, de mover cada menor fibra da alma em direção da Verdade, daquele Cristo morto para redimir a maldade do homem, aquele Deus encarnado a quem o próprio Chesterton se rendeu durante a sua vida.

Eis então que cada página reverbera aquela certeza de que a Igreja Católica transmite de geração em geração.  Cada palavra é uma festa da simplicidade e da comoção, de tudo aquilo que torna o homem digno, daquele alimento de senso que vem muito antes dos direitos humanos, porque essência dos direitos do Criador. Desarmado, o leitor se encontra diante de uma prosa provocatória e “surrealista” que desmonta cada certeza, mas que restitui aquela alegria de viver sob o estandarte de Cristo, ao ensinamento da devoção e da santidade.

Doutrina da Igreja a respeito da perenidade do Primado de Pedro e da Hierarquia

Estudos Tomistas

Estudos tomistas

“1) A perenidade do Primado é definida explícita e diretamente no Concilio Vaticano [I] (D 1824s). [D 1825 Cânon. Se alguém, pois, disser que não é de instituição de Cristo mesmo, quer dizer, de direito divino, que o bem-aventurado Pedro tenha perpétuos sucessores no primado sobre a Igreja universal… seja anátema.]

2) A perenidade da Igreja é definida explícita, mas indiretamente, no mesmo Concílio (D 1821-1824s).

3) A perenidade da Hierarquia definiu-a implicitamente o Concílio Vaticano [I]. Com efeito, definiu explicitamente a perenidade do Primado (D 1824s). É assim que também definiu que é próprio do Primado ter subordinados a si e governar os Pastores ou Bispos da Igreja universal (D 1827-1831); logo, sempre haverá Pastores ou Bispos subordinados ao Primado. Isto mesmo é ensinado explicitamente na introdução à Constituição da Igreja (D 1821).”

Citação de Sacrae Theologiae Summa, pelos Padres da Companhia de Jesus, 4.ª ed., Madri, B.A.C., 1962, trat. III, “De la Iglesia de Jesucristo”, pelo P. J. Salaverri S. J., n° 294.

Observação. O que significa, porém, o dito acima se e quando o Papado e a Hierarquia são ocupados pela heresia é o que veremos proximamente, em especial na questão disputada Do Papa Herético, por publicar-se este ano.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A mártir de Bruges, por Georges Bernanos

A mártir de Bruges
Extraído do livro:
Diário de um Pároco de Aldeia
Georges Bernanos

          “- Eu pergunto o que os senhores têm nas veias, hoje, vocês Padres moços! No meu tempo formavam-se homens da Igreja – não adianta franzir a testa, sinto vontade de esbofeteá-lo. Sim, homens capazes de governar. Essa gente dominava uma região inteira, sem outro gesto que o de levantar imperativamente o rosto. Oh! Já sei o que você vai dizer: eles comiam bem, bebiam melhor e não desprezavam o baralho. De acordo! Quando se faz convenientemente um trabalho, ele anda depressa e bem, sobrando tempo para descanso, o que é bom para toda a gente. Agora os seminários nos mandam coroinhas, pobres coitados que imaginam trabalhar mais que ninguém, porque não chegam ao fim de coisa alguma. Esses tipos choramingam, em vez de mandar. Lêem multidões de livros, mas nunca chegam a compreender – a compreender, está ouvindo? – a parábola do Esposo e da Esposa. Que é uma esposa, tal como desejaria encontrar um homem, se é bastante idiota para seguir o conselho de São Paulo? Não responda, porque iria dizer tolices. Pois, muito bem, é uma criatura forte e firme no trabalho, mas que se submete ao ritmo inexorável das coisas, sabendo que tudo deve ser recomeçado, até o fim. Por mais que se esforce, a Santa Igreja não conseguirá transformar este pobre mundo em um ostensório do Corpo de Deus [Neb*: Ótima crítica ao Cristo cósmico de Teilhard de Chardin…]! Tive em outros – tempos falo da minha antiga paróquia – uma empregada surpreendente, uma boa irmã de Bruges, secularizada em 1908, um grande coração. Nos oito primeiros dias, lustra que lustra, a casa de Deus se pôs a reluzir como um locutório de convento; não a conhecia mais, palavra de honra! Estávamos no tempo da colheita; quer dizer que não aparecia em minha casa nenhum gato, e a satânica velhinha exigia que eu tirasse os sapatos, a mim que tenho horror a chinelos! Penso que ela chegou a pagá-los de seu bolso. Toda manhã, bem entendido, encontrava uma nova camada de pó nos bancos, um ou dois cogumelos novinhos no tapete de couro, e teias de aranha – ah, meu pequeno! – teias de aranha o suficiente para fazer um enxoval de noiva.

