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quinta-feira, 15 de julho de 2021

DON CURZIO NITOGLIA: A DOUTRINA SOCIAL DE PIO XII

 



P. Curzio Nitoglia
Tradução: Gederson Falcometa

“Em todas as partes hoje a vida das Nações foi desintegrada pelo culto cego
do valor numérico” (Pio XII, Radiomensagem 24.12.1944)

 

Proêmio

 

Já vimos qual é a concepção política clássica e escolástica. Agora devemos ver como no fim da II Guerra Mundial Pio XII compreendeu que estava tendo fim a modernidade e que a humanidade estava para desembocar na via da pós-modernidade niilista. Ele procurou fazer compreender que a única via percorrível para evitar um esfacelamento pior que o do segundo conflito mundial era o retorno à sã filosofia clássica e escolástica, à verdadeira teologia tomista e às diretivas do Magistério eclesiástico. Vejamos juntos o ensinamento social e político de Pio XII.

domingo, 11 de julho de 2021

DON CURZIO NITOGLIA: A CIÊNCIA POLÍTICA TOMISTA




A prudência em relação ao bem comum 
se chama política
(S. Th., II-II, q. 47, a. 10, in corpore)


Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]
 
Política como “prudência social”
A política ou moral social é a ciência daquilo que o homem, como animal social, deve ser e fazer (“agere sequitur esse”), orientando-se a determinado fim (“omne agens agit propter finem”). Santo Tomás a define assim: “o sujeito na filosofia moral é a operação humana ordenada a um fim, ou o homem enquanto age voluntariamente por um fim”. [1] Para o Aquinate a filosofia política é uma ciência prática, que dá os princípios (“scire per causas”) para agir, não ao indivíduo sozinho, como a ética geral, mas ao cidadão que vive em uma sociedade e que deve funcionar como homem social e não como indivíduo privado, como seria ao contrário para a escola liberal e libertista.
 

DON CURZIO NITOGLIA: O BEM DO TODO É MAIOR QUE O BEM DA PARTE



Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]

“Civitas propter cives, non cives propter civitatem”

·Contra o comunitarismo (“o bem de todos”) a sã filosofia ensina que a Sociedade não é o Fim absoluto, o bem ao qual os cidadãos são ordenados, mas a Sociedade é ordenada ao bem comum dos cidadãos (“civitas propter cives, et non cives propter civitatem”). Por isso é preciso entender bem o significado do axioma “o bem do todo é superior ao bem da parte”, para não cair no absolutismo comunitarista, ou seja, no “culto da Comunidade” ou do seu “Chefe absoluto”, que destrói os indivíduos.

 ·A comunidade (ou o “bem do todo”) não deve absorver, mas deve proteger os direitos do indivíduo e da família (“o bem da parte”). Essa intervém apenas onde a família e o setor privado não conseguem sozinhos (v. o princípio de subsidiariedade) [1].

 ·O Cardeal Alfredo Ottaviani ensina: “individuus non est pro Statu, sed Status pro individuo”, o Estado (ou “bem do todo”) é para os cidadãos, não vice-versa, ou seja, a pessoa não é uma engrenagem da Sociedade como uma engrenagem de relógio. É preciso que o Estado (“o todo”) respeite a pessoa (“a parte”) provida de uma natureza racional, criada a imagem e semelhança de Deus, dotada de uma alma espiritual e de intelecto e vontade, e então, livre para fazer o bem e aberta para conhecer o verdadeiro que a conduzirá a vida sobrenatural. O Estado (ou “o bem do todo”), portanto, não deve jamais obstaculizar ou inculcar o conhecimento da verdade e a prática do bem da pessoa (“o bem da parte”), antes a deve favorecer. Quando se iniciaram as escavações sob o altar da Basílica de São Pedro, para ver se realmente ali estava o corpo do Apóstolo, a quem faziam notar a Pio XII o risco daquela operação, o Papa respondia: “A Igreja não deve ter medo da verdade!”.

 ·Além disso, a Comunidade ou Sociedade deve procurar também e secundariamente o bem estar comum temporal do homem, defendendo os seus direitos e a sua dignidade: a vida, a integridade física, as comodidades temporais, a educação intelectual, moral e espiritual [2].

