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terça-feira, 31 de março de 2020

DON NICOLA BUX: O CASTIGO QUE NOS SALVA - PARTE I




Don Nicola Bux
Tradução: Gederson Falcometa
 
Limite

No agravar-se da crise da civilização ocidental, se ergue a grande interrogação: O que é o homem diante da presunção de superar o seu próprio limite, combinando as armas da ciência e do direito? Parece evidente que a pedra angular do discurso sobre o homem é o limite da sua liberdade. Um limite a não circunscrever o âmbito da fé, mas a buscar - segundo o convite de Pascal a viver “como se Deus existisse", relançado por Ratzinger aos não crentes - na verdade inscrita no coração de cada homem e nas leis imutáveis do direito natural. Defender a pessoa e a sua autêntica liberdade, é um imperativo categórico para qualquer um que tenha no coração a sorte do Ocidente e da humanidade (cfr C.Ruini-G.Quagliariello, Un’altra libertà. Contro i nuovi profeti del paradiso in terra, Rubbettino, Soveria Mannelli 2020, p.7-9).

Podemos ver esta epidemia como “um sinal dos tempos”, no sentido antes de tudo de uma advertência ao mundo: tantos abraços e tantas relações, mesmo contra a natureza, dos quais, agora, como uma pena de retaliação, precisamos nos abster. Desafiamos a lei natural e cometemos os “pecados que gritam ao céu por vingança”. Que dizer da infidelidade e da indiferença daqueles que vivem no ateísmo pratico e postulam a natureza emancipada de Deus! E depois adultérios, abortos e divórcios. Desprezamos os direito de Deus e colocamos no seu lugar os direitos do homem. O que há por trás disso? Me associo a conclusão da recente intervenção do Professor Stefano Fontana:

“Infelizmente a secularização nos habituou a pensar a cada nível como autônomo: a técnica autônoma da ciência, a ciência autônoma da política, a política autônoma da ética, a ética autônoma da religião... Cada degrau estaria apto a alcançar automaticamente os próprios fins, e sustentar o contrário será integralismo. Mas o Fim último não é como o último degrau de uma escada, a qual simplesmente é acrescentado aos precedentes, ao invés disso ele coincide com o Principio. Nenhum degrau intermediário pode se fazer sozinho: “Sem mim nada podeis fazer”.  (La messa è essenziale per il bene comune, La NBQ 09.03.2020).
 

[TOLKIENIANA] BOROMIR, O PECADOR RESGATADO




Di Isacco Tacconi
 Tradução: Gederson Falcometa
Gostaria de dedicar esta nova tratativa sobre personagens tolkienianos a uma figura a mim particularmente cara: Boromir de Gondor.

A “simpatia”, no sentido etimológico do termo de “com paixão” (do grego «syn – patìa»= sentir comum), que este personagem sempre me suscitou deriva da sua radical e dramática humanidade. Entre todos os personagens da Companhia que se oferecem para acompanhar Frodo nas suas missões “redentoras”, Boromir é, a meu ver, o mais “humano”. Não por acaso é o único verdadeiro representante do mundo dos homens. Não o mesmo para Aragorn que está, em certo sentido, acima do homem, é mais que um homem. Mas deixemos o discurso sobre o Herdeiro de Isildur para uma próxima tratação, melhor nos dedicarmos ao “homem” Boromir.

sexta-feira, 27 de março de 2020

CHESTERTON: O JOGO ENGANE O PROFETA


O Napoleão de Noting Hill

Chesterton

Livro I

Capítulo I

Observações introdutórias sobre a Arte da Profecia

A raça humana, a que muitos de meus leitores pertencem, diverte-se com jogos infantis desde o início dos tempos, e provavelmente vai fazê-lo até o fim, o que é um incômodo para as poucas pessoas crescidas. E um dos jogos prediletos é chamado deMantenha o amanhã misterioso, e que também é chamado (pelos camponeses em Shropshire, não tenho dúvida) Engane o Profeta. Os jogadores ouvem com muita atenção e respeito a tudo o que os homens inteligentes têm a dizer sobre o que deve acontecer na próxima geração. Os jogadores então esperam até que todos os homens inteligentes estejam mortos, e os enterram com respeito. Então, fazem alguma outra coisa. Isto é tudo. Para uma raça de gostos simples, no entanto, é muito divertido.
A humanidade, como uma criança, é teimosa e adora segredinhos. E desde o início do mundo nunca fez o que os sábios dizem ser inevitável. Eles apedrejaram os falsos profetas, diz-se, mas eles poderiam ter apedrejado os verdadeiros profetas com um prazer maior e mais justo. Individualmente, os homens podem apresentar uma aparência mais ou menos racional, comer, dormir, ou planejar algo. Mas a humanidade como um todo é mutável, mística, inconstante, deliciosa. Os homens são homens, mas o Homem é uma mulher.

terça-feira, 17 de março de 2020

STILUM CURIAE: POBRES PASTORES, QUE ESQUECERAM TOMAS MORUS...





