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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

ALESSANDRO GNOCCHI: UM POUCO DO MÉTODO DO "BEM MENOR"




Reverendos sacerdotes, 
nos expliquem: por que são os leigos 
que devem salvar a Igreja?


Alessandro Gnocchi
2019
Tradução de Gederson Falcometa

 

Nesse período tenho recebido várias cartas pedindo-me para estar mais presente em Riscossa Cristiana, “principalmente”, dizem alguns leitores, “com as Trinta Linhas semanais”. Não vou voltar a falar da minha vida, mas devo confessar que decidi retomar imediatamente a coluna quando Padre Maurizio D. concluiu o seu pedido afetuoso dizendo o que realmente não gostaria de ouvir de um padre. “Volte a escrever com mais frequência, caro Dr. Gnocchi, porque serão vocês leigos que salvarão a Igreja”.

Sem prejuízo do carinho e da estima de Padre Maurizio, provavelmente deslocados para comigo, a boa-fé com que durante um naufrágio alguém mesmo se agarra a uma tábua de madeira, a dor pelas condições de uma igreja cujos pastores matam as almas, o espanto diante de um "Vigário" que representa tudo menos Nosso Senhor Jesus Cristo ... salvo tudo isso e ainda mais, mas estou cansado de padres, párocos, bispos e cardeais que vêm explicar-nos sem qualquer hesitação que os leigos são as pessoas que devem salvar a igreja.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

PAOLO PASQUALUCCI: A HERMENÊUTICA DA REFORMA: DESCONTINUIDADE DO CONCÍLIO NA CONTINUIDADE?

 



 A HERMENÊUTICA DA REFORMA: 
DESCONTINUIDADE DO CONCÍLIO 
NA CONTINUIDADE?

Por gentil concessão do diretor da revista, Prof. Mons. Brunero Gherardini, publicamos em versão integral o artigo de Paolo Pasqualucci, A hermenêutica da Reforma: descontinuidade do Concílio na continuidade?, publicado na revista ‘Divinitas’, Nova Series, LIV, 2011, n.3,pgs 284-312. Tradução de Gederson Falcometa

Primeiro capítulo

Recentemente apareceu na rede a tradução itaiana de um artigo publicado em 2010 em ‘Nova et Vetera’ por Martin Rhonheimer, professor de ética e filosofia política da Università Pontificia della S. Croce, dedicado a “hermenêutica da reforma”, em si mesma e exemplificada na noção de “liberdade religiosa”. O artigo faz bem compreender que coisa entende dizer o Pontífice atualmente reinante com a expressão “hermenêutica da reforma”, como tal não imediatamente acessível [1]. No entanto, esse parece criar mais problemas do que aquilo que pretende solucionar e já gerou réplicas pertinentes. Mesmo do ponto de vista não especializado do simples crente, penso que levantar alguns interrogativos a respeito: da própria definição desta “hermenêutica”; a representação dos primeiros mártires cristãos como partidários da "liberdade religiosa" no sentido moderno; a forma como é exposta a doutrina pré-conciliar, que condenava a "liberdade religiosa" como fruto do individualismo agnóstico e incrédulo do século; a coerência da nova doutrina com a Tradição da Igreja.

1. A hermenêutica da reforma. Está incluída entre os conceitos expressos pelo Papa no famoso discurso de Natal à Cúria, de 22 de dezembro de 2005, no qual, entre outras coisas, se posicionou contra a interpretação amplamente difundida de uma Igreja "pós-conciliar" diferente da "pré-conciliar". Nesta posição, nota o autor, foi construída uma imagem imprecisa do que o Pontífice quis dizer. É verdade que afirmou o equívoco da "hermenêutica da descontinuidade e da ruptura", que vê no Concílio uma "ruptura" com a Igreja "pré-conciliar". No entanto, não é proclamando sic et simpliciter a validade de uma hermenêutica da continuidade que ele rejeita a hipótese da descontinuidade. Que se tenha limitado a isso, já pensaram vários intérpretes, como o filósofo prof. Robert Spaemann, que, para encontrar um caso semelhante de mudança que não contrariava a doutrina perene da Igreja, referiu-se ao exemplo da mudança de doutrina sobre os empréstimos com base em juros e a respectiva proibição dos mesmos [2].

