Pesquisar este blog

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

DON CURZIO NITOGLIA: O LIBERALISMO SOCIAL DE CHARLES MAURRAS


A prudência em relação ao bem comum se chama política”.   
Santo Tomás de Aquino


Don Curzio Nitoglia
Tradução: Gederson Falcometa
27 de dezembro de 2009


Charles Maurras
Charles Maurras

Introdução

Saiu no mês de abril um interessante livro de di Yves Chiron Èmile Poulat, Pourquoi Pie XI a-t-il condamné l’Action Française? (Niherne, Èditions BCM, 2009), em que os autores demonstram que a condenação foi essencialmente religiosa e não diplomática, enquanto Pio XI não podia tolerar a secularização da política que a moral social é objeto da doutrina católica. De fato, muitos autores, e especialmente os maurrassianos, sustentaram que Pio XI por diplomacia internacional filo-germânica quis enfraquecer a França de Aristide Brian e a sua política, condenando um forte movimento de resgate nacional anti-alemão como a Action Française.

.Yves Chiron cita na página 8 de seu livro o abbé V.A. Berto (Une opinion sur l’Action Française, in “Itineraires”, abril, 1986, p. 77-92; rist. Niherne, Edizioni BCM, 2009), que tinha sustentado que a condenação foi aportada “por motivos diretamente e especificamente religiosos” e sempre o abbé Berto comentava que “Pio XI julgava inaceitável uma redução da filosofia política a mera empiriologia com relações apenas extrínsecos com a fé, a teologia, a moral católica e em plena autônomia extrínseca” (pg. 8 e 9). Chiron nota que a religião e a política (não partidária ou ação diplomática nacional/internacional) não são separáveis segundo a doutrina católica, a qual nisto se distingue claramente do liberalismo, que propugna a plena separação entre Igreja e Estado (“libera Chiesa in libero Stato” – Igreja livre no Estado livre), religião e política. Onde a doutrina maurrassiana, paradoxalmente, peca de um certo naturalismo ou liberalismo social e político, embora sendo monárquica, antidemocrática e autoritária. Diante desta tendência sobretudo de Maurras, porque a élite católica da Action Française, nascida em torno a 1890, foi abatida pela primeira grande guerra de 15-18, o Papa em 1926 quer “unificar a ação social dos leigos católicos franceses, sob a direção doutrinal do episcopado” (pg 13), para evitar uma deriva naturalista e liberal, ou seja, de separação entre temporal e espiritual da moral social.

Postagens mais visitadas

D. DAVIDE PAGLIARANI: A HERMENÊUTICA DA HERMENÊUTICA - SEGUNDA PARTE: CONSEQUÊNCIAS ÚLTIMAS DA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE

Don Davide Pagliarani Revista Tradizione Cattolica FSSPX Itália Março de 2010 Tradução: Gederson Falcometa A hermenêutica da continuidade en...