Mon. ICS
Tradução: Gederson Falcometa



Caro Tosatti. Refletia sobre seu Stilum Curiae (La misa ha terminado. La escandalosa renuncia de los obispos) relacionado ao comportamento dos Bispos neste momento. Pobrezinhos, estão na obscuridade também eles. 

São eles que precisam de vós, católicos, filhos de Deus, fortes na fede.

No Evangelho de hoje o Senhor acusa os escribas e os fariseus porque se sentaram sobre a cátedra de Moisés, estão preocupados apenas de fazer bela figura e abandonaram quem foi a eles confiado, deixando-os “...como ovelhas sem pastor”.

Deveriam ser “sal e luz” para o povo a eles confiado, e ao invés deixaram o povo “sem sal e sem luz”. E eles mesmos estavam na obscuridade.

Difícil não pensar logo na situação que o seu Stilum Curiae, comenta.

Hoje os pastores parecem ter perdido “o espírito de serviço” de quem ama e segue o Senhor. Manifestamente adquiriram outros “espíritos de serviço”, para a atividade supostamente ética social, mas parecem ter esquecido o espírito de serviço necessário para se obter frutos sobrenaturais, aqueles que hoje produziriam as graças especiais necessárias.

Se diria que os pastores do rebanho de Cristo perderam a capacidade de fazer o bem espiritual. Pobres!

Estamos na Quaresma, entre pouco tempo comemoraremos a Paixão, morte e ressurreição do Senhor. Entre pouco tempo recordaremos que a Paixão de Cristo foi a salvação para toda a humanidade, e que o Senhor fez da dor um meio de redenção.

Entre pouco tempo devemos meditar que a mortificação e a penitência, a qual nos chama a Quaresma, tem como fim principal a co-redenção.

Se hoje os pastores, ao invés de não fazer celebrar as Santas Missas e privar dos Sacramentos, canais da Graça, ensinassem a valorizar como o “sacrifício coronavírus” serve para nos purificar e a reparar, quantas Graças não poderíamos alcançar!

Como poderia fazer crescer espiritualmente o rebanho se ensinassem a viver estes momentos exercitando as virtudes humanas e sobrenaturais, sobretudo a fé, a esperança, a caridade, a fortaleza, o otimismo cristão...

Ajudando o pobre rebanho a recuperar a perspectiva sobrenatural e com essa o influxo real da graça na própria vida.

Sexta-feira da V semana da Quaresma contemplaremos a oração de Jesus no Jardim do Getsêmani. Santo Tomás Morus, na prisão na tore de Londres a espera da sua execução, meditou e contemplou esta oração de Jesus, encontrando todas as forças para enfrentar o martírio.

Sugiro de lê-lo para encontrar conforto, coragem e otimismo neste momento. Escreve Santo Tomás Morus: “Tenha coragem... não importa o quanto te sintas amedrontado e assaltado pelo terror dos tormentos... tenha coragem, porque Eu também, que sou o vencedor do mundo, ao pensamento da minha amarga e dolorosa Paixão, me senti ainda mais cansado, triste, amedrontado e pleno de angústia íntima...”.
Coragem meus amigos.
Mons. ICS

segunda-feira, 16 de março de 2020

P. ROGER CALMEL: RECEITA PARA TEMPOS DE CRISE



Padre Roger Thomas Calmel
Tradução: Gederson Falcometa
Mais atual do que nunca é este texto do Padre Roger Thomas Calmel, um dos primeiros sacerdotes a ter pressentido e resistido a crise na Igreja que se difundia já rapidamente nos anos 60. Neste ele mostra as grandes linhas do comportamento do católico que deve buscar força na vida interior para não deixar-se transportar para a corrente dos erros e contribuir com a restauração da Igreja, restauração que deve começar na nossa alma.

P. ROGER CALMEL: LUZ DO APOCALIPSE




P. Roger Calmel O.P.
 [Tradução: Gederson Falcometa]  


Podem-se encontrar estranhas, complicadas e as vezes até mesmo desconcertantes visões, sempre grandiosas, do Apocalipse de São João. Não se pode porém acusá-lo de fornecer uma ideia milenarista ou progressista da história. Neste não se encontra uma só alusão, por quanto sútil a suponha, a uma ascensão do ser humano para uma super-humanidade, nem a uma transfiguração da Igreja militante em um Igreja onde não existem mais pecadores ou que cessem de ser um alvo aos ataques das duas Bestas. Sob qualquer forma que se apresente, o mito do progresso é totalmente estranho a revelação do vidente de Patmos; este mito, como veremos, é de fato destruído pelas suas revelações. A razão maior, na perspectiva do Apóstolo João, inspirado pelo Senhor, é a impensável heresia ultramoderna segundo a qual a construção da humanidade através da busca, da ciência e da organização terminaria bem rápido por identificar-se com a Igreja de Deus.