Mas se trata de outra coisa. Bento XVI declarou, de fato, que “a hermenêutica da reforma se opõe à hermenêutica da descontinuidade” e não a de uma hermenêutica da continuidade tout court. “E qual é a“ natureza da verdadeira reforma ”? Consiste, explica o Papa, "neste conjunto de continuidade e descontinuidade em diferentes níveis" [3]. A continuidade do ensinamento do Vaticano II com o anterior se afirma, portanto, de maneira complexa: não é de natureza a excluir a descontinuidade, porém esta descontinuidade, por sua vez, não é tal a excluir a continuidade. Ambas operam em "níveis diferentes", que é necessário identificar e explicar. Mas porque na Igreja, com o Vaticano II, apareceu a necessidade de compreender o sentido da doutrina de uma maneira nova, como um sentido que contém uma “reforma” daquilo que foi transmitido e consolidado ao longo dos séculos?

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

D. DAVIDE PAGLIARANI: A HERMENÊUTICA DA HERMENÊUTICA - SEGUNDA PARTE: CONSEQUÊNCIAS ÚLTIMAS DA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE






Don Davide Pagliarani
Revista Tradizione Cattolica
FSSPX Itália
Março de 2010
Tradução: Gederson Falcometa

A hermenêutica da continuidade encontra a não infalibilidade do Concílio

Um texto infalível por definição não pode ser interpretado. Com efeito, se um texto infalível exige interpretação, é automaticamente o conteúdo da interpretação que se torna infalível e não mais o texto original, pois é a interpretação que exprime a formulação inequívoca e definitiva e, portanto, suscetível de ser vinculativa. De fato, uma definição diz respeito necessariamente a algo definitivo: definir o que não é definitivo significaria definir o indefinível, pretender tornar estático o fluir do devir.

Consequentemente, nenhuma autoridade pode obrigar alguém a acreditar em algo antes mesmo de saber o que é ou o que expressa (daí deriva a precisão absoluta das fórmulas dogmáticas clássicas): equivaleria a pedir a alguém que nade sem permitir que entre na piscina.

 A aplicação do princípio torna-se ainda mais estrita se a própria autoridade responsável reconhecer uma grave necessidade de interpretação.

Ora, se depois de quarenta anos os textos do Concílio precisam de uma interpretação correta, é a prova comprovada de que o Concílio não pode ser vinculativo para a consciência católica.

Por outro lado, em uma linha puramente teórica, sua interpretação correta poderia ser: sabemos, porém, que uma interpretação correta para ser autêntica (no sentido moderno do termo) deve ser continuamente reformulada para expressar algo que está sempre vivo e portanto, sempre verdadeiro. Nesse mecanismo hermenêutico não pode mais haver nada dogmaticamente vinculante porque não podem mais existir formulações dogmáticas semanticamente estáveis. Este aspecto do problema merece alguma reflexão suplementar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

D. DAVIDE PAGLIARANI: A HERMENÊUTICA DA HERMÊUTICA - REFLEXÕES SOBRE AS IMPLICAÇÕES E CONSEQUÊNCIAS ÚLTIMAS DA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE



 

Don Davide Pagliarani
Revista Tradizione Cattolica
FSSPX Itália
Março de 2010
Tradução: Gederson Falcometa

 O pontificado de Bento XVI foi marcado por alguns momentos fundamentais que provocaram reações nem sempre totalmente previsíveis e certamente não facilmente controláveis: basta pensar nas polêmicas que se seguiram ao Motu Proprio Summorum Pontificum. Este ato, a ocasião de uma reacção generalizada abertamente hostil, foi também uma oportunidade para alguns descobrirem qual é o verdadeiro patrimônio litúrgico da Igreja e, através dele, o estímulo para descobrir uma eclesiologia e uma estrutura teológica que não só é diferente mas incompatível com a forjada nestes últimos cinquenta anos e imposto prepotentemente ao "Povo de Deus".

