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domingo, 17 de dezembro de 2017

P. CURZIO NITOGLIA: CARIDADE E JUSTIÇA SOCIAL COMO FUNDAMENTO DA POLÍTICA

Papa Gregório VII

Papa Gregório VII

Padre Curzio Nitoglia
[Tradução: Gederson Falcometa]

“Do desprezo do bem comum ou social qualquer
um pode ser induzido a todos os pecados”
(S. Tomás de Aquino, S. Th., II-II, q. 59, a. 1).

Para o ‘bom governo’, que é a verdadeira virtude de ‘prudência social’ ou seja, a política no sentido clássico do termo, é preciso sobretudo duas virtudes além da prudência: a justiça e o amor natural e sobrenatural, que são substancialmente diversas da egalitè et fraternitè da modernidade. Aqui o estudaremos pela ótica social e não estritamente individual, porque nos ocupamos da filosofia política ou social, que estuda a vida em comum ou em sociedade dos indivíduos homens, os quais se unem antes em uma família e depois em mais famílias, as quais formam uma sociedade ou polis (=cidade) e mais cidades formando enfim um Estado. No artigo sobre “Direito natural” publicado neste mesmo site, vimos como a lei, é eterna ou divina, natural e positiva e como estas leis regem a sociedade e sem essas se cai inevitavelmente na “dis-sociedade” ou dissociação anárquica, que é o ‘péssimo governo’ [1]. No presente artigo nos ocupamos da justiça e da sua perfeição, que é a amizade ou amor (natural ou sobrenatural) [2], para colocar bem a fogo que sem essa não é possível uma verdadeira virtude de prudência social ou política, vale dizer o ‘bom governo’[3]. No livro em dois volumes citados em nota, se afronta o tema da política entendida por Aristóteles e Santo Tomás de Aquino como virtude social, as suas bases metafísicas, a natureza, causa eficiente e final da sociedade, a sociedade internacional, a origem do poder, da tirania e do tiranicídio, as três formas de governo (monarquia, aristocracia e polícia), a realeza social de Cristo, as relações entre Estado e Igreja, o maquiavelismo como início da “política” moderna, concebida de maneira diametralmente oposta à política aristotélica-tomista como separada da virtude e da moral e por isso ‘mau governo’ (1º volume). No 2º volume se afronta a problemática das relações entre a virtude política clássica e as desviações “políticas” modernas: a guerra justa, a pena de morte, a tortura e a represália, a questão social e a sua verdadeira solução contra os dois erros – por excesso e por defeito – do coletivismo socialista e do individualismo liberal, da verdadeira natureza do comunismo, mesmo daquele de “rosto humano”, ou seja, “euro comunismo” e do “cato-comunismo”, do liberalismo clássico, da democracia cristã, qual modernismo social ou liberalismo-católico, do fascismo e do nazismo, mesmo se estes dois capítulos são datados (remontam ao ano de 2002) e, penso, excessivamente severos na crítica. Conclusão a) direito natural, divino e positivo; b) caridade e justiça são os dois pilares que regem a estrutura da prudência social ou política clássica.

domingo, 3 de dezembro de 2017

P. CARTECHINI, S.J.: CRITÉRIOS PARA RECONHECER AS VERDADES DOGMÁTICAS

Sim Sim Nao Nao - Concílio Vaticano I

Padre Sisto Cartechini, S.J.
Roma, 15 de agosto de 1953
[Tradução: Gederson Falcometa]

 

Exposto que coisa seja o dogma, é fácil conhecer os critérios para estabelecer quais sejam as singulares verdades dogmáticas.

1 – O magistério solene dos Concílios

Antes de expor este critério, que é a via mais comum para determinar a verdade de fé católica, é preciso fazer algumas observações importantes.

Para que as decisões de um Concílio tenham valor dogmático, o Concílio deve ser ecumênico e legítimo, apenas em tal caso ele goza do carisma da infalibilidade. De fato, Jesus Cristo prometeu a infalibilidade a Igreja universal e não as singulares igrejas particulares. Os Concílios particulares não são infalíveis: porém as suas decisões podem adquirir um valor universal e definitivo, se em seguida intervém a aprovação do romano pontífice. Assim, ocorreu com o Concílio Contantinopolitano Iº  (em 381: D. 85), para o Cartaginês contra os pelagianos (em 418: D. 101 ss.), o Arausicano contra os semipelagianos (em Orange 529: D. 174 ss.). A autoridade, portanto, destes Concílios, se bem que em origem particulares, de fato é como aquela dos Concílios ecumênicos.

[TOLKENIANA] ÉOWYN: UMA MULHER COMO DEUS ORDENA

Isacco Tacconi
Radio Spada
[Tradução: Gederson Falcometa]

Devo confessar a minha objetiva dificuldade em escrever sobre a mulher em geral e, no presente caso, das figuras femininas tolkienianas por uma dupla razão: 1) a criatura «mulher» é a meu ver um verdadeiro e próprio mistério ainda não plenamente compreendido, o qual papel teológico na história do mundo e da Igreja é tão complexo quanto crucial; 2) Os personagens tolkienianos acrescentam a essa complexidade que definirei «ginecológica», dos extratos e das nuanças numerosas ao menos quanto refinadas. Por isso «o dever do necessário se torna árduo quase ao helênico tropo, e para não lançar fora as sementes conservando sãos espírito e mente, vou buscando luzes e graças Daquele que apenas a recebe e dá em cópia a raça humana».Não por acaso os poetas de todos os tempos requereram o socorro de uma «Musa» (a partir da qual a «música»), especialmente para cantar as virtudes e as graças de uma criatura como a mulher que, se intenta e se recolhe na piedade e a caridade, pode tornar sinal predileto de coisas celestes.

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