domingo, 15 de março de 2020

CHIESA E POST-CONCILIO: INAUDITO, MISSA TRANSMITIDA VIA STREAMING É INTERROMPIDA EM CERVETERI

Hoje é um boletim de guerra! Parece parece que alguns não estão com o coração tanto na segurança (as distâncias estavam respeitadas) quanto na interrupção da celebração litúrgica... Como o alimento material (supermercados abertos e acessíveis) fosse essencial e o espiritual não! E contudo as celebrações em streaming não estavam vetadas! De resto, se razoavelmente pudessem permitir as celebrações do Santo Sacrifício (que não é um optional, mas função primária da Igreja além de direito dos fiéis) com a presença de fiéis respeitando a devida distância de segurança, como advém em outros lugares... Não é necessário sofrer! Mas a quem iremos?


Cesare Baronio
Chiesa e Post-Concilio
Tradução: Gederson Falcometa

Escrevo a vocês após um evento que julgo escandaloso e inaudito.
Hoje, em uma Igreja de Cerveteri, as forças de ordem intervieram para interromper a celebração de uma Santa Missa transmitida via streaming, a qual participavam alguns fiéis que permaneceram fora do edifício e em distância de segurança entre eles.

O celebrante foi tirado do local da celebração e a policia local (imagino a guarda municipal [Ndt.: Vigili Urbani]) foi ao altar intimando aos fiéis que saíssem.

O vídeo:



Como podem ver, ao fundo da abside se vê o celebrante com a casula.
Escrevi a vocês a fim de que seja dada ampla divulgação da notícia e se peça a Autoridade Eclesiástica que proteste energicamente pela intromissão da força pública no curso de uma celebração litúrgica, em violação das normas concordadas.
 
Nesta ocasião, ofereço minhas respeitosas saudações,

Cesare Baronio +

GUSTAVE THIBON: A VERDADEIRA LIBERDADE


Gustave Thibon
Tradução: Gederson Falcometa

Definir a liberdade como independência esconde um perigoso equivoco. Não existe para o homem uma independência absoluta (um ser finito que não dependa de nada, seria um ser separado de tudo, eliminado da própria existência). Mas existe uma dependência morta que o oprime e uma dependência viva que o faz transbordar. A primeira destas dependência é a escravidão, a segunda a liberdade. Um homem forçado depende de seus grilhões, um agricultor depende da terra e das estações: estas duas expressões designam realidades bem diversas. Voltemos as comparações biológicas que sempre são mais iluminantes. Em que consiste o “respirar livremente”? Talvez no fato de pulmões absolutamente “independentes”? Nada disso: os pulmões respiram tanto mais livremente quanto mais solidamente, mais intimamente estão ligados aos outros órgãos do corpo. Se esta ligação se afrouxa, a respiração se torna sempre menos livre e, no fim, ela pára. A liberdade é função da solidariedade vital. Mas no mundo das almas esta solidariedade vital recebe um outro nome: se chama amor. A segunda da nossa atitude afetiva em relação a eles, os mesmos vínculos podem ser aceites como vínculos vitais, ou repelidos como grilhões, os mesmos muros podem ter a dureza opressiva da prisão ou a íntima doçura do refúgio. A criança estudiosa corre livremente para a escola, o verdadeiro soldado se adapta amorosamente a disciplina, os esposos que se amam florescem nos “vínculos” do matrimônio. Mas na escola, na caserma e na família são horríveis prisões para o estudante, o soldado ou os esposos sem vocação. O homem não é livre na medida em que não depende de nada ou de ninguém: é livre na exata medida em que depende daquilo que ama, e é prisioneiro na exata medida em que depende daquilo que não pode amar. Assim o problema da liberdade não se coloca em termos de independência, mas em termos de amor. O poder do nosso afeto determina a nossa capacidade de liberdade. Por mais terrível que seja o seu destino, aquele que pode amar tudo está sempre perfeitamente livre, e é neste sentido que se falou da liberdade dos santos. No extremo oposto, estão aqueles que não amam nada, consideram belo quebrar vínculos e fazer revoluções: permanecem sempre prisioneiros. No máximo conseguem trocar uma escravidão por outra, como um doente incurável que se vira em seu leito.

Gustave Thibon, “Ritorno al reale”

P. LUIGI TAPARELLI D'AZEGLIO, S.J.: O SIM E O NÃO NO REINO DA OPINIÃO




P. Luigi Taparelli D’Azeglio S.J.
Roma 1860
Tradução: Gederson Falcometa

Que me diz o leitor? A opinião é a rainha do mundo?
 
 Este é um daqueles problemas equívocos, ao qual se pode justamente responder com um sim não menos com que um não. Para esclarece-lo de suas ambiguidades, o transformaremos em outros dois problemas.  
 