Entre essas escolhas que caracterizam o pontificado de Bento XVI, parece-nos que podemos incluir antes de tudo o princípio da hermenêutica da continuidade (1), que encontra sua formulação programática no famoso discurso à Cúria Romana de 22 de dezembro de 2005. A tal discurso não se seguiram reações impressionantes e clamorosas como nos outros casos, mas daí nasceu um movimento de pensamento e de posições opostas, que ainda está em curso e que merece a nossa atenção.

Nas reflexões que se seguem procuraremos analisar em extrema síntese o que afirma o princípio da hermenêutica da continuidade e sobretudo procuraremos situá-lo na situação histórica que a Igreja vive para tentar compreender todas as suas implicações.

Um verdadeiro princípio ao lado de um pressuposto indemonstrado

Bento XVI, quarenta anos após o encerramento do Concílio, reconhece que situações de profundo mal-estar se seguiram a esse acontecimento histórico. Ele reconhece imediatamente esta dificuldade em um problema de recepção do Concílio, ligado por sua vez a um problema de interpretação (hermenêutica) dos próprios textos do Concílio: muitas vezes o Concílio teria sido interpretado e, portanto, aplicado em violação da Tradição constante da Igreja, contra o sentido objetivo de seus textos e contra a intenção dos próprios Padres conciliares. A hermenêutica da continuidade apresenta-se assim como o caminho a percorrer para interpretar o Concílio de forma autêntica, segundo o seu verdadeiro entendimento e sobretudo em perfeita sintonia com a Tradição.

CRISTINA SICCARDI: «A VISÃO DA IGREJA DE SANTA HILDEGARDA VON BINGEN», A MAGNÍFICA TELA DE GIOVANNI GASPARRO

  

A visão da Igreja de Santa Hildegarda Von Bingen Óleo sobre tela, 300x200cm, 2014-2018. Imagem e copyright  © Archivio dell’Arte / Luciano Pedicin
A visão da Igreja de Santa Hildegarda Von Bingen Óleo sobre tela, 300x200cm, 2014-2018. 
Imagem e copyright  © Archivio dell’Arte / Luciano Pedicin

 


 Cristina Siccardi
                             Tradução: Gederson Falcometa

 A aguardávamos com esperança, com ansiedade, com grandes expectativas e ela chegou. É a grande tela a óleo, de três metros por dois de altura, intitulada A visão da Igreja de Santa Hildegard von Bingen. O pai da obra é Giovanni Gasparro: começou a pintá-la em 2014 e hoje todos podemos admirá-la e ficar espantados com o seu significado intrínseco.

 O que é mais impressiona na Beata e Doutora da Igreja Hildegard de Bingen (1098-1179), mais do que seu imenso conhecimento, é sua ciência. Conhecimento de qualquer coisa, tanto divina quanto terrena, do tempo, do espaço, do cosmos, da história, da eternidade. Mística e beneditina do século XII, ela nos parece contemporânea por seus ensinamentos, por seus avisos, pela lucidez de sua filosofia e teologia, pelo domínio da arte musical e da perspicácia científica, todas manifestações de um gênio poliédrico que explícita em argumentos escritos, ilustrados por ela mesma, e em suas pontuações, volumes de conhecimento deixados em herança [1]. Hildegard é um antídoto emblemático para nossos tempos de envenenamento.

Em seus discursos, falava sobretudo da negligência dos clérigos e muitos deles não só prestavam atenção às suas declarações, mas aceitavam com benevolência os lembretes maternos. A sua conversa sobre a Igreja era tudo menos reconfortante: denunciava continuamente os males nela presentes e a sua palavra era estrondosa. Ele sofreu pela Igreja e ofereceu tudo à Santíssima Trindade por amor à Igreja.

