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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Dúvida e certeza - Cardeal John Henry Newmann

Gramática do assentimento
Jonh Henry Newmann
[Tradução: Gederson Falcometa]

Quem a busca ainda não a encontrou: ainda está preso a dúvida, deseja encontrar, confirmar ou desmentir a sua profissão atual. Seria absurdo que um de nós se definisse ao mesmo tempo crente e buscador. Daqui deriva o falar de alguns de uma dura situação em que se encontra o católico, ao qual não é lícito buscar a verdade do seu credo. Certo não o pode, ou não é mais um crente. Não pode estar ao mesmo tempo dentro e fora do corpo da Igreja. Avisar que se está buscando é sinal que não encontrou, é falar no plano do mais básico senso comum. Posto que buscar quer dizer duvidar e duvidar não se concilia com o crer, o católico que se prepara para uma busca sobre a sua fé declara implicitamente de não lhe possuir. Já lhe perdeu. Aqui, de fato reside a sua mais clara justificação: ele não é mais católico, mas aspira a torna-lo. Quem lhe quisesse vetar a busca lhe fecharia a porta do estábulo depois que os bois fugiram. Se ele está em dúvida, que coisa pode fazer melhor do que buscar? De qual outro modo pode se tornar novamente católico? No seu caso, a renúncia a investigação seria sinal que ele se contenta com a sua incredulidade. Mas assim falando eu trato o argumento em abstrato, sem ter em conta as contradições a qual são sujeitos os homens. Os homens muitas vezes se esforçam em ter unidos em si elementos incompatíveis. Não duvidam, mas se comportam propriamente como se duvidassem. Creem, mas a sua fé é fraca, e prestando ouvido sem necessidade a outras objeções se expõem a perde-la. E há espíritos para os quais racionar sobre uma verdade é inseparável de contestá-la; indagar quer dizer pôr sob processo. De outra parte existem crenças assim preciosas que, se a metáfora me é lícita, não podem ser lavadas sem restringirem-se e sem que percam cor. De tudo isto tenho em conta; mas aqui estou raciocinando sobre princípios gerais e não sobre casos individuais. Os princípios são estes: a busca implica a dúvida enquanto a indagação não a implica; quem assente a uma doutrina ou a um fato lhe pode indagar a credibilidade sem contradizer-se, mas a rigor não pode colocar em dúvida a verdade (Grammatica dell’Assenso, 116).

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O “Neo-Donatismo” um perigo sempre atual

Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]

 

O Donatismo clássico

O “DONATISMO CLÁSSICO” [1] é uma Heresia (seguida de um Cisma) nascida de DONATO O GRANDE (cerca de +330) do qual infelizmente perderam-se os escritos, mas dos quais nos falam S. JERÔNIMO (De viribus illustris, 93) e SANTO AGOSTINHO (De haer, 69; Epist.,185De corrept. Donatist., I, 1). Segundo os dois Doutores da Igreja, Donato teria escrito um livro arianizante intitulado “De Spiritu Sancto”, em que sustentava que o Espírito Santo é inferior ao Filho e Este ao Pai.

Ausculta filii praecepta magistri

 

Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]

São Bento de Núrsia (480-597) refugiando-se na gruta de Subiaco, depois de ter fugido do ambiente universitário de Roma em 497 corrupto intelectualmente e moralmente, escreve uma Regra que terminou em Cassino (529) depois de ter passado trinta anos em Subiaco, dos quais três na gruta ou sacro espelho. A Regra deveria resultar útil a todos os cristãos para a educação ao espírito de Cristo e necessária aos futuros monges Beneditinos.

P. CURZIO NITOGLIA: CASTIGAT RIDENDO MORES

PÉROLAS AGOSTINIANAS

PADRE CURZIO NITOGLIATradução de Gederson Falcometa

Castigat ridendo mores

Santo Agostinho no seu Comentário a primeira Epístola de São João (mesmo enquanto pregava aos seus fiéis de Hipona na semana Santa de 413), com o seu espírito firmemente irônico (“castigat ridendo mores”/brincando e rindo diz a verdade), faz algumas comparações que não podem nos deixar indiferentes por que:

  • 1º) se de uma parte somos brincalhões, divertidos e agradáveis,
  • 2º) da outra somos também sérios, profundos e severos.

