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terça-feira, 31 de outubro de 2017

JEAN MADIRAN: A DIREITA É UMA INVENÇÃO DA ESQUERDA

Auguste Couder: Versailles, 5 de maio de 1789, abertura dos Estados-gerais

Jean MadiranTradução: Gederson Falcometa

A distinção entre direita e esquerda é uma iniciativa da esquerda, feita pela esquerda em seu proveito próprio, para arruinar o poder ou para nele se estabelecer.

Existe uma direita, por outro lado atônita de sê-la e mal consenciente, na medida em que a esquerda a forma, a designa e se lhe opõe. As coisas começam, ou recomeçam, propriamente assim, nunca em sentido inverso. Aqueles que instauram ou relançam o jogo “direita-esquerda” fazem esses mesmos parte da esquerda e delimitam uma direita, para exclui-la e combatê-la. Em um segundo tempo, a direita assim designada e individuada, serra as filas, de ordinário nem tempestiva e nem eficazmente, se organiza, se defende, contra-ataca, algumas vezes com sucesso: não é jamais a outra que defende e contra-ataca e faz represália.

Esta forma de luta política era desconhecida antes de 1789.

domingo, 22 de outubro de 2017

AUGUSTO DEL NOCE: O MARXISMO DE GRAMSCI E A RELIGIÃO

Antônio Gramsci

Augusto del Noce 
Tradução: Gederson Falcometa
Centro Romano Incontri Sacerdotali,
documenti, Anno IV, n. 35,
Roma febbraio 1977

Gramsci: marxismo para o Ocidente

Qual lugar assegurar a Gramsci entre os teóricos ocidentais do comunismo? Um fato é incontestável: entre os teóricos ocidentais do comunismo, só Gramsci definiu uma linha política capaz de ter efeito nos países ocidentais. Uma vez que para o marxismo o filósofo, o historiador e o político são indistinguíveis, porque o critério de verdade é colocado para o marxismo na verificação histórica, parece legítimo concluir disto que se deve ver na posição gramsciana também o desenvolvimento mais rigoroso que o marxismo alcançou. Até agora, o marxismo não conseguiu vencer no Ocidente e com isso se universalizar. A possível vitória da ‘batalha do Ocidente’ torna o possível sinal da sua universalidade. Em todo o caso, é com o comunismo gramsciano que devemos fazer as contas.

Dito isto, devemos nos perguntar: existe para tal forma de marxismo uma possibilidade de conciliação, não só com o catolicismo, mas com qualquer posição de pensamento que admita uma realidade transcendente? Ou ao invés disso, o gramscismo contém a resposta decisiva, porém negativa, a qualquer possibilidade de diálogo?

Decisiva porque a negação da transcendência religiosa aparece em Gramsci não como uma superestrutura acompanhante, em razão dos erros históricos cometidos pelos crentes, ou de hábitos laicistas de pensamento, uma prática que em si seria neutral, de modo a ser então destinada, como superestrutura a cair, mas como uma condição, por assim dizer, transcendental, nas considerações dos aspectos teóricos e daqueles práticos do seu pensamento.

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