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quinta-feira, 16 de maio de 2019

P. CORNÉLIO FABRO: O VALOR PERMANENTE DA MORAL




P. Cornélio Fabro
L’avventura della teoloia progressista
Tradução: Gederson Falcometa

Introdução: o sentido do problema
O escrito se desenvolve em três momentos ou em três pontos. No “primeiro” ponto se buscará clarear a raiz primeira da inspiração das orientações modernas sobre a moral. O “segundo” ponto, mais teológico, enquanto o primeiro é ao invés filosófico, buscará expor o sentido desta revolução, que está acontecendo não só na dogmática mas também na moral, que hoje se chama a moral “secular”; moral que podemos indicar como uma nova edição e apresentação da assim chamada “ética de situação”, que sob Pio XII teve uma condenação oficial por parte da Igreja. O “último” ponto, mais árduo e mais complexo, retomará o filo ideal para nos orientar neste conflito de opiniões e neste interceptar-se de orientações na atual situação moral. O modesto escopo deste escrito é apenas aquele de buscar colocar em ordem onde existe a desordem e de levar um pouco de clareza onde existe muita confusão.
O título é: “o valor permanente da moral”. Valor permanente: tudo começa e se concentra no termo “permanente”. Existe valor permanente da moral quando existem essências, estruturas, realidades e naturezas permanentes. “Permanente” recorda a tradição ocidental, segundo a qual no fundo de todos os problemas, de todas as orientações sobre ser e sobre querer existem estas estruturas permanentes chamadas essências. Então o fundamento da moral está na flexibilidade do espírito. O espírito é certamente consistência, é permanência, mas o espírito é o ápice do comportamento da nossa liberdade, e neste ápice do comportamento existe a flexibilidade; flexibilidade de comportamento da nossa liberdade, mas permanência de substância, de estruturas. Flexibilidade da liberdade, atitude que é fruto de uma liberdade a qual na história se reafirma diante ao absoluto e diante do mesmo ideal, veremos também, da revelação cristã.
E sem mais entramos no argumento.
A moralidade é a propriedade constitutiva da ação humana, apreendida em sua primeira raiz que é a liberdade, como capacidade de escolher, ou como posição daquele ser que é próprio do espírito na determinação originária do fim último e da sua qualidade constitutiva de bem e de mal.
A liberdade, portanto, é a primeira raiz subjetiva da moralidade, assim como a lei divina e humana é a sua forma objetiva: raiz e norma, a liberdade e a lei, se colocam em uma relação incomensurável e original que não se parece com nenhuma daquelas já conhecidas, por exemplo, aquele de ato e objeto, de matéria e forma, de externo e interno… Na verdade, a relação de liberdade e moral, liberdade e norma, é certamente imensurável e original; mas, antes, deve ser entendido no limite, ou melhor, como um plexo inefável de base mútua na tensão de fundo e fundamento. Liberdade e norma não são momentos dialéticos, mas constitutivos uns para os outros, um para o outro. Não há liberdade sem norma. Este será o ponto central da nossa exposição. Claro, também não há regra sem liberdade. Significa que o mundo moral, como a esfera de autenticação do espírito, é e deve ser também um mundo invertido, com respeito ao mundo do imediatismo e das aparências. Por um lado, o sentido último da liberdade parece que deve surgir verdadeiramente de sua referência a liberdade como subjetividade radical, de acordo com o pertencimento constituinte do ato ao sujeito; por outro lado, essa mesma referência se resolve em uma vazia tautologia ,se isso não é mediada pela transcedência, se não se objetiva na Diremtion ou perspectiva originária do bem e do mal e, portanto, na lei divina e humana que o funda. Se verifica, de fato, na esfera moral alguma coisa de absolutamente novo e original, que não se tem naquela cognoscitiva: isto é, enquanto o conhecer procede da subjetividade para a objetividade, o fazer, o fazer moral e o fazer humano, procede da objetividade do mundo e da sociedade para as profundidades do Ego que libera a si mesmo e se atua mediante as suas aspirações – uma antítese, entre a esfera congnoscitiva e a esfera moral, de movimento centrífugo e centrípeto: centrífuga o conhecimento, malgrado as aparências também na tradição imanentista moderna, centripeta ao invés a moral (se assim agrada!)
Mas tem mais. O mundo da objetividade, aquele das ciências e da técnica que hoje avança com a segura presunção de plasmar o mundo do homem para o homem, um mundo feito, como se diz, “a medida do homem”, tem por lei a referência ao infinito, porque a inquietação do homo faber não conhece e não admite satisfação nem repouso porque neste mundo tecnológico é deixado ao infinito: agora a mesma fantasia parece em retardo sobre as perpectivas da técnica de construção e destruição da idade iminente. O mundo da subjetividade ao invés, aquele da liberdade e da moral na tensão do bem e do mal, tem a exigência do momento atual e não comporta adiamentos ou atrasos; não pode esperar uma visão definitiva, de resto inalcansável, do mundo, porque o homem não pode esperar ao infinito para ser homem e é a moralidade que qualifica o homem enquanto homem e atua a sua liberdade. O homem de fato, se move por aquilo que é e parece, a sua volta e aquilo que se torna, ou é constituído daquilo que escolhe ser e atua como projeto do seu ser: se pode bem dizer então que na esfera do espírito a liberdade é o fundamento (Grund) do ser e não simplesmente um modo de ser ao lado de outros com os quais a liberdade deveria vir a pactos. A liberdade a seu modo é portanto um princípio, e o primeiro princípio na vida do espírito seja em Deus seja no homem. É por isso na tensão de ser e liberdade que se decide antes de tudo a qualidade constitutiva do próprio homem e se clarifica o sentido do seu ser e do seu destino.
Continua…

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