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segunda-feira, 27 de junho de 2022

ROBERTO MARCHESINI: PORQUE UM CÓDIGO CAVALHEIRESCO.

 



Extraído do livro
Código cavalheiresco
para o
homem do terceiro milênio

 

Roberto Marchesini
Tradução: Gederson Falcometa

 

Viver de acordo com o que você gosta não é a única maneira de viver, apesar daquilo que sustenta o mainstream.

Como Goethe escreveu: “Viver de acordo com o próprio gosto é próprio do plebeu; a alma nobre aspira a uma ordem e a uma lei ”. A alma nobre deseja uma lei, não a rejeita; considera a vida como disciplina, não como prazer. Noblesse oblige - nobreza obriga, a nobreza obriga, não desvincula dos deveres.

A nobreza”, explica Ortega y Gasset, “é sinônimo de uma vida corajosa, sempre empenhada em se superar, em se transcender, em alcançar o que ela propõe como ser e exigência. [...] São os escolhidos, os nobres, os únicos ativos e não reativos, para quem viver é tensão perpétua, disciplina incessante. Disciplina = askesis. São os ascetas”.

domingo, 12 de junho de 2022

MARCEL DE CORTE: A CRISE DO BOM SENSO


Marcel de Corte
*Tradução de Gederson Falcometa


Neste nosso estranho mundo, dizer que branco é branco, e que preto é preto, é um ato que desperta a desaprovação, senão a ira, de nossos contemporâneos, e que coloca o autor a margem da sociedade; representa uma audácia às vezes paga com um tiro na nuca e quase sempre com um silêncio hostil da opinião pública e dos intelectuais que a governam. Qualquer um que apresente uma afirmação tão categórica é considerado pobre de espírito, se não um antediluviano, um desajustado para seu tempo. Impossível obter a atenção dos homens do nosso tempo, se você não virar as costas para o verdadeiro, o belo, o bom.

sexta-feira, 6 de maio de 2022

D. CURZIO NITOGLIA: CASTIGAT RIDENDO MORES



PÉROLAS AGOSTINIANAS

D. CURZIO NITOGLIA
Tradução de Gederson Falcometa

Castigat ridendo mores

Santo Agostinho no seu Comentário a primeira Epístola de São João (mesmo enquanto pregava aos seus fiéis de Hipona na semana Santa de 413), com o seu espírito firmemente irônico (“castigat ridendo mores”/brincando e rindo se diz a verdade), faz algumas comparações que não podem nos deixar indiferentes por que:

  • 1º) se de uma parte somos brincalhões, divertidos e agradáveis,
  • 2º) da outra somos também sérios, profundos e severos.

De fato, a justiça e a misericórdia, a alegria e a severidade não se excluem, mas se completam e se harmonizam como diz a S. Escritura: “Justitia et Pax osculatae sunt”.

domingo, 24 de abril de 2022

D. CURZIO NITOGLIA: PREGUIÇA E ABATIMENTO: OS DEFEITOS DO HOMEM E DO RELIGIOSO CONTEMPORÂNEO




DON CURZIO NITOGLIA

[Tradução: Gederson Falcometa]

2 de julho de 2012

http://www.doncurzionitoglia.com/pigrizia_e_abbattimento_difetti.htm


“São vivificados pelo Espírito aqueles que não atribuem ao próprio eu toda ciência que sabem e desejam saber, mas a referem, com a palavra e o exemplo, ao Altíssimo Deus, ao qual pertence todo bem” (S. Francisco de Assis).


·         A fonte da preguiça e da acídia, que é a preguiça espiritual, são o orgulho, o amor próprio, a vida tranquila, a avareza e o apego excessivo aos bens desta terra, o não querer ter inimigos e então chegar a compromissos ou ao menos a pactos com os inimigos de Deus. O abatimento, ao invés, nasce da presunção excessiva de si mesmo ou de uma pusilanimidade e timidez que é falsa humildade, e que às vezes pode ser mais perigosa que o próprio orgulho.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

CARDEAL SIRI: A DISTRAÇÃO

 

 


Cardeal Giuseppe Siri
Tradução: Gederson Falcometa

Ao meu clero, e, se possível, também ao povo.