 «Toca a verdade das coisas conformar-se a opinião dos homens ou a opinião dos homens deve conformar-se com a verdade das coisas»? Se a opinião pudesse transformar as coisas, a dúvida poderia ser razoável. Mas o ser das coisas é independente do nosso pensamento. Opinou-se por séculos segundo o sistema ptolomaico, em seguida segundo o copernicano, nem por isso mudaram os astros o seu curso. Então, a opinião não é a rainha do mundo.
 
Agora eis um segundo problema. «O homem se guia naturalmente segundo a sua opinião ou contra a sua opinião»? Ou em outros termos: «O homem e a multidão dos homens pode operar sem querer um bem, e querê-lo sem conhecê-lo»?
 
Basta a mais leve tintura de antropologia para responder que não. Se o homem deve operar como homem, é preciso que queira: para querer deve encontrar alguma razão de bem; este bem não o pode encontrar se não com a razão. Então, o operar do homem e da multidão é regulado pela razão. Ora, o juízo da multidão se apela a Opinião pública. Por isso a opinião guia o operar da multidão, e é por consequência a rainha da sociedade.

sábado, 14 de março de 2020

DOM CARLO MARIA VIGANÒ: A SUJEIÇÃO DA IGREJA AO ESTADO

Apresentação de Marco Tosatti

Caríssimos Leitores, o arcebispo Carlo Maria Viganó nos enviou a sua reflexão sobre o coronavírus e os diversos pronunciamentos da Conferência Episcopal Italiana, dos Bispos e do Vigário para a cidade de Roma.
Boa leitura




Dom Carlo Maria Viganò
Stilum Curiae
Tradução: Gederson Falcometa

O que estamos testemunhando nestas horas é dramático, em toda a Itália, certamente, mas de modo tragicamente exemplar em Roma, coração da Catolicidade. Um cenário desconcertante tanto quanto aquilo que está em jogo não é apenas a saúde pública mas a Salvação das almas, aquela eterna, da qual já há algum tempo, como Pastores, cessamos de inflamar o desejo dos nossos fiéis.

Lhes privamos tanto daqueles dons sobrenaturais que nos tornam capazes de fazer frente as provações aqui embaixo, mesmo os assaltos da morte, com a força da fé e com aquele salto de inexaurível e inabalável esperança, que deriva da aspiração para o destino de glória para o qual fomos criados.
 

CORONAVÍRUS: PREFEITA CONSAGRA MENFI A NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

Video:
 

CARDEAL SIRI: REFLEXÃO SOBRE A MODA


Cardeal Siri
Tradução: Gederson Falcometa

Moda é um costume que prescinde da racionalidade e isto significa que pode ser, e é muitas vezes de fato, irracional, e que vem imposto por uma pressão emotiva, não racional. Então, são dois os elementos constitutivos: o costume alógico e a imposição do exterior por vias de sugestão. O prescindir da racionalidade (que pode existir, mas que não é entendida), é fato deterior em quem, inteligente, livre e responsável deveria sempre usá-la. O aceitar uma imposição do exterior, sem motivos, coloca em perigo de seguir uma via má; porque o critério não aquele da bem informada consciência. No mais existe uma cessação e uma capitulação, que se dá em detrimento da dignidade. Este outro aspecto implica alguma coisa de deterior. Se tratará em cada caso de um pecado? Seria imprudente afirmá-lo, porque as modas podem se desenvolver em campos sobre os quais não grava a obrigação moral de fazer antes a um modo que ao outro, e porque frequentemente o seu processo de penetração é tão pouco advertível, a justificar um certo véu de desatenção, se não propriamente de consciência. Moda e inconsciência se encontram bem juntas. Todavia mesmo quando não se pode afirmar o pecado, permanece uma certa inconveniência pelas razões acima expostas.

Escrito pelo Cardeal Giuseppe Siri extraído do livro “Ideali santi e celeste presenza nel mondo”, Edizioni della Fraternità della Santissima Vergine Maria, 1965.

CHIESA E POST-CONCILIO: A VENEZA DE UM TEMPO ATRÁS E NOSSA SENHORA DE NICOPÉIA

"...Foi em uma destas rixas que os venezianos adquiriram valorosamente o estandarte do Tirano, mas com muito mais alegria um painel sobre o qual estava pintada a imagem de Nossa Senhora, que os imperadores do Oriente tinham levado continuamente com eles em suas empresas, porque todas as suas esperanças pela saúde e a salvação do Império se baseavam nela. Os venezianos tinham por esta imagem uma estima maior do que todas as outras riquezas e jóias que ganharam, e hoje é venerada com grande reverência e devoção aqui na Igreja de São Marcos, e é levada em procissões nos períodos de guerra e de pestilência, e para rezar pela chuva e pelo bom tempo". (De uma antiga crônica)