        “Eu dizia a mim mesmo: lustre minha filha, você verá, domingo. E o domingo chegou. Oh! Um domingo como os outros, nada de festas com repiques de sino; a clientela ordinária, qual! Miséria! Enfim, à meia-noite, ela encerava e esfregava ainda, de vela na mão. E algumas semanas passadas mais tarde, no dia de Todos os Santos, uma missão de arrasar, pregada por dois Padres Redentoristas, dois tipos enormes! A infeliz passava suas noites de gatinha entre seu balde e seu escovão – molha que molha – de tal modo que o musgo começava a subir pela coluna acima, e ervas nasciam nas junturas dos ladrilhos. Não havia jeito de fazer a boa irmã raciocinar. Se eu fosse ouvi-la, ninguém transporia a minha porta, para que o próprio Deus não sujasse os seus pés na Igreja; imagine! Dizia-lhe: “A senhora me arruinará com a compra de remédios” – porque ela tossia, pobre velha! Afinal, caiu de cama, com uma crise de reumatismo articular, o coração fraquejou, e pluf! Eis uma boa irma diante de São Pedro! Em certo sentido, é uma mártir, não se pode sustentar o contrário. Seu erro não foi combater a imundície, é certo, mas ter querido acabar com ela, como se fosse possível. Uma paróquia é, forçosamente, suja. Uma cristandade é ainda mais suja. Espere o grande dia do Juízo Final, você há de ver o que os anjos terão de retirar dos conventos mais santos, às pás, – que lixo! Pois então, menino, isso prova que a Igreja deve ser uma boa dona de casa, sólida e razoável. Minha boa irmã não era uma verdadeira dona de casa: uma verdadeira dona de casa sabe que sua casa não é relicário. Mas, isso tudo são idéias de poeta!”

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Quem é Dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa, nosso novo Bispo: um testemunho

Carlos Nougué

Estudos Tomistas

(professor laico da Casa de Estudos Santo Anselmo,

do Mosteiro da Santa Cruz)

Miguel Ferreira da Costa nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, em 1954. Até a Faculdade de Advocacia, fez seus estudos no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de ser por um breve tempo seu colega de classe. Fez parte do movimento tradicionalista e antimodernista organizado em torno de Gustavo Corção e da revista Permanência; teve início então sua vida de “fiel guerreiro da guerra pós-conciliar pela Fé”, como escreve Dom Williamson.Começou, como dito, a cursar Advocacia, mas abandonou-a para tornar-se monge, com o nome de Tomás de Aquino, no mosteiro francês do Barroux, que tinha então por superior a Dom Gérard; e foi ordenado sacerdote em 1980, em Êcone, por Dom Marcel Lefebvre. Pôde então privar da amizade, do exemplo, dos ensinamentos do fundador da FSSPX.

