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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A PAZ DA ALMA (4ª PARTE: A VIDA DO HOMEM É UMA BATALHA)

 PADRE CURZIO NITOGLIA
[Tradução: Gederson Falcometa]
24 de maio de 2012
http://www.doncurzionitoglia.com/pace_anima4.htm 

  •     “A vida do homem é uma batalha” dizia Jó. Nós mesmos constatamos que nesta vida temos alegrias, mas também muitos sofrimentos para enfrentar. Todavia, existe um remédio para transpor facilmente toda dificuldade: devemos atravessar a via deste mundo tendo a mão de Deus, ou seja, vivem na graça de Deus e pensando continuamente que Ele inabita na nossa alma e cuida de nós.

  • Se não nos deixamos vencer pelas preocupações deste mundo, mas as enfrentamos conscientes de ser tomados pela mão de Deus, que passo por passo conduz até aos limiares da eternidade, então, tudo se simplifica e se obtém a paz da alma e a confiança na divina Providência. Isto nos ajuda a suportar a monotonia da vida quotidiana com alegria e amor amando a Vontade de Deus, que permite a obscuridade do espírito, as tribulações físicas, as perseguições e os abandonos que fazem parte da vida humana. Se a vida não fosse um pouco monótona, nos prenderíamos muito a ela e eis porque Deus permite que a monotonia de tanto em tanto se veja na nossa existência. Aqueles que se lançam na ação (mesmo apostólica) excessiva (heresia da ação) amam mais a própria vontade e o seu modo de agir que a Vontade divina e a sua Providência.
  • A saúde, o sucesso, as riquezas e os prazeres não são os “amigos” que Jesus escolher para Si mesmo e então nem sequer para nós. Ele amou a pobreza, o sofrimento e as perseguições e nós também, com a ajuda da Sua graça, devemos amar-lhes. O obstáculo maior para a paz da alma é o colocar a nossa vontade em oposição a Sua. A santidade consiste no fazer a Vontade de Deus, não a nossa.
  • O problema é que nós acreditamos em teoria na Providência divina, mas na prática duvidamos que Deus cuida de nós em cada uma de nossas ações e então provamos a inquietude ou perdemos a paz da alma. Por isso devemos aceitar todas circunstâncias externas a nós com plena confiança em Deus e ocupar nos apenas daquilo advém na nossa alma e especialmente na vontade, a qual somente pode tornar nos bons ou maus aos olhos de Deus. Aquilo que dizem, fazem, pensam os outros de nós, em torno a nós, não deve minimamente nos preocupar: o nosso único Juiz é apenas Deus.
  • São Pedro caminhou serenamente sobre as águas em direção a Jesus, até quando manteve o olhar fixo Nele, mas no instante em que deixa de olhar Jesus para olhar a si mesmo afundou no mar. Também nós devemos olhar para Jesus e não nós mesmo ou os perigos entre os quais caminhamos; então, chegaremos felizes, rapidamente ao porto.
  • Esforcemo nos, portanto, em entrar em contato com Deus, em conhecê-lo, amá-lo e falar com ele na meditação, porque Ele primeiramente nos conhece, nos ama e nos fala. Se não “sentimos” a sua voz é apenas porque estamos absorvidos pelos rumores e pelas preocupações do mundo e do nosso amor próprio. Se conseguirmos fazer silêncio em torno de nós e entrar em contato com Deus, então, informaremos o impulso espontâneo de tender a nossa mão em direção a Ele, a fim de que nos guie nas obscuridades e nos perigos desta vida. A S. Escritura mais vezes nos exorta a “lançar em Deus todas as nossas preocupações, para que ele tome cuidado de nós”. Aquilo que nos falta é a convicção firme e prática de que esta ajuda é constante, mesmo se invisível, de Deus por nós.
  • Se a escolha das circunstâncias da vida e das criaturas que estão ao nosso redor dependesse de nós, escolheríamos aquilo que nos agrada e não aquilo que é bom para a nossa alma. A vida cristã é uma caminhada continua contra a corrente: se pensamos nas ondas (o mundo, a carne e o demônio) que nos circundam estamos perdidos, devemos ter confiança no socorro do braço de Deus e remontar a corrente adversa, como fazem os salmões.
  • Se nos perguntamos porque estamos no mundo, sobretudo quando as dificuldades se fazem sentir maiormente, não podemos se não responder que: «estamos aqui unicamente porque Deus nos amou, nos criou e deseja ser reamado por nós». Então, nada deve nos preocupar: Deus nos segura pela mão e se for necessário ele nos toma em seus braços. Infelizmente Deus busca, em todo momento, atrair nos maiormente para Ele mas nós somos atraídos para trás.  Se estamos descontentes, significa que ao menos na prática, se não na teoria, nos revoltamos contra a Vontade de Deus. Se estamos muito ansiosos para progredir e pecamos por perfeccionismo ou angelismo, significa que buscamos mais a nossa vontade que a de Deus. “O muito aleija” e “todo excesso é um defeito”. Se Deus não deseja um progresso muito rápido para nós, também nós não devemos desejá-lo.