Tradução: Gederson Falcometa


Quando a peste atingiu Veneza em 1630, ao invés de fechar as Igrejas, se celebraram Missas, foram elevadas orações públicas e se realizaram procissões com Nossa Senhora de Nicopéia (vencedora), pedindo as suas interceções para salvar o povo de Veneza. Em 1631 a peste tinha desaparecido. Veneza, na foz do Grande Canal, domina nítida e imponentemente sobre a paisagem da cidade, a Basílica de Nossa Senhora da Saúde. É uma das Igrejas mais belas e grandiosas de toda Veneza e está a testemunhar o amor reconhecente dos Venezianos para com Nossa Senhora, por lhes ter libertado da contaminação da peste de 1630.

sexta-feira, 13 de março de 2020

ROMA: O CRUCIFIXO MILAGROSO QUE PAROU A PESTE EM 1600




Chiesa e Post-Concilio
Tradução: Gederson Falcometa

Nestas horas de ânsia pelo contágio existe quem recorda que em Roma, na Igreja de São Marcelo (San Marcello al Corso), é venerado um antigo e precioso crucifixo, considerado milagroso, e por isto usado para parar as pestilências na capital, nos tempos do Papa Rei e de quando as pandemias se transmitiam com maior facilidade em relação a hoje. A foto deste crucifixo começou a fazer aparições nas redes sociais com a sugestão, por parte de alguns, de exibi-lo novamente e levá-lo em procissão, mesmo se isto significasse contradizer as prescrições contidas no decreto do governo que vetam ajuntamento de pessoas e requerem uma distância de segurança.

O crucifixo, exposto na quarta capela a direita, foi objeto de profunda veneração por parte dos fiéis de Roma deste 1519, quando milagrosamente permaneceu ileso no grande incêndio. Entorno a 1600 se espalhou uma grande epidemia de peste em toda a cidade. Foi então que o Cardeal titular de S. Marcelo, Raimundo Vich, espanho, para implorar a clemência divina, promoveu naquele ano uma solene procissão penitencial a qual participaram todas as categorias de pessoas: clero, religiosos, nobres, cavaleiros, homens, mulheres, idosos e crianças que “descalços e cobertos de cinzas a uma e alta voz, interrompida apenas pelos soluços e suspiros, de quem lhes acompanham, gritavam “misericórdia SS. Crucifixo”.

Durante aquela procissão, que durou 16 dias, o crucifixo foi carregado nas costas pelos diversos distritos de Roma e chega até a Basílica. Os cronistas da época são concordes em afirmar que onde passava a procissão nos diversos distritos a peste cessava.

CORONAVÍRUS: UM SACERDOTE QUE NÃO DESERTA O FRONTE


Relato por um leitor [do blog italiano Chiesa e Post-Concilio] : O Pároco de Bibbione,  pegou a sua ape e colocou na caçamba a estátua de Nossa Senhor e percorreu a cidade a bendizer as estradas e as casas, parado pela polícia, ele respondeu: estou trabalhando!!! Um grande!!!



CORONAVÍRUS: PREFEITO DE VENEZA CONSAGRA A CIDADE AO CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA


O Prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro, se dirigiu hoje, com a faixa tricolor, até a Basílica de Nossa Senhora da Saúde para invocar a poderosa proteção da Beatíssima Virgem, recitando entre outras  esta oração: “consagramos ao Teu Coração Imaculado a cidade de Veneza e as nossas terras venetas”. O ato de entrega foi composto pelo Patriarca Moraglia.





Vídeo:


quinta-feira, 12 de março de 2020

MARCELLO VENEZIANI: FALTA UMA RESPOSTA ESPIRITUAL A CONTAMINAÇÃO


Marcello Veneziani
Tradução: Gederson Falcometa


Existe uma dieta espiritual a observar nestes dias de pesadelo e de incubação? Não li ou escutei em nenhuma parte reflexões, conselhos, terapias que considerassem de coração a alma das pessoas e que colocassem a questão viral do ponto de vista “espiritual”. Palavra em desuso, intrusa, se não extinta do nosso léxico cotidiano. No entanto, nunca como neste caso foi tão necessária porque está em jogo a vida e a morte, a velhice e a doença, a solidão e a solidariedade [Ndt.: Principalmente a perdição ou a salvação], que colocam em cena a urgência de uma preparação espiritual para os eventos e para a nossa vida. E ao invés, o máximo que temos no âmbito interior nestes dias é matéria de psicólogos, psicanalistas e psiquiatras. É medicada também a consciência, hospitalizada permanece a alma.  

quarta-feira, 11 de março de 2020

STEFANO FONTANA: RAHNER, PROFETA DA IGREJA ABERTA DE HOJE

Um livreto de Rahner de 1972 é extraordinariamente atual, para entendermos de onde viemos e para onde vamos: Igreja aberta, desclericalizada e comunidade de base, sem dogmas e não moralizadora. As previsões do teólogo sobre comunhão aos divorciados e sobre o aborto. A ser lido com uma advertência: não era infalível.