Veio ao Brasil com um grupo de monges do Barroux para fundar o Mosteiro da Santa Cruz, em Nova Friburgo, Rio de Janeiro/Brasil. Nesse ínterim, porém, Dom Gérard, contra a instância de Dom Lefebvre, marchou para um acordo com a Roma conciliar, contra o que se opôs também Dom Tomás de Aquino. A separação foi então inevitável. O Mosteiro da Santa Cruz, com total apoio e incentivo de Dom Lefebvre, tornou-se assim independente, ainda que amigo da FSSPX. Com efeito, escreveu pouco mais ou menos Dom Lefebvre a Dom Tomás em carta que tive o privilégio de ler: O senhor deve reverência e consulta aos bispos da FSSPX, mas estes não têm jurisdição sobre o senhor, que, como prior do Mosteiro, há de ter autonomia.

Mas foi-se tornando difícil a relação de Dom Tomás e seu Mosteiro com a FSSPX, sobretudo com a aproximação desta à Roma neomodernista. Quando Bento XVI publicou seu Motu proprio sobre o “rito extraordinário”, Dom Tomás de Aquino negou-se a cantar na Missa de domingo o Te Deum pedido por Dom Fellay para comemorar o documento papal, e, especialmente pela “suspensão das excomunhões” pelo mesmo papa, escreveu Dom Tomás a Dom Fellay uma carta em que dizia que não seguiria seus passos rumo a um acordo com a Roma conciliar. Um tempo depois, aparecem no Mosteiro (sou testemunha presencial disto) Dom de Galarreta e o Padre Bouchacourt para dizer a Dom Tomás que ele teria quinze dias para deixá-lo; se não o fizesse, o Mosteiro deixaria de receber ajuda e sacramentos (incluído o da ordem) da FSSPX.

Escrevi a Dom Fellay para queixar-me de tal injustiça, e recebi por resposta o seguinte: “O problema de Dom Tomás é mental. Enquanto não deixar o Mosteiro, este não receberá nossa ajuda”. Respondi-lhe: “Devo ter eu também o mesmo problema mental, porque convivo há doze anos com Dom Tomás e nunca o percebi nele”. Tratava-se em verdade de algo similar ao stalinismo e seus hospitais psiquiátricos para opositores.

Hesitou então Dom Tomás: se deixasse o Mosteiro, seria a ruína deste com respeito à Fé; se porém permanecesse, privá-lo-ia de toda a ajuda de que necessitava. Foi então que veio em seu socorro Dom Williamson: o nosso Bispo inglês escreveu uma carta a Dom Tomás em que assegurava ao Mosteiro todos os sacramentos; poderia assim Dom Tomás permanecer nele. Foi o suficiente para que todos aqui reagíssemos: foi o começo do que hoje se conhece por Resistência, e que teve por órgão primeiro a página web chamada SPES, hoje desativada por ter cumprido já o papel a que se destinava. O Mosteiro passou a ser então centro de acolhimento para os sacerdotes que, querendo deixar a FSSPX pela traição de seus superiores, hesitavam porém em sair justo por não ter onde viver fora dela. Foi o lugar da sagração de Dom Faure, e será agora o lugar da sagração do mesmo Dom Tomás de Aquino Ferreira da Costa, meu pai espiritual e o amigo mais entranhável que Deus me poderia haver dado. Sim, sou filho seu e do Mosteiro da Santa Cruz, e foi aqui, neste cantinho do céu, que pude sentir pela primeira vez o tão agradável odor da santidade.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Laicatolicismo

Publicado originalmente
em italiano
com o título
Laicattolicesimo
pela Unavox

Gederson Falcometa

O Estado recebe então da Igreja a sua suprema norma moral; e por consequência deve aceitar essa Igreja e reconhecê-la, não como ele gosta de considerá-la, mas como Deus a constituiu, respeitando nela por inteiro aquele direito e aquela prerrogativa, que o seu divino Fundador quis a ela atribuir”. Padre Matteo Liberatore, S.J., Condição da Igreja oposta ao Estado).

Assim falava um verdadeiro católico do século XIX!

Hoje estamos diante de católicos que acreditam que é a Igreja quem deve receber a suprema norma moral do Estado.