 Esta carta vos parecerá estranha. Vereis que não o é. Creio que só no final entendereis porque a escrevi.

Para o momento digo apenas que o primeiro movente é a justiça: ela deve responder a esta pergunta "em nosso mundo existe somente pecado ou existe algum fator atenuante na conduta dos homens?". Visto que Deus é justo, nós também devemos ser justos. Não nego que o mundo seja "totus in maligno positus est", mas isso não me impede de perguntar se, por acaso, não exista algo que não é propriamente "mundus" e venha a encontrar-se sob um juízo menos implacável .

Afinal, para qualquer crime e para qualquer criminoso pode haver circunstâncias atenuantes. Não acontece, portanto, que haja alguma razão para que o mundo seja menos feio e deformado? Esta é a questão.

Agora comecemos a nos entender; o que é a distração? Chama-se distração, no sentido próprio, aquele fato pelo qual a mente se desvia do objeto que deveria prestar atenção para correr atrás de coisas, fantasmas, fatos que não dizem respeito ao seu dever e que são em sua maioria externos, efêmeros, aleatórios, variáveis e inconsistentes.

A preguiça e o amor a comodidade são formidáveis aliados da distração.

 

quarta-feira, 2 de março de 2022

CARDEAL SIRI: A DITADURA DA OPINIÃO

Entrevista do Cardeal Siri, feita pela revista Renovatio VI, em 1970, e traduzida por Gederson Falcometa (publicada primeiramente no Fratres in Unum). É antiga, mas nela encontramos uma grande consciência dos problemas que agora estão sendo revelados em toda a sua destrutividade mortal.

Cardeal Giuseppe Siri, Arcebispo de Genova, falecido em 1989.

RENOVATIO – Existe, segundo V. E. R,, uma relação entre a presente situação da sociedade humana no seu complexo e aquela da Igreja? Existe uma relação entre as dificuldades presentes da religião e aquelas da humanidade?
SIRI – Como seria possível ser diferente? A Igreja não vive separada do seu tempo e do seu mundo. As dificuldades que o homem experimenta hoje em viver como homem repercutem na dificuldade que o cristão encontra em viver como cristão.
O mundo hodierno vive da conquista da matéria: mesmo se a ciência lhe revela que a sapiência e a potência da ordem criada superam em qualquer parte a capacidade de previsão da razão, o homem se encontra, porém, fechado na estrutura mundana que ele construiu. O homem descobriu poder conquistar a matéria, poder torná-la instrumento da sua vontade: isto lhe tirou o senso de uma prudência superior e fez da conquista do mundo o seu saque , a perda da realidade humana mais profunda: o espírito.
O espírito é a pedra angular do homem e do mundo: todavia, essa é a pedra que os construtores da nossa presente sociedade quiseram esquecer e rejeitar. Chegamos assim a um mundo em que a pessoa humana não tem valor porque o homem não tem mais significado, e não é mais considerado a imagem de Deus.
Quando os homens fizeram as suas primeiras descobertas, houve um sentido de soberba e de absoluto predomínio do homem sobre o mundo: é isto que vem narrado na história da torre de Babel, uma visão profunda da dialética da civilização. Deus confunde então as línguas. Mas hoje as próprias mentes dos homens são confusas. A hora do máximo de poder é hora obscura, em que a sapiência mundana não sabe senão prefigurar a crise definitiva da humanidade. Mas os cristãos são filhos da esperança.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

ALESSANDRO GNOCCHI: MISSAS NEGRAS & MISSAS CINZAS


 



Alessandro Gnocchi
Tradução: Gederson Falcometa

Tenho um fraco por hipérboles, admito. Desta vez foi Matteo Donadoni quem me disse que, de fato, era hipérbole quando lhe escrevi que as Neoliturgias da neo-igreja são Missas negras: um prudente "não exagere", às 13h44 da quinta-feira, 16 de maio de 2019, em resposta ao lacônico “Missas negras são-lhes dadas todos os domingos”, mesmo dia e mesma hora. O WhatsApp não deixa dúvidas sobre a história, mas concilia a hipérbole quase tanto quanto o meu gosto permite.