DON CURZIO NITOGLIA: A DEMOCRACIA CRISTÃ E O MODERNISMO






Don Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]

Romolo Murri,  Luigi Sturzo e Alcide De Gasperi

A questão democristã

Dário Composta escreve: “O modelo ideal “DC” se pode definir […] como política progressista e aconfessional”[1]. Essa é um partido de centro que olha à esquerda, como dizia Alcide de Gasperi. Don Composta distingue três tipos de católicos:

«a) Os cristãos sociais, que rejeitam os princípios da Revolução Francesa, por aderirem a doutrina social e política do Magistério Eclesiástico;

b) Os cristãos liberais, que param na metade do caminho entre a idéia da revolução e o ensinamento da hierarquia católica.

c) Os democratas cristãos, que, enquanto acolhendo um certo sentido ou uma inspiração vagamente cristã, se mantiveram laicistas e se orientaram pela teoria relacionada a revolução francesa; eles tiveram como decanos na França; Lamennais, Saugner e Maritain e na Itália Murri-Sturzo-De Gasperi. Os democratas cristãos – continua Composta – “tinham se convencido de que o pensamento social católico de alguma forma deveria se reconciliar com a situação de fato […] e abandonar a intransigência [2]. A “DC” pensa que a revolução francesa foi um fenômeno divino e positivo, que toda forma de governo não democrática cristã é inaceitável e anticristã.  Romolo Murri, fundador da “Liga democrática nacional” [3], foi condenado junto com sua “Liga”, e excomungado como modernista em 28 de julho de 1906. Sturzo foi mais hábil, porque não quis se envolver de modo aberto, com o modernismo, mesmo que possuísse idéias progressistas e modernizantes, ele fundou o “PPI”, que foi severamente criticado pelo Padre Agostino Gemelli,  Monsenhor Francesco Olgiati e pelo Cardeal Pio Boggiani, Arcebispo de Gênova, que em 5 de agosto de 1920 publicava uma “Carta Pastoral” onde colocou luz sobre os graves erros do “PPI”:

a) Emancipação da Hierarquia eclesiástica;
b) Exaltação da liberdade como valor absoluto  em conluio com os liberais;
c) Derivação  de sua teoria política a partir dos princípios da revolução francesa.

MONS. JEAN-BAPTISTE MALOU: DOUTRINA DA IGREJA A RESPEITO DO USO DOS LIVROS SAGRADOS




Monsenhor Jean-Baptiste Malou
Tradução: Gederson Falcometa


A leitura da Sagrada Bíblia em língua vernácula (I)


I.
Doutrina da Igreja Católica a respeito do uso dos livros sagrados

Nós acreditamos que as Sagradas Escrituras foram dadas a Igreja para instruir todos os fiéis, e que foram particularmente confiadas aos pastores, afim de que as conservassem intactas e puras em meio às vicissitudes e revoluções das sociedades humanas, afim de que esses fizessem dela a base de seu ensinamento. Acreditamos que contém a maior parte das verdades reveladas, e que a Igreja docente, isto é, o corpo dos pastores, o sucessor de Pedro como chefe, recebeu a missão de interpretá-la de forma autêntica por meio da tradição vivente, por ela conservada em seu próprio seio em virtude da autoridade recebida do Salvador. Acreditamos que as Sagradas Escrituras em várias circunstâncias são suficientes por si só, para confundir a heresia se entendidas no sentido atribuído a elas pelos SS. Padres e conformemente às decisões anteriores da Igreja; mas acreditamos ainda com Tertuliano que não são susceptíveis de resolver definitivamente e absolutamente alguma controvérsia quando separadas do princípio de autoridade e se lhe determine o sentido segundo opiniões preconcebidas ou segundo sistemas humanos; neste último caso, elas para servir-nos da expressão enérgica daquele Doutor Africano, servem apenas para turbar o estômago e o cérebro [1]. Acreditamos que a Escritura não contém todas as verdades reveladas, mas acreditamos que a sua leitura seja necessária aos pastores de almas e que possa ser útil a todos os fiéis que são preparados para esta mesma leitura; acreditamos que jamais Deus ordenou a todos os cristãos de lerem a Sagrada Bíblia e atingir com os seus próprios esforços o conhecimento da revelação; acreditamos que os fiéis lucram com as Sagradas Escrituras se colocam atentamente e docilmente o ouvido ao ensinamento dos seus pastores, e acreditamos que a Igreja teve legítimos motivos para estabelecer e modificar as leis disciplinares ou os costumes locais que restringiram ou encorajaram em épocas diferentes o uso dos livros sagrados entre os leigos.

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