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quinta-feira, 16 de maio de 2019

P. CORNÉLIO FABRO: O VALOR PERMANENTE DA MORAL




P. Cornélio Fabro
L’avventura della teoloia progressista
Tradução: Gederson Falcometa

Introdução: o sentido do problema
O escrito se desenvolve em três momentos ou em três pontos. No “primeiro” ponto se buscará clarear a raiz primeira da inspiração das orientações modernas sobre a moral. O “segundo” ponto, mais teológico, enquanto o primeiro é ao invés filosófico, buscará expor o sentido desta revolução, que está acontecendo não só na dogmática mas também na moral, que hoje se chama a moral “secular”; moral que podemos indicar como uma nova edição e apresentação da assim chamada “ética de situação”, que sob Pio XII teve uma condenação oficial por parte da Igreja. O “último” ponto, mais árduo e mais complexo, retomará o filo ideal para nos orientar neste conflito de opiniões e neste interceptar-se de orientações na atual situação moral. O modesto escopo deste escrito é apenas aquele de buscar colocar em ordem onde existe a desordem e de levar um pouco de clareza onde existe muita confusão.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

P. HENRI RAMIÉRE, S.J.: DESVENDANDO O LIBERALISMO


A questão do liberalismo diz respeito aos mais graves interesses
e aos mais fundamentais dogmas do cristianismo.

Padre Henri Ramière S.J.
Paris, 1870
Tradução: Gederson Falcometa 

Antes de tudo é importante esclarecer para vantagem daqueles católicos que não entendem a ligação entre a questão do liberalismo e do dogma católico e que acreditam defender seriamente os interesses da Igreja aconselhando-lhes a separarem-se, sobre este ponto, de sua própria tradição.

I – Origem do liberalismo

Para fazer-lhes compreender que se enganam, basta recordar a sua história recente; digam-nos eles como a doutrina que gostariam que fosse aceita pela Igreja se introduziu no mundo. O sabem bem como nós; até o século passado essa não tinha encontrado um só defensor, nem no interior do cristianismo nem no seio do paganismo. No mundo bárbaro como naquele civilizado foi sempre acordado fundar a garantia das instituições sociais nas crenças religiosas; e Rousseau, quando afirma que nenhum Estado foi jamais fundado sem que a religião lhe servisse de base, não fazia que constatar o testemunho certíssimo da história e resumir os ensinamentos dos filósofos pagãos, como também dos doutores cristãos.

terça-feira, 7 de maio de 2019

SIM SIM NÃO NÃO: SÃO DÉSCARTES PADROEIRO DAS FEMINISTAS E NÃO SOMENTE DELAS

O pensador de Auguste Rodin, na Porta do Inferno.

Tradução: Gederson Falcometa

1 - Do «homo faber» ao «homo fabricatus» 
e perenemente «fabricandus»

É a partir de Descartes que a inteligência atua a sua primeira e verdadeira prostituição a vontade de potência e se volve para o titanismo delirante de querer erigir a mente humana, não só a medida neoprotagorista de “todas as coisas”, mas a razão mesma do seu ser, do seu ser pelo seu decreto, a sua fábrica, a sua invenção. Se os antecedentes de um tal delírio estão já presentes no Humanismo com a bruniana mens insita omnibus ou com a verdadeira “indignidade” narcisista do mirandoliano “De hominibus dignitate”, para nos limitarmos a dar algum exemplo, é porém, sobretudo do cogito cartesiano que tem início a atividade dinamitada da inteligência humana nos confrontos daquele “secante obstáculo” que é a muda e nua objetividade das coisas. Do cogito em diante o domínio da mente se faz sempre mais totalitário e despótico, de maneira a ativar em seu interior uma espécie de inflexibilidade mecânica perceptiva que depois, por consubstancial dinamismo alucinatório, tem sempre mais a se especificar não só como recusa de qualquer evidência objetiva, mas sobretudo como ataque ab-rogativo nos confrontos da especificidade da pessoa e da sua dignidade e identidade real.

S. FRANCISCO DE SALES: O VERDADEIRO FUNDAMENTO


 
São Pedro no trono com os santos João Batista e Paulo, 1516.
São Francisco de Sales
Controvérsias
Tradução: Gederson Falcometa

A posição suprema que teve São Pedro na Igreja militante, em razão da qual é chamado fundamento da Igreja, como chefe e governador, não vai além da autoridade do seu Mestre, antes, lhe é apenas uma participação; de modo que São Pedro não é fundamento da hierarquia fora de Nosso Senhor, mas em Nosso Senhor, tanto que nós o chamamos Santo Padre em Nosso Senhor, fora do qual não seria nada. […] Fundamento é então, Nosso Senhor, e assim também São Pedro, mas com uma notável diferença, que, a comparar com um, se pode também afirmar que o outro não o é. Verdadeiramente, Nosso Senhor é fundamento e fundador, fundamento sem outro fundamento, fundamento da Igreja Natural, Mosaica e Evangélica, fundamento perpétuo e imortal, fundamento da militante e daquela triunfante, fundamento de si mesmo, fundamento da nossa fé, esperança e caridade e do valor dos Sacramentos. São Pedro é fundamento, mas não fundador de toda a Igreja, fundamento, mas fundado sobre um outro fundamento que é Nosso Senhor, fundamento apenas da Igreja Evangélica, fundamento sujeito a sucessão, fundamento da Igreja militante, mas não daquela triunfante, fundamento por participação, fundamento ministerial, não absoluto; enfim, administrador e não senhor e por nada fundamento da nossa fé, esperança e caridade, nem do valor dos Sacramentos.
São Francisco de Sales, Controvérsias, pgs. 79, 279-280