De fato, aquelas que são feitas aos domingos nas neo-igrejas, mais do que missas negras, elas são cinzas. Mas, devo dizer hiperbolicamente a Matteo, elas são ainda mais perigosas, pois diferem apenas na gradação de cor e levam à condescendência preguiçosa para com a ilusão do mal menor, panaceia para todos os católicos que se renderam ao mundo e não ousam admiti-lo: quanto mais o ponto negro diminui, mais uma missa é absorvida voluntariamente por aqueles bons católicos que reduziram seus cérebros a gelatina e lançaram suas almas na confusão.

 De fato, há até quem, quando o branco aparece em boa porcentagem, se joga e, de fato, patrocina o evento porque o cinza desses recém-chegados seria um cinza conservador, outra coisa, dizem, respeito ao cinza escuro, quase preto, de uma neo-missa celebrada em um barco de imigrantes ilegais.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

ALESSANDRO GNOCCHI: UM POUCO DO MÉTODO DO "BEM MENOR"




Reverendos sacerdotes, 
nos expliquem: por que são os leigos 
que devem salvar a Igreja?


Alessandro Gnocchi
2019
Tradução de Gederson Falcometa

 

Nesse período tenho recebido várias cartas pedindo-me para estar mais presente em Riscossa Cristiana, “principalmente”, dizem alguns leitores, “com as Trinta Linhas semanais”. Não vou voltar a falar da minha vida, mas devo confessar que decidi retomar imediatamente a coluna quando Padre Maurizio D. concluiu o seu pedido afetuoso dizendo o que realmente não gostaria de ouvir de um padre. “Volte a escrever com mais frequência, caro Dr. Gnocchi, porque serão vocês leigos que salvarão a Igreja”.

Sem prejuízo do carinho e da estima de Padre Maurizio, provavelmente deslocados para comigo, a boa-fé com que durante um naufrágio alguém mesmo se agarra a uma tábua de madeira, a dor pelas condições de uma igreja cujos pastores matam as almas, o espanto diante de um "Vigário" que representa tudo menos Nosso Senhor Jesus Cristo ... salvo tudo isso e ainda mais, mas estou cansado de padres, párocos, bispos e cardeais que vêm explicar-nos sem qualquer hesitação que os leigos são as pessoas que devem salvar a igreja.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

PAOLO PASQUALUCCI: A HERMENÊUTICA DA REFORMA: DESCONTINUIDADE DO CONCÍLIO NA CONTINUIDADE?

 



 A HERMENÊUTICA DA REFORMA: 
DESCONTINUIDADE DO CONCÍLIO 
NA CONTINUIDADE?

Por gentil concessão do diretor da revista, Prof. Mons. Brunero Gherardini, publicamos em versão integral o artigo de Paolo Pasqualucci, A hermenêutica da Reforma: descontinuidade do Concílio na continuidade?, publicado na revista ‘Divinitas’, Nova Series, LIV, 2011, n.3,pgs 284-312. Tradução de Gederson Falcometa

Primeiro capítulo

Recentemente apareceu na rede a tradução itaiana de um artigo publicado em 2010 em ‘Nova et Vetera’ por Martin Rhonheimer, professor de ética e filosofia política da Università Pontificia della S. Croce, dedicado a “hermenêutica da reforma”, em si mesma e exemplificada na noção de “liberdade religiosa”. O artigo faz bem compreender que coisa entende dizer o Pontífice atualmente reinante com a expressão “hermenêutica da reforma”, como tal não imediatamente acessível [1]. No entanto, esse parece criar mais problemas do que aquilo que pretende solucionar e já gerou réplicas pertinentes. Mesmo do ponto de vista não especializado do simples crente, penso que levantar alguns interrogativos a respeito: da própria definição desta “hermenêutica”; a representação dos primeiros mártires cristãos como partidários da "liberdade religiosa" no sentido moderno; a forma como é exposta a doutrina pré-conciliar, que condenava a "liberdade religiosa" como fruto do individualismo agnóstico e incrédulo do século; a coerência da nova doutrina com a Tradição da Igreja.

