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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

P. CORNÉLIO FABRO: DECADÊNCIA E CRISE DO SACERDÓCIO NA ATUAL CRISE DA IGREJA




CAPÍTULO
DO
LIVRO
L’AVVENTURA 
DELLA TEOLOGIA
 PROGRESSISTA

Padre Cornélio Fabro
Milão, 1974
Tradução: Gederson Falcometa

Aquilo que na presente situação, segundo May, sobretudo é deprimente, são os erros de professores, não tanto a fraqueza e a vileza dos Bispos: aquilo que é mais deprimente no cuidado das almas é a fraude e a pena que foi dada ao bravo povo alemão. A nenhum observador diligente da Igreja Católica escapou nos últimos anos que a Igreja na Alemanha percorre um caminho suicida no que diz respeito ao cuidado das almas. Basta dar uma olhada na situação.

MARCELLO VENEZIANI: CURSO INTENSIVO SOBRE O POLITICAMENTE CORRETO



Tradução: Gederson Falcometa


Mas que coisa é exatamente o politically correct? O citamos todos os dias sem talvez entender todo o seu significado. Ofereço um breve guia, um resumo crítico e suco concentrado.

Para começar, o politicamente correto é um cânon ideológico e um código ético que monopoliza a memória histórica, o conto global do presente e prescreve como se comportar. Nasce das cinzas do 68, cresce nos EUA e no norte da Europa, se desenvolve substituindo o comunismo com o espírito radical (ou radical chic segundo Tom Wolfe) e substituindo a hegemonia marxista e gramsciana com o “carolismo progressista” (como o define Robert Hughes). Rompe as pontes com o sentir popular, não representa mais o proletariado, ao menos aquele das nossas sociedades; separa os direitos dos deveres e lhes liga aos desejos, rejeita os limites e os confins pessoais, sociais, sexuais e territoriais, em nome de uma liberdade sem limites, substitui a natureza com o querer dos sujeitos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

ROBERTO PECCHIOLI: O MUNDO LÍQUIDO DE BAUMAN


 Mundo líquido: o homem em uma garrafa





 "Mundo líquido de Bauman: o homem na garrafa. É preciso sair da garrafa e da poça acabar com a condição líquida, Devemos voltar a ser estáveis e sólidos, criar comunidades : pertencer e possuir uma identidade".

Roberto Pecchioli
Accademia Nuova Italia
Tradução: Gederson Falcometa

Poucos adjetivos obtiveram o sucesso de “líquido”, o atributo do mundo contemporâneo inventado por Zygmunt Bauman. Modernidade líquida, família líquida, mundo líquido. O sociólogo judeu polaco emigrado nos EUA deu a definição mais sintética, fulminante e precisa do nosso tempo. Líquido no sentido de não sólido, privado de um centro e de uma forma. Os líquidos são informes, assumem aquela dos recipientes que lhes contém e, na sua ausência, tendem a se perder, evaporar e se anular. A intuição de Bauman é extraordinária, mas revela que o homem líquido, produto de uma sociedade também líquida, é um homem encerrado em uma garrafa.

DON CURZIO NITOGLIA: TRANI, ANO MIL: O MILAGRE DA HÓSTIA FRITA




 Don Curzio Nitoglia
Tradução: Gederson Falcometa

Em Trani na Puglia, perto de Barleta, ainda se pode visitar o lugar onde ocorreu um retumbante milagre eucarístico por volta do ano mil (século XI), sob o pontificado do Papa Gregório V. Dois eminentes pesquisadores (Spacucci e Curci) dedicaram três décadas de sua vida a estudar a questão reconstruindo a história do milagre, a partir de documentos ainda inéditos, mas consultáveis nos arquivos estatais[1]. Sempre em Trani, em 1480 um dos soldados muçulmanos que haviam massacrado em Otranto a 800 cristãos, passando pela cidadezinha, golpeia com a cimitarra um crucifixo de madeira, do qual jorrou sangue, que se conserva na Igreja do SS. Crucifixo vizinha à porta de Trani. O Padre Pio costumava dizer “Benedico la città di Trani la cui terra è stata bagnata due volte dal Sangue di Gesù” (“Bendigo a cidade de Trani, que teve sua terra banhada duas vezes pelo sangue de Jesus”). 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

DON ELIA: A SORTE DA ÁRVORE QUE NÃO PRODUZ BOM FRUTO


D. Elia
Tradução: Gederson Falcometa

"O machado já está posto à raiz das árvores: toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo." A profecia de São João Batista, no texto grego, indica, por meio de vozes do presente com significado de futuro próximo, uma ação iminente. Os exegetas modernos sustentam de costume que a visão messiânica do Precursor, que anunciava um juízo imediato, teria sido desmentida pelo aparecimento de um Messias todo misericórdia e perdão. Eles explicam em tal sentido a embaixada dos díscipulos, que vão da parte do profeta já encarcerado, colocar para Jesus a fatídica pergunta: «Sois vós aquele que deve vir, ou devemos esperar por outro?» (Mt 11, 3). O maior entre os nascidos de mulher, como o Senhor mesmo o qualifica ao identificá-lo como o mensageiro que Lhe preparou o caminho, a saber como aquele Elias que deveria vir (cf. Mt 11, 10-11.14), teria talvez sido corroído por uma dúvida radical que poderia danificar toda a sua missão e o próprio sacrifício da sua vida, que se consumaria dali a pouco? Mas como poderia ter podido errar, a este propósito, o amigo do Esposo que se alegra imensamente ao ouvir a Sua voz, ao ponto de declarar plena a medida de sua própria alegria (cf. Jo 3, 29)?

