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terça-feira, 21 de dezembro de 2021

ALESSANDRO GNOCCHI: UM POUCO DO MÉTODO DO "BEM MENOR"




Reverendos sacerdotes, 
nos expliquem: por que são os leigos 
que devem salvar a Igreja?


Alessandro Gnocchi
2019
Tradução de Gederson Falcometa

 

Nesse período tenho recebido várias cartas pedindo-me para estar mais presente em Riscossa Cristiana, “principalmente”, dizem alguns leitores, “com as Trinta Linhas semanais”. Não vou voltar a falar da minha vida, mas devo confessar que decidi retomar imediatamente a coluna quando Padre Maurizio D. concluiu o seu pedido afetuoso dizendo o que realmente não gostaria de ouvir de um padre. “Volte a escrever com mais frequência, caro Dr. Gnocchi, porque serão vocês leigos que salvarão a Igreja”.

Sem prejuízo do carinho e da estima de Padre Maurizio, provavelmente deslocados para comigo, a boa-fé com que durante um naufrágio alguém mesmo se agarra a uma tábua de madeira, a dor pelas condições de uma igreja cujos pastores matam as almas, o espanto diante de um "Vigário" que representa tudo menos Nosso Senhor Jesus Cristo ... salvo tudo isso e ainda mais, mas estou cansado de padres, párocos, bispos e cardeais que vêm explicar-nos sem qualquer hesitação que os leigos são as pessoas que devem salvar a igreja.

E eles, padres, párocos, bispos, cardeais, consagrados e consagradas de todos os níveis, homens, mulheres e gêneros diferentes, o que fazem? Eles estão continuando a demoli-la como faziam muito antes do fatídico Concílio Vaticano II? Ou, no caso de não quererem cooperar ativamente na matança de almas, estão cautelosamente à margem esperando que passe a noitada? Porque, claro, eles, padres, párocos, etc., etc., explicam imediatamente que, na sua posição, não podem fazer nada, não são suficientemente livres. Então, seremos nós, leigos, que salvaremos a igreja.

O cura nada pode fazer para não colocar em risco o pouco que faz secretamente no oratório. O pároco nada pode fazer para não colocar em risco o pouco que faz secretamente no conselho pastoral. O bispo nada pode fazer para não colocar em risco o pouco de bem que faz secretamente na última capela da diocese. O Príncipe da Igreja, que se veste de vermelho para comemorar o sangue do martírio, não pode arriscar martirizar a sua carreira para não comprometer o pouco que faz secretamente na Congregação. Etc e Etecetera.

Com este método do "bem menor", quanto mais alto você sobe, mais convincente se torna a cooperação com o mal no vértice da hierarquia, que tolera sem nenhum problema qualquer "pequeno bem", pois seu verdadeiro pedido é que seja reconhecida a autoridade, o domínio sobre os corpos, almas e vontades.

 A convivência com o poder, mais ou menos apreciada, é uma profissão milenar, praticada há muito tempo pela casta sacerdotal. Afinal, mesmo esta desistência pusilânime para com os leigos, posta em prática pelo chamado "bom clero", não é outra coisa que clericalismo. É o verso mais perturbador daquela árvore má que surgiu no momento em que os padres alegremente assumiram as tarefas espirituais e temporais dos leigos, submetendo-os à sua vontade. Ora, em evidente dificuldade diante do clerical de aparato, o clerical esgotado pelo poder que não devolveu com os interesses o que roubou ao leigo: não só lhe pede que volte para cumprir as tarefas que lhe cabem a ele para a salvação da alma e do corpo, mas também a carrega com as suas: porque, ele instituiu o motu proprio, cabe ao leigo salvar a igreja. 

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