06 de Agosto de 2016
Tradução: Gederson Falcometa

No longínquo 1972 Karl Rahner, que naqueles tempos, ainda que distante do nosso, já era Karl Rahner, escreve um livreto intitulado “Transformação estrutural da Igreja como tarefa e como chance”. No ano sucessivo foi publicado em língua italiana pela Queriana. O livro foi destinado a Igreja Alemã, que tinha acabado de celebrar o seu Sínodo, mas as considerações do (já) grande teólogo alemão antecipavam surpreendentemente os tempos e falavam do nosso hoje. Na Itália a Democracia Cristã (DC) deveria governar ainda por vinte anos, ainda não se tinha nem mesmo  realizado o referendum sobre o divórcio, Paulo VI tinha acabado de desaprovar a Associação Cristã dos Trabalhadores Italianos que em Vallombrosa escolheu o socialismo, já tinha acontecido o 68, mas para as Brigadas Vermelhas surgirem ainda faltavam muitos anos, estava em curso a guerra do Vietinã. É verdade que Paulo VI já tinha falado da “fumaça de Satanás” que entrou na Igreja, mas naquela época o sistema parecia reger. Era um outro mundo, ou neste outro mundo, Rahner já pensava nosso hoje, no nosso mundo e na nossa Igreja de hoje. A releitura daquele livreto traz a nossa fotografia.  

STEFANO FONTANA: MISSA E BEM COMUM, CATÓLICOS DIVIDIDOS


Do contágio, como de toda outra dificuldade em alcançar o bem comum, nos salvará só a ação humana ou sobretudo aquela divina? No primeiro caso Deus não faz parte do bem comum e as Missas não são necessárias mas se forem úteis, no segundo caso a Missa se torna um ato político irrenunciável. Melhor, para os Bispos, a crítica moderada de Riccardi e Melloni que os louvores de Grillo.


Stefano Fontana
La Nuova Bussola Quotidiana
Tradução: Gederson Falcometa

A suspensão das santas Missas logo após as disposições governativas desencadeou uma interessante discussão sobre o bem comum e relação entre instituições políticas e instituição religiosa. Todos os componentes do mundo católico estão comentando, mas a novidade consiste sobretudo na disputa no círculo interno dos católicos de esquerda onde, se Andrea Riccardi ou Alberto Meloni criticam a suspensão das Missas, Stefano Sodaro e Andrea Grillo criticam as suas críticas.

A diversidade de impostações depende sobretudo da diferente resposta a uma pergunta: as dificuldades que os homens encontram no perseguir o bem comum tem apenas causas materiais ou também espirituais e religiosas? Se elas tem apenas causas materiais, então celebrar as Missas não tem nada a ver. Se ao invés elas tem também causas espirituais e religiosas então a celebração das Missas tem tudo a ver.

A isto segue uma outra pergunta: admitido que não tenham apenas causas materiais mas também espirituais e religiosas, a celebração da Missa será apenas útil ou também indispensável para afrontar-lhes e resolver-lhes? As Santas Missas serão um remédio ou só um integrador? Uma operação cirúrgica ou um paracetamol? Terapia ou cosmético? O coronavírus coloca evidentemente em risco o bem comum. Se explica apenas com a ciência? Ou muitos aspectos da sua difusão tem também a ver com o pecado humano, no sentido de uma desordem nas relações entre os homens e Deus? Do contágio, como de toda outra dificuldade no alcançar o bem comum, nos salvará só a ação humana ou sobretudo aquela divina? No primeiro caso Deus não faz parte do bem comum e culto público a Ele devido não é necessário mas se for só útil, no segundo caso o culto público a Deus se torna um ato político irrenunciável.

STEFANO FONTANA: O ABRAÇO LETAL DO ESTADO NA IGREJA

Suspender a Santa Missa: o Estado o pede para conter a epidemia e a Igreja atende com muito zelo. E é a ulterior demonstração de que a Igreja se concebe agora como um elemento da comunidade política. É só o último passo depois das concessões sobre o matrimônio, sobre a educação, sobre o direito e sobre o sustentamento econômico.





Stefano Fontana
La Nuova Bussola Quotidiana
Tradução: Gederson Falcometa

O problema é sério e existe. Foi relatado sob os refletores de uma emergência contingente, mas de qualquer modo sério. Não só governo e regiões emanaram as suas disposições em matéria de limitações anti-contágio, os Bispos italianos logo obedeceram mesmo naquilo que diz respeito ao aspecto mais essencial e central da vida da Igreja, a suspensão da celebração da Santa Missa.

O caso sério é precisamente este: a Igreja que obedece ao Estado quando é a ela mais adequado, se concebe como um elemento da comunidade política e não como fundamento daquela sociedade política. Em outros tempos ela pensava ser o Sol que dava luz a Lua, considerava gozar da “plenituto potestatis”, a plenitude do poder, e que o poder espiritual fosse originário e supremo em sua relação com o secular. Depois houve a secularização e a situação de fato mudou, mas isto não significa que a Igreja deva renunciar a defender, com prudência e perspicácia, algumas prerrogativas e pretensões que as pertencem por natureza e submeter-se ao Estado, aceitando que seja esse a definir o perímetro e o sentido da sua missão que, sendo divina, precede o Estado e de fato há um tempo se dizia que não existe autoridade se não de Deus.

terça-feira, 10 de março de 2020

GUSTAVE THIBON: A AUTORIDADE E O AUTORITARISMO


Jesus entre os escribas e os fariseus. Tela de Achille Mazzotti, 1844.


