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quarta-feira, 27 de julho de 2022

P. ROGER CALMEL, O.P.: A LINGUAGEM DA TRADIÇÃO E A DO CONCÍLIO VATICANO II



Trecho do livro
Breve Apologia da Igreja de Sempre
Padre Roger Calmel, O.P
Gederson Falcometa


Os primeiros vinte concílios com suas definições, protegidas pelos relativos anátemas, explicitaram, sem modificar, os dados da Revelação. Estas explicitações sobre o mistério do único Deus em três Pessoas, a Encarnação, a Virgem Maria, o pecado original, enfim, estes desenvolvimentos da nossa Fé são rigorosamente homogêneos com a Palavra de Deus: Nicéia ou Éfeso, Calcedônia ou Orange (sínodo provincial realizada em 529 cujas decisões foram retomadas pelo Concílio de Trento) dizem a mesma coisa que os quatro Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse dizem.

Esses Concílios enunciam diante de novos erros, servindo-se de novos termos, que, sem prejudicar a linguagem das Sagradas Escrituras, têm a o privilégio de circunscrever seu conteúdo com a máxima precisão e honestidade. Os primeiros vinte Concílios não correm o risco de enganar, porque usam os meios para não enganar, que é definir a verdade. Além disso, esses concílios, não se contentando em definir, movidos como que por um excesso de franqueza, ao formular a proposição da Fé, se dão ao trabalho de expressar justamente a proposição oposta, para poder condená-la melhor com um solene anátema. [...]

Depois disso, basta abrir o Vaticano II para ver que os Padres romperam definitivamente com esta Tradição com linguagem clara e inequívoca. [...] Afinal, por que se surpreender? Há muito que se sabe que são textos de compromisso. Sabe-se também que uma facção modernista gostaria de impor uma doutrina herética. Impedida de atingir esse objetivo, conseguiu, no entanto, aprovar alguns textos informais. Esses textos têm para o modernismo a dupla vantagem de não poderem ser acusados de declarações abertamente heréticas e, no entanto, podem ser interpretados em um sentido oposto à Fé.

Vamos demorar para lutar contra esses textos diretamente? Temos pensado. Mas a dificuldade é que esses textos não nos oferecem suporte para a argumentação: são muito vagos. Enquanto nos esforçamos para colocar as estreitas uma fórmula que nos parece perturbadora, na mesma página encontraremos outra completamente irrepreensível. À medida que tentamos sustentar nossa pregação ou nosso ensinamento com um texto conciliar sólido, impossível de distorcer, adequado para transmitir o conteúdo tradicional da fé e da moral ao seu público, logo percebe-se que o texto escolhido, por exemplo, sobre a liturgia ou sobre o dever das sociedades para com a verdadeira religião é insidiosamente enfraquecido por um segundo texto, que, na realidade, enfraquece o primeiro enquanto parecia completá-lo. Os decretos sucedem-se às constituições sem oferecer à mente, com raríssimas exceções, uma apreensão suficiente.

Objeta-se que o método de definições e condenações não é bom para a pastoral e para reconduzir ao redil os desviados. Muito bem. Mas existe algum outro que seja assim? Sem definições, os errantes serão levados apenas ao vago e ao mais ou menos. E não vejo como pode-se esperar fazer pastoral dessa maneira, buscar o bem das almas, a verdade para a mente, a conversão para o coração.

Claro, sempre que tiver que lidar com um "irmão separado", explicarei o conteúdo da Fé da melhor maneira possível; Vou tentar descobrir a melhor maneira de abordá-lo para encontrá-lo exatamente onde suas dificuldades surgem. A explicação, no entanto, será guiada e contida pela definição. Para explicar o fato revelado não usarei necessariamente o estilo impessoal e abstrato, próprio das definições; Tentarei me adaptar ao meu interlocutor, mas também terei cuidado para que a adaptação não afete a definição, a fim de remover o mínimo de sua incisão. Dobrar, sob o pretexto da adaptação pastoral, a fórmula dogmática que se tenta explicar, por menor que seja, significa afastar-se daquilo que se quer conduzir.

(Brano tratto da Breve apologia della Chiesa di sempre

 

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