  • Deus criou o nosso ânimo para amar e para que nós O reamemos. A vida espiritual consiste no governar ou dirigir as nossas vontades para o seu verdadeiro Fim ultimo, que é Deus amado, conhecido e servido. Devemos ter atenção ao motivo que inspira as nossas ações, se é apenas o amor de Deus ou o amor próprio. Todavia, este nosso exame de consciência não deve ser inquieto, agitado, desejoso de ter tudo e subitamente. Um dos frutos do Espírito Santo é a Paz, a qual nos ajuda a rezar e agir com calma e facilidade, mas sobretudo a suportar as adversidades sem a inquietude, que é a ruína da vida espiritual. Então, devemos buscar na vida espiritual a quietude que é a uniformidade ao divino Querer. Se a nossa alma é submissa a Deus o nosso corpo a alma, então estaremos na verdadeira paz.
  • O domínio do nosso temperamento (Ndt.: Ver no blog: O melhoramento do caráter e do temperamento) é a chave do sucesso para chegar a santidade: suportar o abatimento, a falta de grande confiança, o desencorajamento, os nossos defeitos, ter paciência com nós mesmos quando experimentamos o nosso nada, a nossa fraqueza, os nossos limites e deficiências e continuar a agir por amor de Deus apesar da pequenez do nosso ser e das nossas ações, isto é o coração da vida virtuosa. O mesmo vale para suportar os outros. Devemos ter atenção em não buscar excessivamente a compreensão dos outros. Quanto mais consolação recebemos das criaturas tanto menos a receberemos de Deus, que ama o coração solitário, vazio de todo outro amor, ou seja, que ama Deus acima de tudo. Sobretudo Deus quer a nossa vontade mais que a nossa inteligência, especialmente na oração. É verdadeiro “nada é querido se primeiramente não é conhecido”, mas é entretanto verdadeiro que, se não quero conhecer, não chego a conhecer.
  • Para concluir, a razão principal que nos impede de nos tornarmos santos são os obstáculo que interpomos a divina Vontade que deseja a nossa santificação. Se a nossa alma ou melhor as suas faculdades são fracas e doentes, peçamos a Deus a cura e certamente Ele nos curará. Mas requer de nós muita Fé e uma grande Esperança. Não existe o “caso desesperado” para a divina Onipotência, não existe nenhum defeito espiritual sem remédio. Aqueles físicos Deus lhes permite para o bem da alma. Deus quer a nossa vontade, a nossa paz interior; a sua ação sobre nós produz o bem e a felicidade de ânimo, abandonar-se a presença de Deus no nosso espírito é a coisa beneficente para a nossa existência.
  • A paz interior é adquirida com a calma e a tranquilidade, sem fixarmos um tempo exato entre o qual adquiri-la e sem nos apressarmos para consegui-la. Devemos esperar tranquilamente a graça do Espírito Santo e cooperar com ela sem deixar nos tomar por esforços febris que antepõem a ação humana a graça divina. O segredo de uma boa vida espiritual é não ter confiança principalmente sobre nós mesmos, sobre aquilo que sabemos e fazemos, mas no apenas ficar na presença de Deus, que habita na alma dos justos, para conhecê-Lo e Amá-Lo sempre mais e falar com Ele familiarmente, durante a meditação, como um amigo fala com o amigo despido de toda excessiva solicitude.
  • Jamais se pode amar a Deus muito. Ao invés, se pode amar muito o próximo. Se o nosso amor pelo próximo não é regulado e ordenado ao amor de Deus pode conduzir nos a perdição, expondo nos a mil perigos mesmo quando pensamos edificar os outros. Portanto, amemos o próximo por amor a Deus, mas sem danificar a nossa alma: não podemos nos fazer zeladores das almas até perder a nossa própria.
  • Ofereçamos a Deus o nosso espírito sem presumir de nós mesmos e permaneçamos na Sua presença como pobres mendigos que nada tem, mas tudo pedem a Ele para poder seguir no comprimento da Sua Vontade. Tenhamos sempre bem em mente que o essencial da vida espiritual consiste no depender em tudo de Deus sem preocupações humanas.

PADRE CURZIO NITOGLIA

24 de maio de 2012

http://www.doncurzionitoglia.com/pace_anima4.htm

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