Gustave Thibon
29 de março de 1974
Tradução: Gederson Falcometa




Se dizemos de um homem que ele « tem autoridade », este juízo é um elogio. Mas se dizemos: ele « é autoritário » exprimimos uma crítica.

Onde está a diferença entre autoridade e autoritarismo?

A autoridade de um homem se mede pela sua capacidade de mandar, isto é, pela confiança que inspira ao seu próximo e que o inclina a obedecer sem discutir. No célebre drama « Rei Lear », Shakespeare nos mostra o velho rei deposto que vaga pela floresta. Um cavalheiro passando por lá, o encontra e lhe diz: «Não lhe conheço, mas sinto alguma coisa em você que me induz a lhe obedecer. – E que coisa seria essa? Pergunta o rei. – A autoridade».

FRANCESCO LAMENDOLA: ROGER SCRUTON E A INVENÇÃO DA OICOFOBIA (MEDO DECASA)

Roger Scruton:
O filósofo que inventou a oicofobia



Francesco Lamendola
Accademia Nuova Italia
Tradução: Gederson Falcometa
Mas o que é a oicofobia? Em psiquiátria a oicofobia é uma aversão para com o ambiente doméstico. Pode também ser usado mais geralmente para indicar um medo anormal (uma fobia) da casa ou do seu conteúdo, o termo deriva da palavra grega oikos, que significa família, casa ou lar, e fobia, que significa “medo”. Em 1808 o poeta e ensaista Robert Southey usou a palara para descrever um desejo (em particular dos ingleses) de deixar a casa e viajar. O uso de Southey como sinônimo de wonderlust foi recolhido por outros escritores do século dezenove. O termo foi usado também em contextos políticos para referir-se criticamente a ideologias políticas que repudiam a própria cultura e louvam os outros. A primeira utilização deste tipo foi escrita por Roger Scruton em um livro de 2004.

DON CURZIO NITOGLIA: A DEVOÇÃO AO ESPÍRITO SANTO







Don Curzio Nitoglia
29 de abril de 2011
Tradução: Gederson Falcometa
 

Comumente se considera que, a devoção ao Espírito Santo seja qualquer coisa  reservada as almas especiais ou favorecidas por carismas excepcionais ou extraordinários. Nada de mais falso. Essa é necessária para chegar a perfeição da nossa vida sobrenatural, a qual todos são chamados por Deus. SANTO TOMÁS (S. Th., II-II, q. 24, a. 9) ensina que a vida espiritual se pode dividir em três etapas: a “primeira via purgativa”, dos “principiantes”, que se livram do pecado mortal e fazem meditações discursivas; a “segunda via iluminativa”, dos “progredintes”, que imitam as Virtudes de Cristo e fazem uma oração mais afetiva; estas duas etapas compõem a ascética. Enfim a “terceira via unitiva”, que não é facultativa mas necessária, é a mística ou dos “perfeitos”, que graças a atuação habitual dos Dons do Espírito Santo chegam, com a oração infusa ou contemplação, a união com Deus com pleno e perfeito fervor da Caridade, por quanto é possível a natureza humana nesta vida, ajudada pela Graça divina.

Início uma série de artigos para explicar que coisa seja a terceira via mística ou dos perfeitos e como o Espírito Santo com os seus sete Dons é absolutamente necessário para chegar a santidade. Não é pura teoria, mas dessa derivam as consequências eminentemente práticas para podermos nos fazer santos e salvarmos a alma. LEÃO XIII na sua Encíclica Divinum illud munus (1897) escreveu que como Jesus iniciou a nossa redenção e santificação, assim essa deve ser aperfeiçoada e levada a termino pelo Espírito Paráclito, o qual tem papel na nossa vida espiritual e portanto, absolutamente necessário. Basta pensar nos Apóstolos instruídos por Jesus por três anos e por outros quarenta dias depois da sua Ressurreição, que sem a plenitude do Espírito Santo recebida no dia de Pentecostes não foram capazes de permanecer próximos ao Mestre.

segunda-feira, 9 de março de 2020

STEFANO FONTANA: OS BISPOS E O DEUS QUE SUSTENTA, MAS NÃO PODE FAZER MILAGRES



Stefano Fontana
Tradução: Gederson Falcometa

Nos comunicados de muitos bispos por ocasião da suspensão das Missas por causa do Coronavírus se lê o convite a rezar para que Deus sustente os doentes (com vida), as pessoas atingidas e prejudicadas e os agentes sanitários de modo que a contaminação seja vencida. Só em poucos casos se pode notar um convite a rezar para que o Céu vença o contágio e para que Nossa Senhora interceda a fim de que Deus ponha um fim a praga.

