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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

D. DAVIDE PAGLIARANI: A HERMENÊUTICA DA HERMENÊUTICA - SEGUNDA PARTE: CONSEQUÊNCIAS ÚLTIMAS DA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE






Don Davide Pagliarani
Revista Tradizione Cattolica
FSSPX Itália
Março de 2010
Tradução: Gederson Falcometa

A hermenêutica da continuidade encontra a não infalibilidade do Concílio

Um texto infalível por definição não pode ser interpretado. Com efeito, se um texto infalível exige interpretação, é automaticamente o conteúdo da interpretação que se torna infalível e não mais o texto original, pois é a interpretação que exprime a formulação inequívoca e definitiva e, portanto, suscetível de ser vinculativa. De fato, uma definição diz respeito necessariamente a algo definitivo: definir o que não é definitivo significaria definir o indefinível, pretender tornar estático o fluir do devir.

Consequentemente, nenhuma autoridade pode obrigar alguém a acreditar em algo antes mesmo de saber o que é ou o que expressa (daí deriva a precisão absoluta das fórmulas dogmáticas clássicas): equivaleria a pedir a alguém que nade sem permitir que entre na piscina.

 A aplicação do princípio torna-se ainda mais estrita se a própria autoridade responsável reconhecer uma grave necessidade de interpretação.

Ora, se depois de quarenta anos os textos do Concílio precisam de uma interpretação correta, é a prova comprovada de que o Concílio não pode ser vinculativo para a consciência católica.

Por outro lado, em uma linha puramente teórica, sua interpretação correta poderia ser: sabemos, porém, que uma interpretação correta para ser autêntica (no sentido moderno do termo) deve ser continuamente reformulada para expressar algo que está sempre vivo e portanto, sempre verdadeiro. Nesse mecanismo hermenêutico não pode mais haver nada dogmaticamente vinculante porque não podem mais existir formulações dogmáticas semanticamente estáveis. Este aspecto do problema merece alguma reflexão suplementar.

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

D. DAVIDE PAGLIARANI: A HERMENÊUTICA DA HERMÊUTICA - REFLEXÕES SOBRE AS IMPLICAÇÕES E CONSEQUÊNCIAS ÚLTIMAS DA HERMENÊUTICA DA CONTINUIDADE



 

Don Davide Pagliarani
Revista Tradizione Cattolica
FSSPX Itália
Março de 2010
Tradução: Gederson Falcometa

 O pontificado de Bento XVI foi marcado por alguns momentos fundamentais que provocaram reações nem sempre totalmente previsíveis e certamente não facilmente controláveis: basta pensar nas polêmicas que se seguiram ao Motu Proprio Summorum Pontificum. Este ato, a ocasião de uma reacção generalizada abertamente hostil, foi também uma oportunidade para alguns descobrirem qual é o verdadeiro patrimônio litúrgico da Igreja e, através dele, o estímulo para descobrir uma eclesiologia e uma estrutura teológica que não só é diferente mas incompatível com a forjada nestes últimos cinquenta anos e imposto prepotentemente ao "Povo de Deus".

Entre essas escolhas que caracterizam o pontificado de Bento XVI, parece-nos que podemos incluir antes de tudo o princípio da hermenêutica da continuidade (1), que encontra sua formulação programática no famoso discurso à Cúria Romana de 22 de dezembro de 2005. A tal discurso não se seguiram reações impressionantes e clamorosas como nos outros casos, mas daí nasceu um movimento de pensamento e de posições opostas, que ainda está em curso e que merece a nossa atenção.

Nas reflexões que se seguem procuraremos analisar em extrema síntese o que afirma o princípio da hermenêutica da continuidade e sobretudo procuraremos situá-lo na situação histórica que a Igreja vive para tentar compreender todas as suas implicações.

Um verdadeiro princípio ao lado de um pressuposto indemonstrado

Bento XVI, quarenta anos após o encerramento do Concílio, reconhece que situações de profundo mal-estar se seguiram a esse acontecimento histórico. Ele reconhece imediatamente esta dificuldade em um problema de recepção do Concílio, ligado por sua vez a um problema de interpretação (hermenêutica) dos próprios textos do Concílio: muitas vezes o Concílio teria sido interpretado e, portanto, aplicado em violação da Tradição constante da Igreja, contra o sentido objetivo de seus textos e contra a intenção dos próprios Padres conciliares. A hermenêutica da continuidade apresenta-se assim como o caminho a percorrer para interpretar o Concílio de forma autêntica, segundo o seu verdadeiro entendimento e sobretudo em perfeita sintonia com a Tradição.