P. BONFIGLIO MURA: DA LIBERDADE DE PENSAMENTO, DE PALAVRA E DE IMPRENSANA SOCIEDADE MODERNA


Padre Bonfiglio Mura, O.S.M.
Roma, 1863
Tradução: Gederson Falcometa



Gênese e nexo desta liberdade

A liberdade que é a absoluta independência da razão humana em fato de religião proclamada por Lutero, gerando logicamente a liberdade e a independência da própria razão proclamada por Rousseau em fato de política, devia também gerar por rigorosa consequência a liberdade, e a independência do pensamento e por isso de palavra que lhe é a expressão. Ninguém em efeito pode estimar-se plenamente livre e independente em fato de religião como de política onde lhe venha subjugado o pensamento, ou a palavra que o exprime, obrigando a um e a outro a depender de uma autoridade qualquer diversa daquela da própria razão e do arbítrio. A sociedade moderna então, querendo e proclamando com Lutero e com Rousseau a independência religiosa e política do homem, devia também querer e proclamar a independência de pensamento e de palavra, e por consequência lógica àquela de imprensa que também essa é a expressão do pensamento, e antes mais durável porque palavra escrita, e mais perniciosa ou salutar nos seus efeitos, porque a palavra articulada pode sentir-se por poucos, e a escrita pode ser lida por muitos, ou mesmo todos. A sociedade moderna longe de renegar estas inferências, as aceita com êxtase, as estima como uma conquista preciosa de quem se arroga todo o mérito, e faria qualquer sacrifício para conservar nesse elemento vital, e a arma mais poderosa da sua vida e da sedução. Renegando tais inferências renegaria Lutero, a independência religiosa e política da razão individual; e esta negação destruiria desde as bases o edifício da sociedade moderna, e seria para a mesma um verdadeiro suicídio. Uma lógica que por isso decide pela sua vida ou pela sua morte a condenação a admitir a liberdade de pensamento, de palavra e de imprensa; e é verdadeiramente um pecado que esta lógica renegue a si mesma onde se fala de liberdade de pensamento, de palavra e de imprensa católica, contra a qual não encontra sofismas, vilanias e rigores que bastem, enquanto faz boa vista a todos os erros mesmo os mais absurdos. Disto não maravilhará a ninguém que recorde a sociedade moderna ser filha da Reforma, e ter desta aprendido a gritar liberdade para todos e em todo gênero, menos para a Igreja e para a consciência católica. Então, a liberdade de pensamento, de palavra e de imprensa é um lógico derivado do princípio luterano aplicado a religião e a política, e as três vozes com as quais ordinariamente vem expressa esta liberdade se podem reduzir a uma só, ou a duas, vale dizer a liberdade de pensamento e da sua manifestação falada ou escrita. O porque as mesmas significam uma só e idêntica liberdade de pensamento, atuada e desenvolvida objetivamente em dois modos diversos, a saber com a palavra ou com o escrito, modos que dão a este desenvolvimento uma diferença de grau e de extensão porque, como observamos agora, a palavra escrita é mais durável e capaz de maior extensão que a falada, ou articulada que se queira chamar. Nós então empregamos estas palavras promiscuamente para significar uma só e mesma coisa, a saber o desenvolvimento prático da liberdade de pensamento.

domingo, 5 de maio de 2019

P. CORNÉLIO FABRO: ESTAMOS DIANTE DO SURTO DE UMA "PORNOTEOLOGIA" QUESE EMBEBEDERÁ DO MUNDO



 
Pintura na catedral Catedral da Diocese de Terni-Narni-Ameliarepresenta Jesus levantando redes cheias de prostitutas, homossexuais, e outros personagens lascivos, para o céu.

Padre Cornélio Fabro
1973
Tradução: Gederson Falcometa
…A dificuldade e a prova da fé é aquela de ser novos no antigo e originais no permanente, porque pertence aos homens serem produtivos com a liberdade no âmbito da verdade a qualquer nível, mesmo naquele da fé e da salvação. O espírito não é uma cesta que recebe passivamente, mas um princípio que atua a si mesmo “dirimindo” com a escolha a alternativa da sua salvação. É isto que é o progresso na continuidade e a fidelidade a tradição segundo a regra áurea de São Vicente de Lérins, inscrita nos textos autênticos do magistério: “Ensina as mesmas coisas que aprendeu de forma que dizendo em modo novo não diga coisas novas. Mas não haverá então, se pergunta prontamente, na Igreja de Cristo nenhum progresso? E como! Responde, e grandíssimo. E quem é o homem tão invejoso aos homens, tão odioso a Deus que buscaria impedir isto? Bem entendido, deve ser um progresso, não uma mudança: um autêntico aumento para cada um e para todos, para casa homem e para toda a Igreja mas no mesmo dogma, no mesmo sentido e na mesma fórmula”.

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