D. CURZIO NITOGLIA: “SALVI TUTTI” A ESTRANHA TEOLOGIA DA IRMÃ FAUSTINA KOWALSKA


   



 “SALVI TUTTI” 
A ESTRANHA TEOLOGIA 
DA IRMÃ FAUSTINA KOWALSKA

 

Don Curzio Nitoglia
Setembro de 2021
Tradução: Gederson Falcometa

 

Prólogo

Monsenhor Patrick Perez (1), em 16 de setembro de 2021, postou um interessante artigo em inglês - sobre a doutrina subjacente à devoção da Irmã Faustina Kowalska à "Divina Misericórdia" - intitulado Church Reasons to Condemn the Divine Mercy Devotion [2] que foi traduzido, em 20 de setembro, para o italiano pelo Centro San Giorgio.

Neste artigo, baseio-me essencialmente neste estudo de Monsenhor Perez.

Como fonte de referência, Dom Perez usou principalmente um artigo escrito pelo Pe. Peter Scott na revista The Angelus (junho de 2010).

Monsenhor Perez analisou as orações de devoção à "Divina Misericórdia" (por exemplo, o "terço") e afirma que nada encontrou nelas contrário à fé e à moral. Em vez disso, ele viu alguns erros na doutrina subjacente a esta nova devoção e no conteúdo das revelações que a Irmã Faustina iria receber.

Além disso, no que diz respeito aos fiéis, acredita que pode haver pessoas que receberam algumas graças praticando a devoção à "Divina Misericórdia". No entanto, isso não significa que a devoção em si venha necessariamente do céu. Na verdade, Deus sempre responde nossas orações e sempre receberemos alguma graça se orarmos. Portanto, se alguém recebeu uma graça praticando esta devoção particular da Irmã Faustina, isso não significa por si só que esta devoção vem do céu. Certamente as graças sempre vêm do céu. Mas a devoção que praticamos pode não ser de origem celestial.

sábado, 18 de setembro de 2021

D. ANDEREGGEN: UM POUCO DA AMIZADE ENTRE HANS URS VON BALTHASAR E ADRIENNE VON SPEYR

 

Hans Urs von Balthasar e Adrienne von Speyr em Cassina d’Agno
Hans Urs von Balthasar e Adrienne von Speyr em Cassina d’Agno 

Trechos do livro “Hans Urs Von Balthasar figura e opera” de Karl Lehman e Walter Kasper, citado no artigo a “L’infernologia de Hans Urs Von Balthasar”* de Rev. Prof. Don Ignacio Andereggen, tradução de Gederson Falcometa

 

"Um dos episódios mais comoventes dessa amizade remonta à Quaresma de 1944, ela é recordada por Hans Urs von Balthasar nestes termos:" Ela (Adrienne von Speyr) ficou em silêncio e assim permaneceu por um longo tempo, então de repente ela segurou minha mão colocando-o em uma mão invisível. Ela fez isso por duas vezes. Em ambos os casos, ela afirmou ser a mão do Senhor. Logo que ele se recuperou um pouco, ela acrescentou: “Você não pode imaginar como é bonito colocar a mão de alguém na do Senhor. Eu não gostaria de fazer mais nada para a eternidade " [1]. Em seguida, ela transmitiu as mensagens de Santo Inácio de Loyola. Lembramos que Balthasar era jesuíta, portanto discípulo de Santo Inácio de Loyola. Segundo a visão de Adrienne von Speyr, ele deveria deixar a Companhia de Jesus e obedecer a Santo Inácio diretamente por meio de suas "revelações", sem antes obedecer a Santo Inácio por meio dos superiores da Companhia de Jesus [2].