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

DON CURZIO NITOGLIA: O BEM DO TODO É MAIOR QUE O BEM DA PARTE



Don Curzio Nitoglia 
Tradução: Gederson Falcometa
8 de agosto de 2011

“Civitas propter cives, non cives propter civitatem”
·        Contra o comunitarismo (“o bem de todos”) a sã filosofia ensina que a Sociedade não é o Fim absoluto, o bem ao qual os cidadãos são ordenados, mas a Sociedade é ordenada ao bem comum dos cidadãos (“civitas propter cives, et non cives propter civitatem”). Por isso é preciso entender bem o significado do axioma “o bem do todo é superior ao bem da parte”, para não cair no absolutismo comunitarista, ou seja, no “culto da Comunidade” ou do seu “Chefe absoluto”, que destrói os indivíduos.

·        A comunidade (ou o “bem do todo”) não deve absorver, mas deve proteger os direitos do indivíduo e da família (“o bem da parte”). Essa intervém apenas onde a família e o setor privado não conseguem sozinhos (v. o princípio de subsidiariedade) [1].

·        O Cardeal Alfredo Ottaviani ensina: “individuus non est pro Statu, sed Status pro individuo”, o Estado (ou “bem do todo”) é para os cidadãos, não vice-versa, ou seja, a pessoa não é uma engrenagem da Sociedade como uma engrenagem de relógio. É preciso que o Estado (“o todo”) respeite a pessoa (“a parte”) provida de uma natureza racional, criada a imagem e semelhança de Deus, dotada de uma alma espiritual e de intelecto e vontade, e então, livre para fazer o bem e aberta para conhecer o verdadeiro que a conduzirá a vida sobrenatural. O Estado (ou “o bem do todo”), portanto, não deve jamais obstaculizar ou inculcar o conhecimento da verdade e a prática do bem da pessoa (“o bem da parte”), antes a deve favorecer. Quando se iniciaram as escavações sob o altar da Basílica de São Pedro, para ver se realmente ali estava o corpo do Apóstolo, a quem faziam notar a Pio XII o risco daquela operação, o Papa respondia: “A Igreja não deve ter medo da verdade!”.

·        Além disso, a Comunidade ou Sociedade deve procurar também e secundariamente o bem estar comum temporal do homem, defendendo os seus direitos e a sua dignidade: a vida, a integridade física, as comodidades temporais, a educação intelectual, moral e espiritual [2].

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

DON CURZIO NITOGLIA: FALSO MISTICISMO E VERDADEIRA MÍSTICA.


 

DON CURZIO NITOGLIA
[Tradução: Gederson Falcometa]


ESPIRITUALIDADE CATÓLICA E RELIGIOSIDADE ORIENTALIZANTE

O falso misticismo
  • Já falamos da verdadeira mística[1] neste site (v.***). No presente artigo resta ver qual é a sua falsificação, que é o falso misticismo. Este perverte sobretudo a verdadeira noção do estado passivo da mística. Tal estado consiste na passividade relativa do homem apenas diante da Graça atual e especial do Espírito Santo (não impedi lo), mas não na passividade absoluta do homem quanto ao agir espiritualmente  impulsionado pelo Paráclito, vivendo ao máximo, sobrenaturalmente ou heroicamente, as Virtudes infusas e especialmente as teologais.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

DON ELIA: A BESTA DE SETE CABEÇAS

Combate contra a besta de sete cabeças, biblioteca de Toulose, 1220-70



D. Elia
Tradução Gederson Falcometa

 A aplicação do Apocalipse a compreensão da atualidade sempre suscitou vivo interesse, mesmo se comporta riscos não desprezíveis. Uma observação se impõe: a realização das suas profecias já foi observada mais vezes em eventos do passado aos quais, todavia, não se seguiu a instauração do Reino de Deus. Até que ponto é legítimo, além disso, pretender de colher em fatos contingentes o cumprimento da Palavra divina, que tem alcance  meta-histórico? Não obstante, um uso cauteloso e não excessivamente unívoco do último livro da Bíblia, como chave de leitura dos acontecimentos contemporâneos, parece admissível, se um Doutor da Igreja da espessura mística e especulativa de São Boaventura de Bagnorégio (1221-1274), no prólogo da sua Legenda Maior, interpreta a figura de São Francisco de Assis como o Anjo do sexto selo (cf. Ap 7,2), encarregado de imprimir sobre a fronte dos servos de Deus, a marca da salvação antes da execução do castigo anunciado para a humanidade pecadora.
 

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