1. A hermenêutica da reforma. Está incluída entre os conceitos expressos pelo Papa no famoso discurso de Natal à Cúria, de 22 de dezembro de 2005, no qual, entre outras coisas, se posicionou contra a interpretação amplamente difundida de uma Igreja "pós-conciliar" diferente da "pré-conciliar". Nesta posição, nota o autor, foi construída uma imagem imprecisa do que o Pontífice quis dizer. É verdade que afirmou o equívoco da "hermenêutica da descontinuidade e da ruptura", que vê no Concílio uma "ruptura" com a Igreja "pré-conciliar". No entanto, não é proclamando sic et simpliciter a validade de uma hermenêutica da continuidade que ele rejeita a hipótese da descontinuidade. Que se tenha limitado a isso, já pensaram vários intérpretes, como o filósofo prof. Robert Spaemann, que, para encontrar um caso semelhante de mudança que não contrariava a doutrina perene da Igreja, referiu-se ao exemplo da mudança de doutrina sobre os empréstimos com base em juros e a respectiva proibição dos mesmos [2].

Mas se trata de outra coisa. Bento XVI declarou, de fato, que “a hermenêutica da reforma se opõe à hermenêutica da descontinuidade” e não a de uma hermenêutica da continuidade tout court. “E qual é a“ natureza da verdadeira reforma ”? Consiste, explica o Papa, "neste conjunto de continuidade e descontinuidade em diferentes níveis" [3]. A continuidade do ensinamento do Vaticano II com o anterior se afirma, portanto, de maneira complexa: não é de natureza a excluir a descontinuidade, porém esta descontinuidade, por sua vez, não é tal a excluir a continuidade. Ambas operam em "níveis diferentes", que é necessário identificar e explicar. Mas porque na Igreja, com o Vaticano II, apareceu a necessidade de compreender o sentido da doutrina de uma maneira nova, como um sentido que contém uma “reforma” daquilo que foi transmitido e consolidado ao longo dos séculos?

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

D. DAVIDE PAGLIARANI: A HERMENÊUTICA DA HERMENÊUTICA - SEGUNDA PARTE: CONSEQUÊNCIAS ÚLTIMAS DA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE






Don Davide Pagliarani
Revista Tradizione Cattolica
FSSPX Itália
Março de 2010
Tradução: Gederson Falcometa

A hermenêutica da continuidade encontra a não infalibilidade do Concílio

Um texto infalível por definição não pode ser interpretado. Com efeito, se um texto infalível exige interpretação, é automaticamente o conteúdo da interpretação que se torna infalível e não mais o texto original, pois é a interpretação que exprime a formulação inequívoca e definitiva e, portanto, suscetível de ser vinculativa. De fato, uma definição diz respeito necessariamente a algo definitivo: definir o que não é definitivo significaria definir o indefinível, pretender tornar estático o fluir do devir.

Consequentemente, nenhuma autoridade pode obrigar alguém a acreditar em algo antes mesmo de saber o que é ou o que expressa (daí deriva a precisão absoluta das fórmulas dogmáticas clássicas): equivaleria a pedir a alguém que nade sem permitir que entre na piscina.

 A aplicação do princípio torna-se ainda mais estrita se a própria autoridade responsável reconhecer uma grave necessidade de interpretação.

Ora, se depois de quarenta anos os textos do Concílio precisam de uma interpretação correta, é a prova comprovada de que o Concílio não pode ser vinculativo para a consciência católica.

Por outro lado, em uma linha puramente teórica, sua interpretação correta poderia ser: sabemos, porém, que uma interpretação correta para ser autêntica (no sentido moderno do termo) deve ser continuamente reformulada para expressar algo que está sempre vivo e portanto, sempre verdadeiro. Nesse mecanismo hermenêutico não pode mais haver nada dogmaticamente vinculante porque não podem mais existir formulações dogmáticas semanticamente estáveis. Este aspecto do problema merece alguma reflexão suplementar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

D. DAVIDE PAGLIARANI: A HERMENÊUTICA DA HERMÊUTICA - REFLEXÕES SOBRE AS IMPLICAÇÕES E CONSEQUÊNCIAS ÚLTIMAS DA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE



 

Don Davide Pagliarani
Revista Tradizione Cattolica
FSSPX Itália
Março de 2010
Tradução: Gederson Falcometa

 O pontificado de Bento XVI foi marcado por alguns momentos fundamentais que provocaram reações nem sempre totalmente previsíveis e certamente não facilmente controláveis: basta pensar nas polêmicas que se seguiram ao Motu Proprio Summorum Pontificum. Este ato, a ocasião de uma reacção generalizada abertamente hostil, foi também uma oportunidade para alguns descobrirem qual é o verdadeiro patrimônio litúrgico da Igreja e, através dele, o estímulo para descobrir uma eclesiologia e uma estrutura teológica que não só é diferente mas incompatível com a forjada nestes últimos cinquenta anos e imposto prepotentemente ao "Povo de Deus".