De fato, a justiça e a misericórdia, a alegria e a severidade não se excluem, mas se completam e se harmonizam como diz a S. Escritura: “Justitia et Pax osculatae sunt”.

Sim Sim Não Não - Edição On-line n.º2

Textos da segunda edição:

 

O verdadeiro fundamento

São Francisco de Sales

A posição suprema que teve São Pedro na Igreja militante, em razão da qual é chamado fundamento da Igreja, como chefe e governador, não vai além da autoridade do seu Mestre, antes, lhe é apenas uma participação; de modo que São Pedro não é fundamento da hierarquia fora de Nosso Senhor, mas em Nosso Senhor, tanto que nós o chamamos Santo Padre em Nosso Senhor, fora do qual não seria nada.

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A estranha teologia de Ratzinger

SIM SIM NÃO NÃO

A especulação teológica de Ratzinger (como doutor privado) é muito ampla e multiforme. Vai desde o primado da consciência a Patrística, especialmente Agostinho-Boaventura, em função anti-escolástica, a colegialidade em função antimonárquica no governo da Igreja ao conceito kantiano de liberdade entendida; do diálogo inter-religioso a escatologia. Mas os dois pilares em que se fundam parecem ser a consideração da relação judaico-cristã e da teologia da história em São Boaventura, lida com forte ênfase Joaquimita (De Joaquim de Fiore).

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A teologia da “morte de Satanás”. 

SIM SIM NÃO NÃO

O satanismo em sentido genérico e especifico

O “mundo”[1] inteiro, não enquanto criatura física de Deus, mas no sentido moral e pejorativo daqueles que vivem segundo o espírito mundano ou carnal oposto ao angélico e divino, é submetido ao diabo pelo dilema “ou Deus ou Eu”, “ou a verdade ou a mentira”. O demônio é por isso chamado também de “o príncipe deste mundo” (Jo XII, 31; XIV, 30), “o deus deste mundo” (2 Cor., IV, 4).

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O Cardeal Billot sobre o liberalismo

    Padre Henri Le Floch

Resumo da doutrina do cardeal Billot sobre o erro do liberalismo e as suas diversas formas, segundo a exposição do tratado sobre a Igreja.

O liberalismo em matéria de fé e de religião é uma doutrina que pretende emancipar o homem, mais ou menos, de Deus, da sua lei, e da sua revelação, e de emancipar também a sociedade civil de qualquer dependência religiosa, da Igreja, tutora, intérprete e mestra da lei revelada por Deus.

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quinta-feira, 18 de junho de 2015

P. CURZIO NITOGLIA: A TESE DE CASSICIACUM: O PAPADO MATERIAL PARA UM DEBATE SERENO

 

 

A tese de Cassiciacum 

O Papado material

Para um debate sereno

 

 Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]

 

«Nesta passagem do Evangelho de Marcos (VI, 47-56) está escrito justamente que a Nave (ou seja, a Igreja) se encontrava no meio do mar, enquanto Jesus estava sozinho em terra firme: porque a Igreja não é apenas atormentada e oprimida por tantas perseguições por parte do mundo, mas algumas vezes também é suja e contaminada de forma que, se fosse possível, o seu Redentor nestas circunstâncias, pareceria tê-la abandonado completamente». São Beda (In Marcum, cap. VI, lib. II, cap. XXVIII, tomo 4).

Introdução

 

Um eminente teólogo dominicano, Padre Michel Louis Guérard des Lauriers, diante da tragédia do Concílio Vaticano II e do Novus Ordo Missae, elaborou uma “Tese” dita de “Cassiciacum”, segundo a qual ao menos a partir da promulgação da Dignitatis Humanae (7 de dezembro de 1965) a Sé de Pedro esta formalmente vacante. Que Paulo VI era Papa apenas materialmente ou em potência, mas não formalmente ou em ato.