É fácil reconhecer estes tipos de católicos em altos prelados como os cardeais Kasper e Marx, Mons. Galantino e até mesmo no Papa Francisco (Nda.: e em Padres, como o Padre Fábio de Mello).

Estes católicos, que colocaram o Estado no lugar de Deus, é necessário que tenham um nome, e como o Estado é laico e eles se colocam a direita com a laicidade e a esquerda com o laicismo, podemos chama-los de laicatólicos.

Todos nós conhecemos a doutrina dos dois poderes, temporal e espiritual. Pelo ensinamento tradicional sabemos todos que o poder temporal deve ser subordinado ao temporal. Uma separação entre os dois poderes seria uma declaração de recíproca independência… um novo maniqueísmo prático.

Ora, desde quando isso aconteceu pela primeira vez, com a reforma protestante, e depois de forma mais acentuada, com a revolução francesa, o católico se encontrou na presença de dois poderes que fazem leis opostas. Muitos deixaram a Igreja para seguir o Estado, outros ao invés disso, permaneceram na Igreja seguindo o Estado. São estes os católicos liberais, que desde o seu surgimento buscaram subordinar a Igreja ao Estado e alcançaram o seu escopo com o Concílio Vaticano II, exultando com a nota declaração de o “Vaticano II foi o 1789 da Igreja”.

P. LUIGI TAPARELLI D'AZEGLIO: VERDADE OU CORTESIA?

Padre Luigi Taparelli D’Azeglio
La Civiltà Cattolica, 1854
Tradução: Gederson Falcometa

«Peregrino de um dia sobre o caminho da vida eu chegarei bem rápido, e comigo chegará cada homem que vive, a um termo onde nos espera, ofertado pela Providência divina um diadema ou um cárcere eterno. Agarrar o diadema, evitar o cárcere, eis aquilo que importa a mim e cada homem que comigo vive sobre a terra: e se para chegar lá, ou levar comigo o meu próximo me seja mister o manejar a espada ou tolerar-lhe as ferroadas, pouco me importa, desde que eu obtenha o intento. Ora, a conseguir isto, considerando que eu devo deixar pleníssima liberdade naquelas doutrinas onde Deus se cala, assim devo aderir plenamente quando Ele fala, procurando também de minha parte a adesão dos outros: que isto quer o Redentor, quando protestou não reconhecer por seu quem não o louva, desconfessar quem não o confessa na presença dos homens, dever-se pregar sobre os tetos aquilo que ele diz aos ouvidos, espada e não paz trouxe ele sobre a terra, separação entre pai e filho, entre mulher e marido, entre irmão e irmão. Preceitos de tal porte soam outra coisa diversa que a paz dos moderados: goste ou não goste, a verdade anunciada pelo Redentor deve continuar a ser anunciada pela Igreja; e a verdade ensinada pela Igreja deve se professar sem rubor e sem temor pelo verdadeiro fiel: e se há quem não gosta de ouvi-la, ele se vá, e busque em outro lugar quem não acredite em um Deus que falou, ou acreditamos sermos covardes o suficiente para falsear o verdadeiro, e impiedosos para permitir sem oposição a perdição de quem corre  o risco da eterna ruína».

Recepção de batina em Avrillé, França

Fotos da Missa Pontifical
de recepção de batina
União Sacerdotal
Marcel Lefebvre
USML

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

P. ALBERTO SECCI: POBRES DA TRADIÇÃO, NÃO BURGUESES

Editorial de Radicati nella fede´
Padre Alberto Secci
[Tradução: Gederson Falcometa]

Sabeis bem quantas vezes, sobre este boletim, alertamos contra os perigos do modernismo. Quantas vezes reagimos contra a desajeitada modernização da Igreja, que está agora se cumprindo na mais aguda crise que a Igreja jamais conheceu na sua história.

Reagimos, sentimos o dever; dissemos “não”; dissemos não aceitar este falseamento da vida cristã que se amplifica sob os nossos olhos.