CRISTINA SICCARDI: «A VISÃO DA IGREJA DE SANTA HILDEGARDA VON BINGEN», A MAGNÍFICA TELA DE GIOVANNI GASPARRO

  

A visão da Igreja de Santa Hildegarda Von Bingen Óleo sobre tela, 300x200cm, 2014-2018. Imagem e copyright  © Archivio dell’Arte / Luciano Pedicin
A visão da Igreja de Santa Hildegarda Von Bingen Óleo sobre tela, 300x200cm, 2014-2018. 
Imagem e copyright  © Archivio dell’Arte / Luciano Pedicin

 


 Cristina Siccardi
                             Tradução: Gederson Falcometa

 A aguardávamos com esperança, com ansiedade, com grandes expectativas e ela chegou. É a grande tela a óleo, de três metros por dois de altura, intitulada A visão da Igreja de Santa Hildegard von Bingen. O pai da obra é Giovanni Gasparro: começou a pintá-la em 2014 e hoje todos podemos admirá-la e ficar espantados com o seu significado intrínseco.

 O que é mais impressiona na Beata e Doutora da Igreja Hildegard de Bingen (1098-1179), mais do que seu imenso conhecimento, é sua ciência. Conhecimento de qualquer coisa, tanto divina quanto terrena, do tempo, do espaço, do cosmos, da história, da eternidade. Mística e beneditina do século XII, ela nos parece contemporânea por seus ensinamentos, por seus avisos, pela lucidez de sua filosofia e teologia, pelo domínio da arte musical e da perspicácia científica, todas manifestações de um gênio poliédrico que explícita em argumentos escritos, ilustrados por ela mesma, e em suas pontuações, volumes de conhecimento deixados em herança [1]. Hildegard é um antídoto emblemático para nossos tempos de envenenamento.

Em seus discursos, falava sobretudo da negligência dos clérigos e muitos deles não só prestavam atenção às suas declarações, mas aceitavam com benevolência os lembretes maternos. A sua conversa sobre a Igreja era tudo menos reconfortante: denunciava continuamente os males nela presentes e a sua palavra era estrondosa. Ele sofreu pela Igreja e ofereceu tudo à Santíssima Trindade por amor à Igreja.

D. CURZIO NITOGLIA: “SALVI TUTTI” A ESTRANHA TEOLOGIA DA IRMÃ FAUSTINA KOWALSKA


   



 “SALVI TUTTI” 
A ESTRANHA TEOLOGIA 
DA IRMÃ FAUSTINA KOWALSKA

 

Don Curzio Nitoglia
Setembro de 2021
Tradução: Gederson Falcometa

 

Prólogo

Monsenhor Patrick Perez (1), em 16 de setembro de 2021, postou um interessante artigo em inglês - sobre a doutrina subjacente à devoção da Irmã Faustina Kowalska à "Divina Misericórdia" - intitulado Church Reasons to Condemn the Divine Mercy Devotion [2] que foi traduzido, em 20 de setembro, para o italiano pelo Centro San Giorgio.

Neste artigo, baseio-me essencialmente neste estudo de Monsenhor Perez.

Como fonte de referência, Dom Perez usou principalmente um artigo escrito pelo Pe. Peter Scott na revista The Angelus (junho de 2010).

Monsenhor Perez analisou as orações de devoção à "Divina Misericórdia" (por exemplo, o "terço") e afirma que nada encontrou nelas contrário à fé e à moral. Em vez disso, ele viu alguns erros na doutrina subjacente a esta nova devoção e no conteúdo das revelações que a Irmã Faustina iria receber.

Além disso, no que diz respeito aos fiéis, acredita que pode haver pessoas que receberam algumas graças praticando a devoção à "Divina Misericórdia". No entanto, isso não significa que a devoção em si venha necessariamente do céu. Na verdade, Deus sempre responde nossas orações e sempre receberemos alguma graça se orarmos. Portanto, se alguém recebeu uma graça praticando esta devoção particular da Irmã Faustina, isso não significa por si só que esta devoção vem do céu. Certamente as graças sempre vêm do céu. Mas a devoção que praticamos pode não ser de origem celestial.

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