A distinção entre matéria/forma, potência/ato não é uma invenção sua (como quiseram fazer crer muitos dos seus detratores); essa foi elaborada por Aristóteles, aperfeiçoada por Santo Tomás de Aquino com o ser qual ato último de toda forma ou essência canonizada pelo Magistério desde o século XIII e especialmente pelo Concílio de Trento a respeito dos sacramentos (matéria, forma e ministro) [1].

Todavia, se vem aplicada ao Papado, essa pode funcionar até a morte do Papa material, mas não além. Neste artigo, busco explicar o porque a leitores, que estão cada vez mais desorientados pela doutrina do Concílio Vaticano II e do pós-Concílio e pelas incertezas da resistência “tradicionalista” as novidades modernistas e se vão para a Tese do Papado material, que aparece como logicamente fundada, para resolver o problema da Autoridade na Igreja. Assim fazendo, porém, começam por defendê-la, mas terminam por aniquila-la.

domingo, 14 de junho de 2015

Conclusão: O “sedevacantismo mitigado” acessível a todos

 

PADRE CURZIO NITOGLIA
[Tradução: Gederson Falcometa]
26 febbraio 2009
http://www.doncurzionitoglia.com/SedevacantismoMitigato.htm

1) Sedevacantismo mitigado

1º) Segundo P. Guérard des Lauriers,  uma vez que o novo rito da consagração episcopal é duvidoso,  se fosse eleito Papa um sujeito consagrado com o novo rito, não seria validamente Bispo e então não poderia ser nem sequer Papa (ou Bispo de Roma) nem sequer materialmente. Padre Guérard falou, nessa eventualidade, de “pura aparência de Papas” (O problema da Autoridade e do episcopado na Igreja, Verrua Savóia, CLS, 2005, pg 37).

P. CURZIO NITOGLIA: UMA HIPÓTESE DE VELLETRI

Padre Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]

“Em questões teológicas difíceis e não definidas, deve se dar o próprio parecer com humildade e paz, conformando-se a instrução e a capacidade do ouvinte, insistindo mais na prática da Igreja, exortando a seguir o bom costume; ao invés de deixar-se envolver na controvérsia para a qual não existe conclusão certa e que são em seguida perigosas para quem as explica [abuso de poder, orgulho espiritual e intelectual] e para quem escuta [se não existe capacidade e preparação para compreender e colocar em prática corretamente]. (S. Inácio de Loyola, Obras Completas, Madrid, Barc., 1992, pg 289-290)”.

Analogia: resposta a "Sodalitium" nº 62

PADRE CURZIO NITOGLIA
[Tradução: Gederson Falcometa]
Velletri, 8 settembre 2008
http://www.doncurzionitoglia.com/ANALOGIA.htm

Introdução

■ O fato: Um sermão e uma conferência

  • Depois de ter pedido (6 de julho de 2008), publicamente e por escrito, uma resposta a redação da “Sodalitium”, referente ao n.º 62 de junho de 2008, esperei em vão mais de dois meses, mas não recebi nenhum feedback. Então pergunto novamente – sinteticamente – se Pio XII não é Papa formalmente mas só materialmente. Então Bento XVI , não sendo Papa nem sequer “materialiter” (segundo P. Guérard) os “tesistas”, para ser coerentes com a “Tese” devem ou consagrar um Papa, ou demonstrar de serem eles mesmos “legados diretos [representantes tendo igual valor do sujeito representado, N. Zingarelli] de Cristo”. Quais das duas opções vão escolher? Devo dizer publicamente ao menos, aos seus fiéis. Eles não podem fugir à questão, escrevendo a tese de Cassiciacum ainda é a única solução para a crise de autoridade da Igreja (“Sodalitium”, n.° 62, p. 4).

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