A vencer o contágio poderá ser apenas a ciência e que Deus ajude aos cientistas: este é o sentido de muitas intervenções episcopais. Parece que não reconhecem a Deus a possibilidade de operar fora da ordem criada, mas apenas respeitando as leis desta ordem: então a doença não cessará senão quando as suas causas naturais fizerem o seu percurso ou quando tal percurso for interronpido pela intervenção humana. É como se uma pessoa doente rezasse, e fizesse rezar aos seus familiares e amigos, não para Deus estirpar a sua doença, mas só para sustentar os médicos e os enfermeiros que estão cuidando de sua recuperação no hospital, reservando só a eles a possibilidade de vencer a doença. Com esta mentalidade não existiria nenhum santuário dedicado a Nossa Senhora da Saúde. Por trás da decisão muito drástica de alguns bispos de aplicar de modo rigorosíssimo as normas restritivas da autoridade civil se pode talvez notar um efeito deste modo de ver.

domingo, 8 de março de 2020

DON ELIA: DO ATEÍSMO EGOLÁTRICO AS BEM-AVENTURANÇAS

Sermão da Montanha, Carl Heinrich Bloch, 1877


D. Elia
Tradução: Gederson Falcometa

Não é totalmente exagerado afirmar que, sem uma graça de todo especial, nós hoje não teríamos a fé. Não falo apenas do fato que a maioria da população italiana, um tempo atrás  praticante, professe agora uma forma de ateísmo teórico ou pratico, mas também do fato que muitos, embora convictos de serem católicos, vivem de fato sem Deus. Até mesmo frequentam regularmente uma paróquia e desenvolvem também tarefas, mas nem o seu empenho nem, em geral, a sua vida moral se apoia mais sobre um fundamento objetivo: o conhecimento da verdade revelada e a observância da lei divina, que é possível pelo concurso da natureza e da graça. Uma espantosa ignorância do catecismo, unida a uma mal encoberta intolerância para com qualquer princípio regulador da conduta, faz de maneira que a vida cristã seja concebida como um percurso subjetivo abandonado ao arbítrio individual, onde a divindade não permanece senão como uma vaga ideia sentimental que não tem mais algum papel efetivo, se não aquele de confirmar um eu imaturo, inseguro e caprichoso. Em muitos casos não se sabe mais quem é Deus nem que coisa signifique crer Nele, com tudo aquilo que isto comporta.

sábado, 7 de março de 2020

CARDEAL BILLOT: DA IMUTABILIDADE DA TRADIÇÂO CONTRA A MODERNA HERESIA DO EVOLUCIONISMO


Cardeal Ludovico Billot 
Tradução Pe. João Batista de A.Prado Ferraz Costa

Nota do tradutor

Com prazer ofereço ao leitor de língua portuguesa a tradução da importantíssima obra do eminente teólogo jesuíta cardeal Ludovico Billot De immutabilitate traditionis contra modernam haeresim evolutionismi, feita a partir do texto original latino publicado em 1929.
Esclareço que esta tradução contou com a colaboração (para as partes mais difíceis) dos saudosos D. Manoel Pestana Filho, que muito me incentivou na execução da tarefa, e do dr. José Moacyr de Oliveira.
Dom Pestana recordava a propósito as palavras de seu antigo professor na Universidade Gregoriana Padre Tromp: “A ‘trindade’ da sagrada teologia está constituída por Santo Agostinho (De Trinitate), Santo Tomás (Summa) e cardeal Billot (De Ecclesia).
É bem possível que a presente tradução contenha erros de digitação ou mesmo períodos de uma tradução menos feliz. Agradeço ao leitor que me aponte tais erros para uma melhora do trabalho. Preferi publicá-la antes de uma revisão geral rigorosa para não retardar ainda mais sua publicação que estava prevista para ser lançada por uma editora que desistiu do projeto diante do desinteresse do leitor brasileiro pela aquisição de boas obras teológicas. Como bem sabemos, o mercado editorial de obras ditas religiosas está praticamente dominado pela literatura herética modernista, pentecostal e sincretista.
A presente obra do cardeal Billot é importante para refutar a ideia de “tradição viva” que nega a imutabilidade do dogma. Com efeito, a reta teologia só admite um processo de explicitação e aprofundamento da verdade católica, jamais uma mudança substancial. Por exemplo, a Igreja  sempre ensinou a doutrina da tolerância religiosa (desde o período da patrística até Pio XII). Essa doutrina foi sendo organicamente desenvolvida, sempre conservando o mesmo sentido. Ora, o que era tolerância do erro em foro público não pode transformar-se em liberdade do erro, ainda mais quando a Igreja condenou rigorosamente a liberdade de cultos.
Boa leitura!
Pe. João Batista de A.Prado Ferraz Costa

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