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

DON CURZIO NITOGLIA: O LIBERALISMO SOCIAL DE CHARLES MAURRAS


A prudência em relação ao bem comum se chama política”.   
Santo Tomás de Aquino


Don Curzio Nitoglia
Tradução: Gederson Falcometa
27 de dezembro de 2009


Charles Maurras
Charles Maurras

Introdução

Saiu no mês de abril um interessante livro de di Yves Chiron Èmile Poulat, Pourquoi Pie XI a-t-il condamné l’Action Française? (Niherne, Èditions BCM, 2009), em que os autores demonstram que a condenação foi essencialmente religiosa e não diplomática, enquanto Pio XI não podia tolerar a secularização da política que a moral social é objeto da doutrina católica. De fato, muitos autores, e especialmente os maurrassianos, sustentaram que Pio XI por diplomacia internacional filo-germânica quis enfraquecer a França de Aristide Brian e a sua política, condenando um forte movimento de resgate nacional anti-alemão como a Action Française.

.Yves Chiron cita na página 8 de seu livro o abbé V.A. Berto (Une opinion sur l’Action Française, in “Itineraires”, abril, 1986, p. 77-92; rist. Niherne, Edizioni BCM, 2009), que tinha sustentado que a condenação foi aportada “por motivos diretamente e especificamente religiosos” e sempre o abbé Berto comentava que “Pio XI julgava inaceitável uma redução da filosofia política a mera empiriologia com relações apenas extrínsecos com a fé, a teologia, a moral católica e em plena autônomia extrínseca” (pg. 8 e 9). Chiron nota que a religião e a política (não partidária ou ação diplomática nacional/internacional) não são separáveis segundo a doutrina católica, a qual nisto se distingue claramente do liberalismo, que propugna a plena separação entre Igreja e Estado (“libera Chiesa in libero Stato” – Igreja livre no Estado livre), religião e política. Onde a doutrina maurrassiana, paradoxalmente, peca de um certo naturalismo ou liberalismo social e político, embora sendo monárquica, antidemocrática e autoritária. Diante desta tendência sobretudo de Maurras, porque a élite católica da Action Française, nascida em torno a 1890, foi abatida pela primeira grande guerra de 15-18, o Papa em 1926 quer “unificar a ação social dos leigos católicos franceses, sob a direção doutrinal do episcopado” (pg 13), para evitar uma deriva naturalista e liberal, ou seja, de separação entre temporal e espiritual da moral social.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

DON CURZIO NITOGLIA: A DOUTRINA SOCIAL DE PIO XII

 



P. Curzio Nitoglia
Tradução: Gederson Falcometa

“Em todas as partes hoje a vida das Nações foi desintegrada pelo culto cego
do valor numérico” (Pio XII, Radiomensagem 24.12.1944)

 

Proêmio

 

Já vimos qual é a concepção política clássica e escolástica. Agora devemos ver como no fim da II Guerra Mundial Pio XII compreendeu que estava tendo fim a modernidade e que a humanidade estava para desembocar na via da pós-modernidade niilista. Ele procurou fazer compreender que a única via percorrível para evitar um esfacelamento pior que o do segundo conflito mundial era o retorno à sã filosofia clássica e escolástica, à verdadeira teologia tomista e às diretivas do Magistério eclesiástico. Vejamos juntos o ensinamento social e político de Pio XII.

domingo, 11 de julho de 2021

DON CURZIO NITOGLIA: A CIÊNCIA POLÍTICA TOMISTA




A prudência em relação ao bem comum 
se chama política
(S. Th., II-II, q. 47, a. 10, in corpore)


Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]
 
Política como “prudência social”
A política ou moral social é a ciência daquilo que o homem, como animal social, deve ser e fazer (“agere sequitur esse”), orientando-se a determinado fim (“omne agens agit propter finem”). Santo Tomás a define assim: “o sujeito na filosofia moral é a operação humana ordenada a um fim, ou o homem enquanto age voluntariamente por um fim”. [1] Para o Aquinate a filosofia política é uma ciência prática, que dá os princípios (“scire per causas”) para agir, não ao indivíduo sozinho, como a ética geral, mas ao cidadão que vive em uma sociedade e que deve funcionar como homem social e não como indivíduo privado, como seria ao contrário para a escola liberal e libertista.
 

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