É bom, porém, recordar que não fizemos só isto, e que não fizemos antes de tudo isto: nos preocupamos em primeiro lugar em assegurar entre nós uma vida cristã estável.
Sim, porque “ser contra” não equivale a fazer o cristianismo. É uma ilusão mortal aquela de pensar que ser contra qualquer coisa equivalha automaticamente a construir-lhe a alternativa.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O valor demonstrativo dos milagres, por Padre Giuseppe Casali

 

 

Suma
de
teologia dogmática

Padre Giuseppe Casali
[Tradução: Gederson Falcometa]

Nihil obstat
Luca, 2 de fevereiro de 1956
Can. P. Lazzarini Cen. Ecci.
IMPRIMATUR: Lucae, 11 februari 1956
Can. V. Del Carlo V. G.
 

 

Tese – Os milagres são sinais certíssimos da revelação divina e aquela doutrina em favor da qual veem operados deve se reter com certeza como revelada por Deus.

 

É certo filosoficamente
Teologicamente de fé

 

As circunstâncias que acompanham um milagre nos permitem com facilidade reconhecer se foi cumprido para a confirmação de uma dada doutrina.

Alguns milagres se apresentam expressamente contendo operações em confirmação da doutrina. Em São Mateus (9,6) a cura do paralítico é claramente afirmada como prova do poder de perdoar pecados. Na cura do cego de nascença Jesus predisse que este milagre se cumprirá “a fim de que se manifestassem as obras de Deus” (Jo 9,3). Na ressurreição de Lázaro, Jesus, ora ao Seu Divino Pai para ouvi-lo “a fim de que creiam que Tu me enviaste” (Jo 11, 42).

Outros milagres são prova da doutrina implicitamente. De fato, se alguém recebe um milagre pela oração, é claro que Deus aprova a fé doutrinal que está na base desta oração.

S. Tomás, a provar a nossa tese, traz este argumento: ”Qualquer milagre se cumpre apenas por virtude divina e Deus não é jamais testemunha do falso. Por isso digo que toda vez que um milagre advém em testemunho de uma doutrina pregada é necessário que aquela doutrina seja verdadeira”. (In Joann. 9, 3.8).

Em caso contrário Deus se tornaria responsável por um erro de que o homem não poderia render conta e isto repugna a sua sapiência e bondade.

Por isso o milagre é considerado por toda a tradição católica, resumida na frase do Concílio Vaticano, já citado: “sinal certíssimo da revelação” a qual é coligada.

Nas falsas religiões, como dissemos, não se dão verdadeiros milagres, porque:

a)Ou são historicamente incertos, como alguns pretensos milagres da antiguidade pagã, isto é, por exemplo aquele de Esculápio, Apolo, Iside;
b)Ou são obra diabólicas que darão os seguimentos na imoralidade e nos maus efeitos que produzem e por isso não se podem atribuir a Deus;

c)Ou não são a confirmação de toda a doutrina, mas só de alguma verdade.

S. Agostinho conta a história de uma vestal que com um vaso furado tirou água do Tibre e a levou sem perder lhe uma gota em prova de sua virgindade. S. Tomás (De Potentia 6. a 5) disse que não é impossível que o verdadeiro Deus, para aprovar a virtude da castidade, tenha feito por meio dos seus Anjos, este milagre, porque também as coisas que foram boas em meio aos pagãos, vieram de Deus.

Deus então pode operar o milagre para aprovar uma singular verdade, seja de ordem natural, como de ordem sobrenatural. Assim, se conta sobre os verdadeiros milagres feitos pelo missionário cismático, certo Padre João de Cronstad, para confirmar a verdade da presença de Jesus na SS.ma Eucarístia.

Suma de Teologia Dogmática, Giuseppe Casali, 1956
Disponível para download (em italiano) no site de D. Curzio Nitoglia:
http://www.doncurzionitoglia.com/libri_scaricabili_gratis.htm

 

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