Entre essas escolhas que caracterizam o pontificado de Bento XVI, parece-nos que podemos incluir antes de tudo o princípio da hermenêutica da continuidade (1), que encontra sua formulação programática no famoso discurso à Cúria Romana de 22 de dezembro de 2005. A tal discurso não se seguiram reações impressionantes e clamorosas como nos outros casos, mas daí nasceu um movimento de pensamento e de posições opostas, que ainda está em curso e que merece a nossa atenção.

Nas reflexões que se seguem procuraremos analisar em extrema síntese o que afirma o princípio da hermenêutica da continuidade e sobretudo procuraremos situá-lo na situação histórica que a Igreja vive para tentar compreender todas as suas implicações.

Um verdadeiro princípio ao lado de um pressuposto indemonstrado

Bento XVI, quarenta anos após o encerramento do Concílio, reconhece que situações de profundo mal-estar se seguiram a esse acontecimento histórico. Ele reconhece imediatamente esta dificuldade em um problema de recepção do Concílio, ligado por sua vez a um problema de interpretação (hermenêutica) dos próprios textos do Concílio: muitas vezes o Concílio teria sido interpretado e, portanto, aplicado em violação da Tradição constante da Igreja, contra o sentido objetivo de seus textos e contra a intenção dos próprios Padres conciliares. A hermenêutica da continuidade apresenta-se assim como o caminho a percorrer para interpretar o Concílio de forma autêntica, segundo o seu verdadeiro entendimento e sobretudo em perfeita sintonia com a Tradição.

CRISTINA SICCARDI: «A VISÃO DA IGREJA DE SANTA HILDEGARDA VON BINGEN», A MAGNÍFICA TELA DE GIOVANNI GASPARRO

  

A visão da Igreja de Santa Hildegarda Von Bingen Óleo sobre tela, 300x200cm, 2014-2018. Imagem e copyright  © Archivio dell’Arte / Luciano Pedicin
A visão da Igreja de Santa Hildegarda Von Bingen Óleo sobre tela, 300x200cm, 2014-2018. 
Imagem e copyright  © Archivio dell’Arte / Luciano Pedicin

 


 Cristina Siccardi
                             Tradução: Gederson Falcometa

 A aguardávamos com esperança, com ansiedade, com grandes expectativas e ela chegou. É a grande tela a óleo, de três metros por dois de altura, intitulada A visão da Igreja de Santa Hildegard von Bingen. O pai da obra é Giovanni Gasparro: começou a pintá-la em 2014 e hoje todos podemos admirá-la e ficar espantados com o seu significado intrínseco.

 O que é mais impressiona na Beata e Doutora da Igreja Hildegard de Bingen (1098-1179), mais do que seu imenso conhecimento, é sua ciência. Conhecimento de qualquer coisa, tanto divina quanto terrena, do tempo, do espaço, do cosmos, da história, da eternidade. Mística e beneditina do século XII, ela nos parece contemporânea por seus ensinamentos, por seus avisos, pela lucidez de sua filosofia e teologia, pelo domínio da arte musical e da perspicácia científica, todas manifestações de um gênio poliédrico que explícita em argumentos escritos, ilustrados por ela mesma, e em suas pontuações, volumes de conhecimento deixados em herança [1]. Hildegard é um antídoto emblemático para nossos tempos de envenenamento.

Em seus discursos, falava sobretudo da negligência dos clérigos e muitos deles não só prestavam atenção às suas declarações, mas aceitavam com benevolência os lembretes maternos. A sua conversa sobre a Igreja era tudo menos reconfortante: denunciava continuamente os males nela presentes e a sua palavra era estrondosa. Ele sofreu pela Igreja e ofereceu tudo à Santíssima Trindade por amor à Igreja.

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